história da filosofia - volume 6 (giovanni reale - dario antiseri)

história da filosofia - volume 6 (giovanni reale - dario antiseri)


DisciplinaPsicologia Social7.351 materiais214.605 seguidores
Pré-visualização50 páginas
nern 
rnerece sar objeto de aspira<do - da individua- 
lidode para nos significativa, s que consiste em 
elernentos deterrninados; e devernos ter claro 
que essa individualidade ern senso estrito (a 
ljnica a que de costume se alude) ndo constitui 
urna realidade, corno o conceit0 ds g&nero, mas 
6 apenas urn produto de nosso aprendizado 
da realidade, de nossa elaboragdo conceitual 
H. Rickert, 
R 16gica da ci6ncia hist6rico. 
0 &quot;terceiro reino&quot; 
dos produtos culturais 
Todos os conteljdos religiosos e juridicos, 
cientificos ou tradicionais, Qticos ou artisticos 
existem. S6o &quot;sspirito objetivo&quot; e determinam 
&quot;toda a evolu~60 hist6rica da humanidade&quot;. 
Na historia do g&nero hurnano foi de- 
senvolvida urna longa s6rie da cria~bes qua, 
surgidas pela gsnialidade ou pelo trabalho 
psicolo~ico subjetivo, adquirern uma tipica e 
objetiva exist&ncia espiritual, acirna das cons- 
cikncias particulares que originariarnente as 
produzirarn e qua novarnente as reproduzern. 
A astas criasbes pertencern as proposi<bes do 
direito, as prescri~bes rnorais, as tradi~bes em 
todos os carnpos, a lingua, as produq3es da 
arte e da ci&ncia, a religibo. Sern dljvida, elas 
encontrarn-se ligadas a algurna forrna exterior, 
b palavra ou d escritura, a dodos dos santidos 
ou do sentimento. Mas esta base material ou 
pessoal ndo esgota, ern sua condicionalidade 
temporal, a objetividade dos fatos sspirituais 
e a forrna particular de sua sxistQncia. 0 es- 
pirito que est6 incorporado ern um livro est6 
sern dljvida nele, pois dele pode ser extraido; 
tambbrn pode estar apenas enqunnto tal livro 
acolhe em si o espirito do autor, o conteljdo de 
seus procsssos psiquicos. Mas o autor morreu, 
seu espirito ndo poda subsistir como process0 
psiqu~co orrg1n6r10, mas apsnas para o Is~tor, 
cup dm8mrca asplrrtual, a partrr de tragos e 
slnals sobre o papal, reconstr61 o espir~to 
TaI processo, porbm, tem como cond~gdo a 
exlst&nc~a do l~vro e, de um modo totalmenta 
drverso e mas ~medrato do que ale ndo tenha, 
o fato de que o suje~to que reproduz resplro s 
sabe Ier 0 conteirdo, ao qua1 o letor da am 
SI a forma de processo VIVO, esta no lwro da 
modo objetivo, s o lator o &quot;apreende&quot;. Mas, se 
tambQm ele ndo o apreende, o l~vro ndo perde 
esse conteljdo, e sua verdade ou fals~dade, 
sua nobreza ou vulgandads ndo dependem 
ev~dentemente do fato ds que o s~gnlhca- 
do do hvro tenha s~do recrlado em espir~tos 
subjet~vos com malor ou menor frequ&ncm e 
compreensdo Uma forma lgual de exrst&nc~a 
t&m todos os conteirdos rel~grosos ou juridlcos, 
clentif~cos ou trad~c~ona~s, Qt~cos ou artist~cos 
Eles afloram h~stor~camente e sdo, ao longo da 
h~stor~a, vez por outra reproduz~dos, mas, entre 
estas duas reallzagdes psiqulcas, ales t&m uma 
ex~st&nc~a de forma dlversa, mostrando asslm 
qua, tambQm nessas formas subjetrvas de rea- 
Ildade, subslstem como 0190 que nalas ndo 
ss esgota e & por SI mesmo s~gn~f~catwo, sern 
dirv~da, como espir~to que, enquanto espirlto 
objetlvo, cujo s~gnrf~cado concreto parmanscs 
rntacto aclma de sua vltal~dade subjetlva nesta 
ou naquela consc~&nc~a, ndo tam realmente 
nada a fazer com seus pontos de apolo sen- 
sivers Esta categor~a que perm~te conservar o 
supermaterlal no materlal e o supersubjst~vo no 
subjet~vo determlna todo a evolugbo hlstor~ca 
do human~dade, este espir~to objatlvo permlte 
qua o trabalho da humanldade conserve seus 
resultados aclma das pessoas lnd~vldua~s e das 
reprodugdes lndlv~dua~s [ ] 
Ievanta(-ss), sobre as reahdades opos- 
tas do mundo, sujeto e objeto, um relno de 
contecjdos ldea~s, que ndo Q nern subjetlvo nern 
objet~vo Esses contsljdos t&m valor e s19nlf1- 
cado apenas em SI e por SI, mas, justamente 
por ISSO, podem formar como que a mat6rra 
comum que entra, de um lado, na forma do 
subjet~vrdade e, do outro, na da objetw~dade, 
e asslm madela a relagdo entre os dors e re- 
presents sua unldade Poder-se-10, portanto. 
lndrcar essa teorra como a do &quot;terce~ro remo&quot;. 
em que entra aqu~lo que expus, tragando as 
Imhas essenclals do pensamento hegallano, 
sobre a doutrlna do esphto objetlvo 0 que 
~mporta 6, ds um lado, o pensamento qua, no 
conhec~mento, ndo 56 se realm em nos um 
processo ps~cologrco, e 6 exper~mentado lnte- 
rlormenta um estado de conscl&nc~a, mas esse 
processo e essa conscr&nc~a t&m um conteljdo 
que vale tambQm ~ndepandentamente ds sua 
propria manifestagdo. 0 conteudo do pensa- 
mento 0 verdadeiro, tanto se ele for ou ndo 
pensado, como na centralidade de ser falso, 
se ale for ou ndo pensado. A isso corresponds, 
do outro lado, o principio essential, ou seja, 
que esse conteljdo ndo i: de modo nenhum a 
copia naturalists do objeto, pel0 qus sle vale. 
0 pensamento idealisto da discrep8ncia entre 
a representagdo e o ser em si da coisa perma- 
nece aqui fora de discussdo: qua os objetos 
ndo possam passar em nossa conscidncia pode 
ser exato, mas, para o ponto dsvista presenter 
o problema & a priori outro. Pois aqui urna re- 
alidade que ndo Q imediatamente constat6vel 
como dado dos sentidos, nern pode ser com- 
preendido em seu ser por nenhum processo de 
pensamento, & oposta ao conhecer, o qual, por 
sua vez, ndo a reproduz como uma copia de 
gesso reproduz o original, mas se movimenta 
em formas absolutamente diferentes, vive por 
assim dizer uma vida diferente em relagdo b da 
real idade. 0 ser real dos elementos quimicos 
coexistentes sern relagdes reciprocas nada tem 
a ver com a lei das proporgbes mljltiplas ou 
com o sistema de Mendeleieff; os movimentos 
das estrelas ndo cont&m absolutamente nada 
do lei d~ gravitagdo. Essas formulas, alias, 
transportam na realidade uma lingua que ndo 
encontra nela correspond&ncia nern sequer de 
uma voz. Portanto, se aquele terceiro reino 
do qua1 as &quot;leis naturais&quot; podem servir como 
o exemplo mais simples, ou talvez como o 
simbolo, 0 sern dirvida distinto do processo 
represantativo que o traduz na Forma da psiqui- 
dade, ele 6 tambbm distinto das subst6ncias e 
dos movimentos que o traduzem na forma da 
realidade. Para o surcjmento do polaridads 
de sujeito a ds objeto, o ser divide-se em dois 
reinos, cujas qualidades ou fung6ss sdo sern 
dljvida incompar6vsis. Sua relagdo, porQm, que 
chamamos de conhecimanto, torna-se possivel 
porque realiza-se no forma de um como do 
outro o mesmo conteudo, o qual, em si s por 
si, transcends essa oposigdo. Tal concepgdo da 
unidade de sujeito s de objeto 6 , em seu prin- 
cipio, muito diferents da spinoziana, segundo 
a qua1 os dois termos, por seu proprio ser, se 
perdem na unidade do subst8ncia absoluta, 
exprimindo apenas as duas formas em que 
se realiza sun real sxist&ncia metafisica. Rqui, 
ao contrario, sujeito e objeto permanecem em 
sua ess&ncia tambQm mais saparados, mas o 
cosmo ideal dos contecjdos que se realizam sob 
uma ou sob a outra destas categorias, sdifica, 
sobre a diferenciagdo destes sistemas reais, 
a unidads daquilo que justamente nelss se 
realiza, e assegura assim a possibilidade da 
verdada A descoberta deste terceiro reino, 
Capitdo terceiro - O historicismo alem&o, de Wilhelm Dilthey a Meinecke 
embora confusamente formulada s privada de 
fundamento gnosiologico, b a grande obra de 
Platdo, qus em sua teoria das idbias exp6s 
uma das solu<bss tipicas do problema sujeito- 
objeto. 
G. Simmsl, 
0s problemas Fundamentois do hlosofio. 
Distin@o entre civilizag6o 
e cultura 
- 
R Z~v~l~sat~on (civiliza<do) O a reorga- 
nizagdo do noturaza afetuado por urn inte- 
lecto (corn suas lnvan~dss) &quot;irnpalido pala 
vontada de viclo, orientado para o irtil&quot; R 
Kultur (cultura) ss tern onde o hornern &quot;cria 
ou procura algurno com de born e de belo 
por si rn@srno, ou ~ n t d o procura o verdodeiro 
por si rnasrno&quot;. 
Nos distinguimos, com Troeltsch, dos 
valores de vida inferiores, puramente animais, 
que para o historiador