história da filosofia - volume 6 (giovanni reale - dario antiseri)

história da filosofia - volume 6 (giovanni reale - dario antiseri)


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no campo das ci&ncias 
naturais. [...I 
Pergunta-se o que seria mais util para 
o objetivo de conhecer: descobrir as leis ou 
individuar os acontecimentos? Compreender 
o ser universal sem tempo, ou os fen6menos 
particulares no tempo? E desde o principio 6 
claro qua se pode responder a esta pergunta 
apanas tendo presente as metas ultirnas da 
pesquisa cientifica. [.. .] 
Sem dljvida ha tarnbbrn difsrenps positi- 
vas, e todavia purarnente teoricas, no valor das 
Primeira parte - A filosofia do s&cdo XJ)( a. s&c~ lo )o< 
coisas em relqdo ao fim do conhecimento, mas 
ndo hd outra medida a n8o ser o grau em que 
contribuem para o conhscimento total. R coisa 
particular permanece objeto de curiosidades 
ociosas, caso ndo possa servir de pedra na 
constru~do da estrutura garal. Em santido 
cientifico, portanto, o &quot;fato&quot; jd 0 um conceit0 
teleologico. Nem todo ente real & um fato para 
a ci&ncia, mas apenas aquele do qua1 a ci&ncia 
pode, para usar palavras pobres, aprender al- 
guma coisa. Observem a historia. Muitas coisas 
acontecem sem constituir um fato historico. Que 
Goethe no ano 1770 tenha mandado fabricar 
uma campainha de portdo e uma chave, e no 
dia 22 da fevereiro uma caixa para bilhetes. & 
documentado por um conto de ferreiro artesdo 
absolutamente aut&ntico e, portanto, 6 coisa 
verissirna e csrta, mas ndo & um fato histo- 
r i c ~ e 1-60 interessa nem para a historia da 
literatura nsm para a sua biografia. \u20ac preciso. 
portanto, refletir que dentro de certos limites & 
impossivel dizer de inicio se a coisa particular 
que se oferece b observa<do e se presto a 
ser transmitida tenha ou ndo o valor de &quot;fato&quot;. 
Por isso a ci&ncia deve fazer como Goethe am 
idade avan~ada: armazenar, acumular tudo 
aquilo de que se pode apoderar, alegre por 
ndo descurar nada daquilo que poderia ser-lhe 
ljtil um dia, e da confianp de que o trabalho 
das gera~6es futuras, ndo sendo prejudicado 
pelas circunstbncias externas da tronsmissdo, 
como um grande crivo conservara o utilizdvel e 
deixar6 cair o inutil. 
Por outro lado, porbrn, as ci&ncias idio- 
grdficas t&m necessidade a coda passo das 
proposiq3es gerais que apenas as disciplinas 
nomot&ticas podern lhes dar em uma forma 
absolutamente correta. Toda explica@o causal 
de um evento historico qualquer prsssupae 
necessariarnente idhias gerais sobre o curso 
do real, e quando se querem aduzir provas 
historicas em forma puramenta logica se p6em 
sempre corno suas premissas supremas as leis 
naturais do acontecer, e principalmente do 
acontecer espiritual. Quem ndo tivesse a mini- 
ma idha de como os homens pensam, sentem 
e querem, faliria ndo apenas no tentativa de 
reunir juntos os diversos acontecimentos para 
conhecer a vicissitude complexiva, mas ja na 
tentativa de estabelecer criticamente os fatos 
particulares. Sem duvida, 6 muito estranho como 
sdo no fundo d&beis as premissas psicologicas 
do ci&ncia historica. Corno se sabe, as leis da 
vida espiritual foram formuladas at& agora com 
extrema imperfei~do, mas isso jamais criou 
obst6culos para as historiadores: gra-ps 00 
seu conhecimento natural dos homens, b sua 
sensibilidade e por intui~do eles souberam 
captar frequentemente no sinal, e compreender 
em profundidade seus herois e as a$% por 
eles realizadas. 
W. Windelband, 
Prelljdio. 
Rprsndizado gsnsrolizcmts 
e aprendizado 
individualizants 
R Iogico do ci&ncio historica nos imp& 
distinguir: 
- entrs aprendizado gensralizante (por 
rnsio do quo1 chsgornos o olhor os objstos do 
rnundo sob as cotsgorios do idsntidads s do 
rspatig60, orticulando ossim &quot;a multiplicidads 
s o policrornio do rmlidods&quot;, s tornondo dss- 
sa modo possi'vsl nalo nos orisntorrnos); 
- s aprendizado individualizante (qus 
lava oo conhecirnento do individuolidods ds 
um objsto; to1 conhscimento, todovia, ndo t 
copia do objsto, no santido ds conhscimento 
ds &quot;todo o multiplicidods ds ssu contsljdo&quot;, 
mos 0 sscolho ds &quot;um conjunto de elsmantos 
que, nsssa composig60 particular, psrtsncs 
apsnas bquels ljnico objsto dstsrrninodo&quot;). 
Se dessas determina$ks gerais da tarefa 
de uma Iogica das ci&ncias particulares nos 
voltamos para os conceitos fundamsntais que 
a Iogica da ci&ncia historica deve desenvolver 
da modo particular, serd necessdrio em primeiro 
lugar trazer b consci&ncia a m6xima antitese for- 
mal presents em nossa concep<do da realidade 
empirica, ou seja, perguntar o que significa 
logicamente essa antitese e indicar quo1 termo 
da antitese 0 determinants para a repressnta- 
560 historica da realidade. Qua haja dois tipos 
substancialmente diversos de aprendizado da 
realidade, pode-se talvez compreender de 
mod0 melhor olhando os conhecimentos pr&- 
cientificos que possuimos de uma parte mais 
ou menos grande do mundo. Seria ilusorio crer 
tar aqui uma copia da realidade tal qua1 sla 6. 
Rntes qua a ci&ncia se disponha a seu trabalho 
j6 surgiu sempre algurna esphcie de elabo- 
Capitdo terceiro - 0 historicismo alem~o, de Wilhelm Dilthey a Meinecke 
rqdo conceltual, e a cl&ncla encontra corno 
rnater~al propno os produtos dessa slaboro~60 
concsitual prt-cmtihca, ndo a realldads Ilvre 
de 1nterprstaq3x R m6x1rna d~st~n<do formal 
nessa elaboragdo conce~tual pr0-c~entihca 0, 
porbm, a segurnte A rnalor parte das colsas e 
dos eventos nos Interessa apanas por aqudo 
qua t$rn ern cornum com outros e, portanto, 
darnos a atens60 a esse elernanto cornurn, 
rnesmo que de Fato toda parte do reahdade 
seja rndw~dualrnente dlferente de toda outra, 
e nada no rnundo sa repete exatarnente Uma 
vez que a ~nd~v~dualrdade do rnalor parte dos 
objetos nos 0 totalrnente rndlferente, nos ndo 
a conhecernos, para nos esses objetos nbo 
sdo mas que exernplares de urn conce~to de 
g8ner0, que podsrn ser subst~tuidos por outros 
exernplares do rnesrno conce~to rnesrno que 
nunca sejarn ~d&nt~cos, nos os vemos corno ta~s 
e, portanto, os des~gnarnos apenas corn nornes 
ds gQnero Esta dellrn~ta@o, conhec~da de 
todos, do ~ntsresse por aqu~lo que 0 geral (no 
sentdo daqudo qua 6 cornum a um grupo de ob- 
jetos) , ou aprmdmdo gsneral~zante, sobre cuja 
base constdsrarnas erradarnenta que no rnundo 
exlste algo corno a ~dsnt~dade e a repetl(60. 
& para n6s ao rnesrno tempo de grands valor 
prdt~co Ele art~cula de urn mod0 deterrnlnado 
a rnultlpl~c~dade e a polrcrorn~a da real~dade, 
e nos torna possivel nela nos orlentarrnos 
Por outro lado o aprendmdo generah- 
zante nZlo esgota de nenhurn rnodo aqudo qua 
nos Interessa em nosso arnb~ente e, portanto, 
aqu~lo que dele conhecsrnos Este ou aquele 
objeto 6 mas tomado em cons~dera~do justa- 
mente por aqudo que Ihe & peculrar, e que o 
d~st~ngue de todos os outros objetos Nosso 
lnteresse e nosso conhec~mento se refsrern, 
portanto, justarnente b sua lnd~v~duahdade, 
bqu~lo que o torna ~nsubst~tuivel, e rnasrno que 
sa~barnos que el@ ss daxa captor, corno os 
outros abjatos, corno exemplar de urn concelto 
de ~Qnero, todav~a ndo querernos cons~derd-lo 
rd&nt~co a outras colsas, mas querernos extrai- 
lo expressarnente da seu grupo, lsso encontra 
sua expressdo I~nguistrca na desrgna<do corn 
urn norns propno em vez de urn substant~vo da 
ghnero Tamb&m esta tpo de art1cula<60, ou 
aprsndmdo ~ndividual~zants da real~dada, 0 
tdo corrente que ndo requar urna an6l1se pos- 
ter~or Mas uma cam & lrnportante e deve ssr 
salrentada. o conheclrnento da ~nd~v~dual~dads 
de urn objsto ndo const~tul de mod0 nenhurn 
urna copla no ssnt~do de que conhecernos toda 
a rnult~plrc~dada da seu conteljdo, mas tamb&m 
aqul se realm um cornplexo de elernentos que, 
nesta part~cular compos~~do, pertence apanas 
hquele ljn~co objeto determ~nado. Devemos, 
portanto, distinguir a individualidade que diz 
rsspeito a qualquer coisa ou evento - cujo 
conteljdo coincide corn sua realidads, e cujo 
conhecirnento ndo pode ser alcan<ado