história da filosofia - volume 6 (giovanni reale - dario antiseri)

história da filosofia - volume 6 (giovanni reale - dario antiseri)


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podsrosa qua ss pudesse psnsar 
para a expansbo daquela concepgbo da vida. 
que dafinimos como "espirito do capitalismo". 
E sa ligarmos a limita@o do consumo com sste 
desancadeamento do esforgo dirigido ao ga- 
nho, o resultado exterior & evidente: forma~do 
do capital por meio de uma constrig60 aschtica 
6 poupanp. 0 s obstdculos qua ss opunham 
ao consumo daquilo que ss tinha adquirido 
dsviam aumentar seu amprego produtivo como 
capital de investimento. Naturalmente foge a 
uma exato determinagdo em cifras qua0 forte 
tenha sido esse efeito. Na Nova Inglaterra a 
liga(;do aparece tdo evidente, que naturalmente 
ndo fugiu ao olho de um historiador sxcelente 
como Doyle. Mas tambbm na Holanda, que 
foi dominada pelo calvinismo rigoroso apsnas 
por sate anos, a maior simplicidade da vida 
que dominava nos grupos religiosamsnte mais 
s&rios, ligada 6s enormss riquezas, Ievou a uma 
ansiedade excessiva de acumular capitais. 
M. Wsbsr. 
F) Btico prot@stont@ 
s o espirito do capitolismo. 
do mundo 
< destino de nossa hpoco, &quot;corn suo co- 
ractsrktica rocionaliza~~o s intelectuoliza@o, 
s sobretudo corn seu dessncantornento do 
rnundo&quot;, o de ser urna hpoco ssm Deus s 
sern profetas. E isso irnpbs a cada urn fozer 
corn corogern os proprios escolhos s seguir &quot;o 
dernbnio qus segura os Fios ds sua vido&quot;. 
Qus a ciencia hoje seja uma &quot;profissdo&quot; 
especiolizodo, posta a servi~o da consci&ncia 
de si e do conhecimanto de situac;des de fato, 
e ndo uma grqa de vision6rios e profetas, 
dispensadora de meios de salvac;do e de 
revela<des, ou um elemento do msditagbo de 
s6bios e fil6sofos sobre o significado do mundo, 
& certamente um dado de fato, insepar6vel de 
nossa situa@o historica, b qual, ss quisermos 
permanecer fi6is a n6s mesmos, n60 podemos 
escapar. E sa novamente surge em vos o Tolstoi 
qua pergunta: &quot;Se, portanto, ndo & a ciencia que 
o faz, quem responds entbo a pergunta: o qua 
devemos fazer? E como devemos regular nossa 
vida?&quot;, ou entdo, na linguagem qus h6 pouco 
usamos: &quot;A qua1 dos deuses em luta devemos 
servir? Ou talvez algum outro, s, nesse caso. 
quem?&quot;, & prsciso dizer que a rssposta cabs a 
um profeta ou a um redentor. Se este nbo se 
encontra entre nos, ou se o anljncio dele ndo 
& mais crido, sem dljvida nbo adiantar6 fa&-lo 
descer sobre esta terra em que milhares de 
professores tentem roubar-lhe o papel em suas 
aulas, como pequsnos profetas privilegiados 
ou pagos pelo Estado, lsso servird apenas 
para esconder toda a enorme import6ncia e o 
significado do fato decisivo, ou seja, qus o pro- 
feta, que tantos de nossa mais jovem gsragbo 
invocam, ndo sxiste. 0 interesse interior de um 
Prirneira parte - filosofia do S&MIO XJX a0 S&CMIO )<X 
homern de fato &quot;musical&quot; em sentido religioso 
nunca e jarnais estar6 satisfeito, creio, com o 
expediente pelo qua1 se procura esconder-lhe 
com um sucedBneo, como sdo todos estes 
falsos profetas na catedra, o fato fundamental 
de que o destino Ihe imp& viver em uma hpo- 
ca sem Deus e sem profetas. A sariedade de 
seu sentimento religioso deveria, parece-me, 
rebelar-se diante disso. Ora, sereis induzidos a 
perguntar: mas corno nos comportamos diante 
do fato da exist&ncia da &quot;teologia&quot; e de suas 
pretensdes a se apresentar como &quot;ci&ncia&quot;? Ndo 
nos atormentemos para encontrar uma respos- 
to. &quot;Teologia&quot; e &quot;dogmas&quot; sem dljvida ndo se 
encontram sempre e em todo lugar, mas nem 
sequer exclusivamente no cristianismo. Nos os 
encontramos (olhando para tr6s, no passado) 
em formas muito desenvolvidas tamb&rn no 
Isl6, no rnaniqueismo, no gnose, no orfismo, 
no parsismo, no budismo, nos seitas hindus, 
no taoismo, nos upanixades e, naturalrnente, 
tamb&m no judaismo. Como & natural, de- 
senvolverarn-se sistematicamente em medida 
bastante diversa. E n60 & por acaso que ndo so 
o cristianismo ocidental os tenha construido, ou 
tenda a construi-10s da modo mais sistem6tico 
- diversamente daquilo que a teologia 6 , por 
exemplo, para o judaismo - mas tambhm que 
SGU desenvolvimento tenha tido aqui um signi- 
ficado historic0 muitissimo mais importante. Este 
& um produto do espirito grego, do qua1 deriva 
toda a teologia do Ocidente, assim como (evi- 
dentementa) toda a teologia oriental deriva do 
pensamento indiano. Toda a taologia consiste 
no racionalizac;6o intelectual do patrimonium 
salutis. Nenhuma ci&ncia 0 absolutamente 
privada de pressupostos, e nenhuma pods 
estclbelecer o fundamento do proprio valor 
para quem rejeite tais pressupostos. Contudo, 
toda teologia introduz alguns pressupostos 
especificos relativamente b propria atividade e, 
portanto, b justificac60 da propria exist6ncia. Em 
v6rios sentidos e com diferente alcance. Para 
toda teologia, por exernplo, tamb&m para a 
induista, vige este pressuposto: o mundo deve 
ter um significado; e a quest60 a ser resolvida 
& a seguinte: como & precis0 interpret6-lo, para 
que isso possa ser pensado? De mod0 total- 
rnente semelhante b teoria do conhecimento 
de Kant, que partia do pressuposto de que h6 
um conhecimento cientifico e este & v6lid0, e, 
portanto, se perguntava: em virtude de quclis 
condic;aes do pensamento isso & possivel (para 
que tenha urn significado)? Ou entdo, como os 
estetas rnodernos que (explicitamente - corno, 
por exemplo, G. von Luk6cs - ou antdo de fato) 
partem do pressuposto: &quot;H6 obras de arte&quot;, a 
se perguntarn: como isso & possivel (para que 
tenha um significado)? Todavia, as teologias 
n6o se contentam em geral com esse pressu- 
posto (pertinente essencialmente b filosofia da 
religido). Ro contr6ri0, elas partem em geral do 
prossuposto ainda mais remoto pelo qua1 deter- 
minadas &quot;revela@es&quot; devem ser absolutamente 
cridas enquanto fatos que revestem uma impor- 
t6ncia para a salvac;do - como tais, ou seja, que 
por si conferem um pleno significado b conduta 
na vida - e pslo fato ds que determinados rno- 
dos de ser e de agir possuem a qualidade do 
santidade, ou seja, constituem uma conduta de 
vida de significado plenamente religioso ou sdo 
os elementos desta. R pergunta que a teologia 
se faz 6 , portanto, a seguinte: como podem 
ser interpretados, no Bmbito de uma imagem 
complexiva do cosrno (G~somtwaltbild), esses 
pressupostos qua devem ser aceitos de modo 
absoluto? Tais pressupostos encontram-se, 
portanto, para a teologia, al&m daquilo que & 
&quot;ci&nciar'. Eles ndo sdo um &quot;saber&quot; no sentido 
corrente, e sim um &quot;possuir&quot;. Ndo podem ser 
substituidos - a f& ou os outros estados de 
grqa - por nenhuma teologia, para quem n60 
os &quot;possua&quot;. Muito menos ainda, portanto, por 
outra cihncia. Ou melhor, ern toda teologia &quot;po- 
sitiva&quot; o crente chega 00 ponto onde & v6lida 
a maxima agostiniana: &quot;Credo non quod, sed 
quia absurdum est&quot;. R capacidade de realizar 
esse extremo &quot;sacrificio do intelecto&quot; constitui o 
car6ter decisivo do homem que pertence a uma 
religido positiva. E, assim estando as coisas, 
& claro que, para desonra (ou melhor, como 
consequ&ncia) do teologia (que desvela esse 
estado de coisas), a tensdo entre a esfera dos 
valores da &quot;ci&ncia0' e a da salva@o religiosa 
6 insan6veI. 
0 &quot;sacrificio do intelecto&quot; leva, como 6 
natural, o discipulo ao profeta e o crente b 
igreja. Mas ainda n6o surgiu uma nova profecia 
simplesmente pelo fato de qua muitos intelec- 
tuais rnodernos (retomo aqui de proposito esta 
imagem que provocou muitas suscetibilidades) 
tenham sentido a necessidade de decorar, por 
assim dizer, sua alma com objetos antigos ga- 
rantidos como originais, s se tenham lembrado 
nessa ocasi6o qua entre estes h6 tambhm a 
religi60, que eles certamente ndo possuem, 
mas que substituem com uma esphcie de capela 
privada enfeitada corno de brincadeira com 
imagens sacras de todos os poises, ou entdo 
com todo tipo de experi&ncias de vida bs quais 
conferem a dignidade de um meio mistico de 
salvac;do e que v6o vender