história da filosofia - volume 6 (giovanni reale - dario antiseri)

história da filosofia - volume 6 (giovanni reale - dario antiseri)


DisciplinaPsicologia Social8.898 materiais228.830 seguidores
Pré-visualização50 páginas
"aquilo que deve ser". 
e juizos de valor; E em base a tal distinqao ele toma posiqao sobre o problema 
a "avaliabilidade" da avaliabilidade nas ci@ncias sociais. E uma tomada de posiqao 
das ci@ncias que, dentro de seu trabalho, assume dois significados: historico- 
sociais - um significado-epistemoIogico, que consiste na liberdade 
+ § 5 da ciencia em relaq%o a avaliaqdes etico-politicas e religiosas; 
- e outro significado etico-pedagogico, que consiste na defesa 
da ciencia em relaqBo As incursdes dos assim chamados "socialistas 
de cdtedra", que subordinavam a catedra a ideais politicos, a verdade 21 politica. 
N8o C a ciencia que devera dizer-nos o que devemos fazer. 0 medico podera cuidar 
de n6s e tambem curar-nos; mas nao Ihe cabe, enquanto medico, estabelecer se 
vale ou n%o vale a pena viver. 
De 1904-1905 e A etica protestante e o espirito do capitalismo. 0 proble- 
ma da predestinaqao e grande problema para os calvinistas. Estes viram o sinal 
da certeza da salvaq%o no sucesso mundano em sua profiss%o, 
Quando urna sobretudo no sucesso econbmico. 
concep@o Para vencer a anglistia da predestinaqZio, o individuo e, 
religiosa portanto, impelido a trabalhar, ao sucesso e - portanto - a eco- 
produz nomizar o tempo e a racionalizar os metodos de trabalho. A etica 
urn fendmeno protestante, alem disso, impde ao crente praticar uma conduta 
econdrnico 
+ § 6 
ascetica, n%o dissipar o lucro, mas reinvesti-lo. Estamos, assim, 
dentro do espirito do capitalismo. 
Eis, ent%o, invertida a tese do materialismo historico de Marx, segundo o 
qua1 seria a estrutura econbmica o fator determinante da superestrutura das ideias. 
Weber desdogmatiza a posiqao de Marx, mostrando sua injustificada unilatera- 
l idade. Ele - no ensaio A objetividade "cognoscitiva " da ci6ncia 
Weber inverte social e da politica social (1 904) - distingue entre: 
a tese 
- fendmenos econdmicos verdadeiros e proprios (um banco, 
do rnaterialis~o por exemplo); 
historic0 
- fendmenos economicamente importantes (por exemplo, 
+ § 7 os processos da vida religiosa); 
Capitulo quarto - Max Weber e a s ci&cius hist6rico-sociuis 5 7 
- e fendmenos condicionados economicamente (por exemplo, os fenbmenos 
artisticos). 
A concep@o marxista a respeito da relar;%o unidirecional da estrutura eco- 
nbmica que determinaria o mundo das ideias, a superestrutura, e uma teoria que 
- escreve Weber - "sobrevive hoje apenas nas cabecas carentes de compethcias 
cientificas e de diletantes". 
e 
0 mundo, assim como Weber o ve, e um mundo desen- Razao, ciPncja 
cantado: nao e precis0 mais agradar os espiritos para resolver tgtnica 
os problemas; bastam raz%o e meios tecnicos. Isso, mesmo que "desencantam 
seja necessario admitir que a propria ciCncia funda-se sobre uma o mundo" 
escolha irracional da razao. Mas, em todo caso, Weber e da opi- + § 8 
niao que a decisao por uma fe religiosa equivaleria, neste nosso 
mundo desencantado, ao "sacrificio do intelecto". 
Vida e obras 
Max Weber nasceu em Erfurt, em 21 
de abril de 1864. Por meio do pai, que foi 
deputado do Partido Nacional Liberal, We- 
ber teve oportunidade de entrar bem cedo 
em contato com ilustres historiadores, filo- 
sofos e juristas da Cpoca. Estudou histbria, 
economia e direito nas universidades de 
Heidelberg e Berlim. Laureou-se em Got- 
tingen, em 1889, com uma tese de hist6ria 
econi3mica sobre a Histdria das sociedades 
comerciais na Idade Me'dia. 
Em 1892 conseguiu a livre-docencia 
com A hist6ria agraria romana e m seu sig- 
nificado para o direito pziblico e privado. 
Em 1894 tornou-se professor de economia 
politica na Universidade de Friburgo. Em 
1896 passou a ensinar em Heildelberg. 
De 1897 a 1903 sua atividade cientifi- 
ca e didAtica ficou bloqueada por causa de 
grave doenqa nervosa. Nesse meio tempo, 
em 1902, juntamente com Werner Som- 
bart, tornara-se co-diretor da prestigiosa 
revista "Archiv fiir Sozialwissenschaft und 
Sozialpolitik" ("Arquivo de ciCncia social e 
de politica social"). Em 1904 realizou uma 
viagem aos Estados Unidos. 
Durante a Primeira Guerra Mundial, 
defendeu as "raz6es ideais" da "guerra ale- 
ma" e prestou serviqo como diretor de um 
hospital militar. Acompanhou com preocu- 
paqio angustiada a ruina moral e cultural da 
Alemanha, jogada pelo imperador e por seus 
ministros no beco sem saida da pura politica 
de poder. Depois da guerra participou da 
redaqio da Constituiqao da Republica de 
Weimar. Morreu em Munique, para onde 
fora chamado, a fim de ensinar economia 
politica, em 14 de junho de 1920. 
A obra de Max Weber, complexa e 
profunda, constitui um monument0 da 
compreensiio dos fenhmenos historicos e 
sociais e, ao mesmo tempo, da reflex50 sobre 
o mCtodo das ciencias historico-sociais. 0 s 
trabalhos de Weber podem ser classificados 
em quatro grupos: 
1) Estudos hist6ricos: 
a ) Sobre as sociedades mercantis da 
Idade Me'dia (1889); 
b) Histdria anraria romana e m seu 
significado para o Areito pziblico e privado 
(1891): 
, , 
c) As cond i~oes dos camponeses na 
Alemanha oriental d o Elba (1892): 
2) Estudos de sociologia da religiio: 
a) A e'tica protestante e o espirito d o 
capitalismo (1904-1905); 
b) Escritos de sociologia da religiiio (3 
vols., 1920-1921). 
3) Tratado de sociologia geral: Econo- 
mia e sociedade (1922). 
4) Escritos de metodologia das ciencias 
historico-sociais: 
a) A "objetividade" cognoscitiva da 
ciincia social e da politica social (1904); 
b) Estudos criticos acerca da ldgica das 
ciBncias sociais (1 906); 
c) Algumas categorias da sociologia 
abrangente (1913); 
d) 0 significado da "avaliabilidade " 
das ciBncias sociologicas e econdmicas 
(1917); 
e) 0 trabalho intelectual como profis- 
siio (1919). 
58 Primeira parte - A ~ ~ I O S O ~ I ~ do S&C& XJ)( S&CMIO )o< 
Historiador, sociologo, economista e 
politico, Weber trata dos problemas meto- 
dologicos com a consciincia das dificuldades 
que emergem do trabalho efetivo do histo- 
riador e do sociologo, mas principalmente 
com a competincia do historiador, do soci6- 
logo e do economista. 
f\ q~es f2 ;o 
da &quot;veferZncia aos valoves&quot; 
Para Weber temos uma &quot;s6&quot; ciincia 
porque C &quot;unico&quot; o crite'rio de cientificida- 
de das diversas cihcias: tanto nas ciincias 
naturais como nas ciincias historico-sociais, 
temos conhecimento cientifico quando con- 
seguimos produzir explica~8es causais. 
Entretanto, niio C dificil ver que toda 
explicag50 causal C somente uma visZo frag- 
mentaria e parcial da realidade investigada 
(por exemplo, as causas econdmicas da 
Primeira Guerra Mundial). E como, alCm 
disso, a realidade C infinita, tanto extensiva 
como intensivamente, C obvio que a regres- 
siio causal deveria ir at6 o infinito: para o 
conhecimento exaustivo do objeto, os efeitos 
seriam estabelecidos &quot;desde a eternidade&quot;. 
Todavia, nos nos contentamos com cer- 
tos aspectos do devir, estudamos fen6menos 
precisos e niio todos os fen6menos, em suma 
realizamos uma selegZo, tanto dos fen6me- 
Max Weber (1 864-1 920) foi socidogo, economista e tecirico do mdtodo das ciincias histcirico-sociais. 
Nesta fotografia de 191 9 uemo-lo com barba e chapdu, 
enquanto discute com o dramaturgo e pacifists comunista Ernst Toller. 
Capituio quarto - M a x Weber e as cigficias histbrico-sociais 
nos a estudar como dos pontos de vista a 
partir dos quais os estudamos e, consequen- 
temente, das causas de tais fen6menos. Niio 
pode haver duvidas sobre tudo isso. 
Mas como se realiza, ou melhor, como 
funciona essa sele@o? Com urna expressiio 
tomada de Rickert, Weber responde a essa 
pergunta dizendo que a sele@o se realiza 
tendo como referBncia os valores. 
E aqui 6 precis0 que nos entendamos 
com muita clareza. Antes de mais nada, 
a referfncia aos valores ( Wertbeziehung)