história da filosofia - volume 6 (giovanni reale - dario antiseri)

história da filosofia - volume 6 (giovanni reale - dario antiseri)


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para a 
mulher e para o Fsirante, o filho e o concorrente, 
o amigo e o advers6rio? Para as exig&ncias da 
Btica em rela$do a politica seria de fato tdo 
indiferente o fato de qus esta opsra com um 
meio bem especifico romo o poder, por trds 
do quai esconcls-se a violbncia? Ndo vemos 
talvez qus os ide6logos bolchevistas, justa- 
mente snquanto aplicam h politica este meio, 
chegam sxatamente aos mesmos resultados de 
um ditador militar qualquer? Em qua, a n6o ser 
justamante no pessoa ds qusm dstBm o poder 
s em seu dilstantismo, o dominio dos conselhos 
dos operdrios e dos soldados se distingue do 
de um senhor absoluto do antigo regime? E em 
qua ss distingue a pol&mica de qucllquer outro 
demagog0 daquela que contra seus advers6rios 
desencadsiam a maior parte dos representan- 
tss da presumida nova Btica? \u20aclo se distingue 
pela nobreza da inten~do! Rssim se responds. 
Ram. Mas aqui fala-se dos meios, e quanto d 
nobreza dos fins ultimos, tambBm os odiados 
advsrs6rios pretendem t&-la de seu lado s, 
subjetivamente, em perfeita boa-fB. "Quem com 
a espada fere, pela espada persce", e a luta 6 
sampre luta. E a Btica do Sermdo do. Montanha? 
Em relacdo a esta - s antendemos com ela a 
Btica absoluta do Evangelho - a coisa li: mais 
sBria do qus crbem aqueles que hoje citam 
com prazer seus preceitos. N6o 6 brincadeira. 
Vale para ela aquilo que foi dito a proposit0 
da causalidade na cihncia: n6o 6 uma carrua- 
gem de prqa de que se possa dispor para 
neb montar ou dsla descer ao bel-prazer. Ao 
contrdrio, sau significado 6 ou tudo ou nada, se 
dela se quiser tirar algo a mais do que simples 
banalidades. Assim, por axemplo, a par~bola 
do jovem rico, "o qua1 se afastou tristemente, 
Primeira parte - A filosofia do S&CMIO )<JX a0 S&CM~O F)< 
porque possuia muitas riquezas&quot;. 0 preceito 
evang&lico & incondicionado e preciso: entrega 
aquilo que possuis, tudo, absolutamente. 0 
politico obssrvar6: &quot;Uma pretensdo socialmente 
absurda, enquanto ndo for atuada por todos&quot;. 
E, portanto, taxagbes, expropriagbes, confiscos, 
em uma palavra, ordens e coergdes para todos. 
Mas a lei moral ndo exige nada de tudo isso, e 
nisso reside sua ess&ncia. Ou entdo, tomemos a 
ordem: &quot;D6 a outra face&quot;: incondicionadaments. 
sem perguntar qua1 direito tem o outro de bater. 
Uma &tic0 da falta de dignidade, a menos qua 
se trata de um santo. Este 6 o fato: & preciso 
ser um santo em tudo, ao menos na intengdo; 
8 preciso viver como Jesus, como os apostolos, 
como sdo Francisco e seus confrades, s ape- 
nos entdo essa Qtica tam um sentido e uma 
dignidade. De outra forma, ndo. Com sfeito, 
onds, como consequ&ncia do &tic0 do amor, se 
ordena: &quot;Ndo resistir ao ma1 com a viol&ncia&quot;, 
o preceito que vale vice-versa para o politico 
& o seguinte: &quot;Deves resistir 00 ma1 com a vio- 
I&ncia, de outro mod0 ser6s respons6vel se ele 
prevalece&quot;. Quem quiser agir segundo a &tic0 
do Evangelho, abstenha-se das greves - pois 
elas constituem uma coergdo - s se inscreva 
nos sindicatos pelegos. Mas, principalments, 
ndo fale de &quot;revolugdo&quot;, uma vez qua essa Btica 
ndo snsinar6 sem duvida que seja exatamente 
a guerra civil a unica guerra legitima. 0 pacifists 
qua age segundo o Evangelho recusar6 pegar 
em armas ou entdo as jogar6 fora, como era 
recomsndado na Alemanha, considerando isso 
um dever moral, com o objetivo de p6r fim 2.1 
guarra s com isso a toda guerra. [...I E finalmen- 
te: o dever da verdade. Para a &tica absoluta 
trata-se de um dever incondicionado. [ . . . I R 
8tica absoluta ndo se preocupa com as con- 
sequ&ncias. Este & o ponto dscisivo. Devsmos 
perceber claramente que todo agir orientado 
em sentido Btico pode oscilar antre duos m6xi- 
mas radicalmente diversas e inconciliavelmente 
opostas, ou seja, pods ser orientado segundo 
a &quot;&tica da convicgdo&quot; [gesinnungsethisch], ou 
entdo segundo a &quot;&tica da responsabilidade&quot; 
[v~r~ntwortungsethisch]. Ndo qua a &tic0 da 
convicgdo coincida com a falta de responsa- 
bilidade e a 6 t h da responsabilidade com 
a falta de convicgdo. Ndo se quer certamente 
dizer isso. Mas h6 uma diferenga intransponi- 
vel entre o agir segundo a maxima da &tic0 
do convicgdo, a qua1 - em termos religiosos 
- soa: &quot;0 cristdo age como justo e entrega o 
resultado nos mdos de Deus&quot;, e agir segundo a 
m6xima da &tic0 da responsabilidade, segur7d0 
a qua1 8 precis0 responder palas consequ&ncias 
(previsiveis) dos proprias agbes. R um convicto 
sindicalista que se regule conforms a Btica do 
convicgdo podereis expor com a m6xima forga 
de persuasdo que sua agdo ter6 como conse- 
qu&ncia aumentar as ssperangas da reagdo, 
agravar a oprsssdo de sua classe e impedir 
sua ascensdo: isso ndo o deixarb minimamente 
impressionado. Se as consequ&ncias de uma 
agdo determinada por uma convicgdo pura sdo 
mas, delas ser6 responsdvel, segundo este, 
ndo o agente, e sim o mundo ou a estupidsz de 
outrcsm, ou a vontade divina que os criou tais. 
Quem, ao contrClrio, raciocina segundo a Btica 
da responsabilidade leva justamente em conta 
os defeitos presentes na mBdia dos homens; 
ele ndo tsm nenhum direito - como justamente 
disse Fichte - de neles pressupor bondads e 
perfeigdo, ndo sente-se autorizado a atribuir a 
outros as consequ&ncias de sua propria agdo, 
at& onds podia prev&-la. Este dir6: &quot;estas con- 
ssqu&ncias serdo imputadas ao que eu fiz&quot;. 0 
homem moral segundo a dtica.da convicgdo se 
sent@ &quot;respons6vel&quot; apsnas quanto ao dsver 
de manter acesa a chama da convicgdo pura, 
por exemplo, a do protest0 contra a 4njustiga 
da ordem social. Reaviv6-la continuamente, & 
este o objetivo de suas agbes absolutam.ente 
irracionais - julgando por seu possivsl resultado 
-, as quais podem a devem tsr um v~ lo r apenas 
de exemplo. 
Todavia, nem ssquer cok isso o probldma 
esgota-se. Nenhuma Btica do mundo pode pres- 
cindir do fato de que o alcance d9 fins &quot;bons&quot; 
& o mais das vezes acompanhado palo uso de 
meios suspeitos ou pelo menos perigosos, a 
psla possibilidade ou tambhm psla probabi- 
lidade do concurso de outras conssqu&ncias 
m6s, e nenhuma Btica pode daterminor quando 
e em qus medida o objetivo moralmente bom 
'>ustifica&quot; os meios s as outras consequ&ncias 
igualmente perigosas. [...I Aqui, sobre este 
problema da justificagdo dos meios mediante 
o fim, tambbm a Btica da convicgdo em geral 
parece dsstinada a falir. E, com efaito, @la ndo 
tam logicamente outro caminho a ndo ser o de 
recusar toda agdo que opere com meios perigo- 
sos do ponto de vista &tico. logicamente. Sem 
duvida, no mundo da realidads fazemos conti- 
nuamente a experi&ncia que o fautor da Btica 
da convicgdo transforma-se repentinamente no 
profeta milenarista, s que, por exemplo, aque- 
Iss que pouco antes prsgaram opor &quot;o amor b 
forga&quot;, um instants depois apelam b forga, b 
forga cjltima, a qua1 deveria Ievar b aboligdo de 
toda forga possivsl, assim como nossos chafes 
militares a cada nova ofensiva diziam aos sol- 
dados: &quot;Esta & a tjltima, nos levor6 b vitoria e, 
portanto, b paz&quot;. 
M. Ulabar, 
0 trobolho intdsctual como profiss80. 
Capitulo quarto - M a x Weber e as cidhcias histbrico-sociais 
Possibilida de objetivo 
19 id&io de 'possibilidada objetiva&quot; & 
urn instrumento heuristico, um expediente 
de pesquiso, apt0 a descobrir a &quot;cousogdo 
odequach&quot; de urn evento. 
0 rnaconismo Funciono assirn: do cons- 
telo@o dos condigbes de urn evento tiro-se 
urno de tois condigbes e se estab~lece, 
portonto, 'Quo1 efeito &quot; se deveria esperor, 
ern base o &quot;regros de experi&?cia&quot;, perrno- 
necendo os outras condigbes. E desse rnodo 
que o cientisto sociol faz uso de &quot;expsrirnen- 
tos msntais &quot;. 
R teoria do assim chamada &quot;possibilida- 
de objetiva&quot;, de que pretandamos tratar aqui, 
ap6ia-se sobre os trabalhos do insigne fisiologo 
J. von Kries. Na metodologia das ciBncias sociais 
as no~des de von Kries foram at&