história da filosofia - volume 6 (giovanni reale - dario antiseri)

história da filosofia - volume 6 (giovanni reale - dario antiseri)


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agora adota- 
das apenas pala estatistico. Qua exotomente 
os juristas, e em primeiro lugar os criminalistas, 
tenham enfrentado o problema. & coisa natural, 
pois a quest60 da culpa penal, implicando o 
problema da dstermina~tio das circunstancias 
sob as quais pode-se afirmar que alguhm "cau- 
sou" por meio de seu agir certa conssqu&ncia 
extsrna, Q pura questdo de causalidads, e 
obviamente reveste a mesma estrutura logica 
da causolidade hist6rica. [...I 
Mas a imputa@o causal realiza-se na 
forma de um processo conceitual, qua implica 
uma s&rie de abstra~des. R primeira, e decisiva, 
6 justamente a que rsalizamos pensando uma 
ou algumas das componentes causais objetivas 
do processo mudadas em determinada diregio, 
e perguntando-nos se, nos condic;des assim 
mudadas do evento, seria "de se esperar" a 
mesma consqd&ncia (nos pontos "essenciais"), 
ou entBo qua1 outra. Tomemos um sxsmplo da 
pr6xis historiogr6fica de Eduard Meyer. Ningu&m 
como ele ilustrou pr6tica e claramante o "porta" 
historico-universal das guarras persas para o 
desenvolvimento cultural do Ocidente. Mas 
como aconteceu isto, considerado logicamente? 
Essencialmsnte enquanto foi desenvolvida a 
tese de que houve uma "dscis60" entre duos 
"possibilidades" - de um lado o desenvolvi- 
mento de uma cultura religiosa-teocr6tica. cujos 
principios residem nos mist6rios e nos or6culos, 
sob a &gide do- protetorado psrsa que em 
todo lugar utilizavo o mais possivel a religibo 
national, como entre os judsus, como rnsio da 
dominio, e do outro a vitoria do livre mundo 
espiritual helBnico, orientado para este mundo, 
o qua1 nos dsu os valores culturais de qua ainda 
hoje nos alimentamos; e que essa "decistio" 
aconteceu por meio de um combats de reduzi- 
das dimensdes como a "batalha" de Maratona 
que, por sua vez, reprssentou a indispens6vsl 
&quot;condi<6o preliminar&quot; do surgimento da frota 
ateniense e, portanto, do curso sucsssivo da 
luta psla liberdads, da salva@o da autonomia 
do cultura helBnica, do estimulo positivo levado 
ao inicio da sspecifica historiografia ocidental, 
do pleno d~senvolvim~nto do drama e de toda 
a singular vida espiritual que se desdobrou 
naquela tribuna - se medida apenas quantita- 
tivarnente - do historia universal. 
E que tal batalha tenha trazido consigo, 
ou tenha influenciado de modo esssncial a 
&quot;decisBo&quot; entra as &quot;possibilidades&quot;, & obvia- 
mente apenas o fundamento sobre o qua1 
nosso interesse historico - nos, que ntio somos 
atanienses - refere-se em geral a eta. Sem a 
avalia@o de tais &quot;possibilidades&quot; e dos insubs- 
tituiveis valores culturais que stio &quot;legados&quot;, 
como resulta de nossa an61ise retrospectiva. 
bquela decisbo, seria impossivel determinor o 
&quot;significado&quot;. [. . .] 
0 qus quer dizer, por&m, quando falamos 
de mais &quot;possibilidades&quot;? [.. .] 
Se considerarmos [...I de modo ainda mais 
precis0 estes &quot;juizos de possibilidade&quot; - isto &, 
as asssrq3es sobre aquilo que &quot;teria&quot; acontecido 
no caso de uma G X C ~ U S ~ O ou de uma mudanp 
do certas condic;bes - e se nos perguntarmos em 
primeiro lugar como n6s propriamente chegomos 
a ales, n6o poder6 restar nenhuma dljvida de 
clue se trata sem excs<des de procedimentos de 
isolamento a de qeneraliza<Bo; isso quer dizer 
qua decompomos o &quot;dado&quot; em &quot;elamentos&quot;, at8 
que coda um destes possa ser inserido em urna 
&quot;regra da experiBnciaU e se possa, portanto, 
estabslecer qua1 efeito se &quot;teria ssperado&quot;da 
parts de cada um deles, subsistindo os outros 
como &quot;condi~des&quot;, conforms uma regra da ex- 
peri&ncia. [. ..] 
0 &quot;sabsr&quot; sobre o qua1 fundamenta-se 
tal juizo para a justifica@o do &quot;significado&quot; da 
batalha de Maratona 6, ssgundo todas as con- 
siderapzs precedentes, da um lado um saber 
relativo a determinados &quot;fatos&quot; verific6veis em 
base as fontas, e pertinentes b &quot;situq60 hist6- 
rica&quot; (saber &quot;ontologico&quot;), do outro - conforme 
vimos - urn sabsr relativo a determinadas regras 
da experi&ncia j6 conhscidas, ern particular ao 
modo em que os homens costumam reagir a 
dadas situa@es (sabsr &quot;nornologico&quot;). [. . .] 
R considaro@o do significado causal de 
um fato histdrico come~ora em primeiro lugar 
I 
Prirneira parte - filosofia do SLCMIO XJ)< ao S ~ C U I O XX 
corn a seguints quest60 ss, exclu~ndo-o do 
complexo dos fatores consrderados corno 
condlcronantes, ou entdo mudando-o em da- 
terrnrnado sentdo, o curso dos acontec~mentos 
tena pod~do, em base a regras gerais da ex- 
per~&ncla, assurnlr uma direq6o de algum modo 
dlversarnente conf~gurada nos pontos dec~s~vos 
para o nosso Interesse Pols a nos rnteressa 
apenas o modo com que aqusles &quot;aspectos&quot; 
do fen8men0, que nos ~nteressam, sdo tocados 
por seus elernentos condrclonantes partlculares. 
E, certarnenta, se da te dellnearnento substan- 
cla~rnsnta negatlvo ndo se chega a urn corres- 
pondent~ &quot;juizo de poss~b~l~dade negativa&quot;, ou 
sqa, se ern base 6 s~tuagio de nosso saber, 
exclumdo ou mudando aquele fato, o curso da 
hrst6r1a devra &quot;ser esperado&quot; segundo as regras 
gerals do experl&ncla exatamente osslm corno 
se desanvolveu, em seus pontos &quot;h~stor~camente 
~mportantes&quot;, ou seja, Interessantes para nos, 
entdo aquele fato resulta causalrnente prlvado 
de s~gn~frcado, s n6o pertence, portanto, b 
cade~a que o regress0 causal da hlst6r1a quer, 
e deve, estabelecer [ ] 
Querernos, ern relag30 ao uso Iinguistico 
da teor~a da causal~dade juridlca estabelec~do 
dspols dos trabalhos de Krres, daslgnar estes 
casos de relac;do entre determlnados complexes 
de &quot;cond~<des&quot;, reun~dos ern unldade e consl- 
derados ~soladamenta pela anal~ss histor~ca e 
o &quot;efsito&quot; que se apresenta, corn o nome de 
causa@o &quot;adquado&quot; (dos elernentos do efato 
por parte daquelas cond~@es), e corno o faz 
tambbrn Meyer - o qual, porbm, n60 formula 
claramente o concslto -, falarnos de causa<do 
&quot;acldentol' ode , sobre os elementos do efeito, 
que caarn sob a consrdera~do historm, atuaram 
fatos que produzlram uma consequ&ncra que 
ndo era nests sentdo &quot;adaquada&quot; a urn corn- 
plexo de condl~des pensadas corno reunldas 
em unldade 
Para voltar, portanto, aos exemplos an- 
tes aduzrdos, o &quot;s~gn~hcado&quot; da batalha de 
Maratona deverla ser loglcarnente determlna- 
do, conforrne o parecer de Meyer, ndo tanto 
dlzendo que urna v~tor~a persa devla ter corno 
consqu&nc~a urn des~nvolv~mento totalrnente 
dlferente da cultura helhca e da mundlal -urn 
juizo desse tlpo serla s~mplesrnente ~rnpossivel 
- e slrn dlzendo que aquele desenvolv~rnento dl- 
ferente &quot;terla&quot; srdo a consequ&nc~a &quot;adequodo&quot; 
de tal aconteclrnento [.. ] Esta antitese jamals 
constltul dlferengas de causahdade &quot;objetlva&quot; 
do curso dos processes hrstor~cos e de suas 
relag3@s causars; trata-se, porbrn, srmplesmente 
do fato de que ~solamos abstratamente urna 
parte das &quot;condl<&s&quot; encontradas na &quot;rnatbr~a&quot; 
do acontecer e as tornarnos objeto de 'jukos 
da possibilidada&quot;, de modo a penetrar corn 
o auxilio de regras empiricas o &quot;significado&quot; 
causal dos slernantos singulares do acontecer. 
Para compreender as conexdes causais reais, 
construirnos irreais. 
Max Uleber, 
0 rnQtodo dcls ci&ncias hist6rico-culturais. 
II politico n6o combina 
com a c6tedra 
Afirrna-se - e eu assino isso - que a poli- 
t i c ~ n6o combina com a c6tedra. NZlo combina 
por parte dos estudantes. Eu deploro, por 
exsrnplo, que na sala de aula de meu antigo 
colqa Dietrich Schafer em Bsrlirn, os estudantes 
pacifistas se amontoassern ao redor da cdtedra 
e fizessern urn barulho parecido bquele que de- 
vem ter encenado os estudantes antipacifistas 
diante do professor Foerster, de cujas opinidss 
as rninhas divergem radicalmente em muitos 
pontos. Mas nem sequsr por parte dos mestres 
a politica cornbina corn a sala de aula. Mais 
ainda quando o mestre se ocupa de politica do 
ponto de vista cientifico. J6 qua a atitude politica 
na prdtica e a anblise cientifica