história da filosofia - volume 6 (giovanni reale - dario antiseri)

história da filosofia - volume 6 (giovanni reale - dario antiseri)


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na p r o p Em tudo 
isso trata-sa simplesmente de charlatanice ou 
de auto-ilusdo. Mas n6o & de fato uma charlata- 
nice, e srm 0190 muito sari0 e sincero - embora 
ndo ousente, por vezes, de um mal-entsndido 
Capitulo quarto - Max Weber e as cigncias hist6rico-sociais 
a respeito de seu proprio significado - o fato 
de que muitas dessas associa~bes de jovens, 
surgidas no sil&ncio destas irltimos anos, d&em 
hs suas rsla@es comuns, humanas, o sentido 
de uma ligasdo religiosa, cosmica ou mistica. Ss 
for verdade que todo ato de genuina irmandade 
pode se ligar com a consci&ncia de que com isso 
G de algum modo acumulado em urn dominio 
ultrapessoal 0190 que ndo ser6 perdido, ainda 
assim me parece duvidoso que a dignidade das 
rela@x propriamente humanas entre os mem- 
bros de uma comunidade se torne elevada por 
meio de tais interpreta<bss religiosas. Todavia, 
isso tarnbhm ndo combina com nosso tema. 
< o destino de nossa &poco, com sua 
caracteristica racionaliza@o e intelectualizaq30, 
e principalmente com seu dessncantamento do 
mundo, que exatamente os valores supremos 
e sublimes se tenham tornado estranhos QO 
grande pirblico, para refugiar-se no reino extra- 
mundano da vida mistica ou na fraternidade das 
relaq3es imadiatas e diretas entre os individuos. 
N ~ o & por acaso que nossa melhor arte seja in- 
tima s ndo monumental, e que hoje apenas, no 
seio das mais restritas comunidades, na relaq5o 
de homem poro homem, no pianissimo, palpite 
aquele indefinivel que h6 um tempo penetrava e 
fortificava como um sopro profhtico e uma chama 
impetuosa as grandes comunidades. Provemos 
Forpr e &quot;suscitar&quot; um sentido monumental da 
arte, e sis nascer um aborto lament6vel como 
o de numerosos monumsntos comemorativos 
dos irltimos vinte anos. Rlgo de semelhante se 
reproduz no esfera interior, com efeitos ainda 
mals dslet&rios, caso se procure cogitar novas 
formas religiosas sem uma nova e genuina 
profecia. E a profecia formulada pela c6tedra 
poder6 talvez dar vida a saitas fan6ticas, mas 
nunca a uma comunidade authntica. R quem ndo 
estsja em grau de enfrentar virilmente esse dss- 
tino de nossa &poca & preciso aconselhar que 
volte em sil&ncio, sem a costumeira conversao 
publicitdria, e sim franca e s~mplesmente, para 
os brqos das antigas igrejas, largo e misericor- 
diosamente abertos. Elas ndo Ihe tornam diHcil 
a passagem. Em todo caso. & preclso realizar 
- & inev1t6vel- o &quot;sacrificio do intelecto&quot;, de um 
ou de outro modo. N60 o reprovaremos, caso 
seja realmenta capaz disso. Pois semelhante 
sacrificio do intslecto em favor de uma incon- 
dicianada entrega religiosa & sempre 0190 de 
moralmente diferente daquele modo de evitar 
a simplas probidade intelectual que se verifica 
quando, ndo tendo a coragem de perceber 
claramente a propria posi~do irltima, ss alivia 
ssse dever por meio do refljgio no relative. E 
o considero tarnbhm mais respeitavel do que 
aquela profecia que se proclama do cdtedra 
sem ter compreendido que entre as parades 
da sala de aula uma so virtude tsm valor: a 
simples probidade intelectual. Ela nos imp& 
colocar hs claras que hoje toclos aquelss que 
vivem no espera de novos profetas e novos 
redantores se encontram na mesma situa~do 
descrita no belissimo canto da escolta idum&ia 
durante o period0 do exilio, que se I& no ordculo 
de Isaias: &quot;Uma voz chama de Seir em Edom: 
Sentinela! Quanto durar6 ainda a noita? E a 
sentinela responde: Vir6 a manhd, mcls ainda 
& noite. Se quiserdes perguntar, voltai outra 
vez&quot;. 0 povo, ao qua1 era dada essa rssposta, 
perguntou e esperou bem mais de dois mil&- 
nios, e sabemos de seu tr6gico destino. Disso 
desejamos extrair a advert&ncia de que anelar 
e esperar ndo basta, e nos comportaremos de 
outra maneira: realizaremos nosso trabalho e 
cumpriremos a &quot;tarefa quotidians&quot; - em nossa 
qualidode de homens e em nossa atividade 
profissional. lsso & simples e fdcil, quando coda 
um tiver encontrado e seguir o dem6nio que 
segura os fios da sua vida. 
M. WBbor, 
0 trobolho int~lsctuol como profiss80. 
A ciihcia so Andamenta 
sobre uma escolha 6 t h 
R ci6ncio ndo pode respondsr d hico 
pergunto irnportonte poro nos: &quot;0 qua deve- 
rnos fozar? Corno devernos viver?&quot; 6, alQm do 
rnals, a proprlo c16nclo C o resultado de urn0 
escolho - do escolho que ssus resultados 
sqorn poro nds &quot;d~gnos de sarern conhecl- 
dos&quot; Mas &quot;este pressuposto nbo pode ser 
por suo vez dsmonstrado corn os rnelos do 
c~&nc~o&quot; 
Voltemos ao ponto de portido. Dados es- 
tes pressupostos intrinsecos, vejamos qua1 & o 
significado da cihncia corno vocacpo, a partir do 
momento em que naufragaram todas as ilusdes 
precedentes: &quot;meio para o alcance do verda- 
deiro ser&quot;, &quot;do verdadeira arte&quot;, &quot;da vsrdadeira 
natursza&quot;, &quot;do verdadairo Dsus&quot;, &quot;do verdadeira 
felicidade&quot;. R resposta mais simples foi dada 
por Tolstoi com estas palavras: &quot;6 absurda, por- 
que ndo responds h irnica pergunta importante 
para nos: o que devemos fazer? como devemos 
viver?&quot; 0 fato de que ndo responda a isso & 
absolutamente incontest6vel. Trata-ss apenas 
de perguntar-se em que sentido ndo d& &quot;ns- 
8 Primeira parte - filosofia do ~ 6 ~ ~ 1 0 XY)< a. S ~ C U ~ O )(X 
nhuma resposta&quot;, e ss em lugar desta ela ndo 
puder por acaso dar qualquer auxilio a quem 
se colocar a questdo em seus termos exatos. 
Hoje se quer frequentemente falar de ci&ncia 
&quot;sem pressupostos&quot;. Existird alguma? Depende 
daquilo qua se queira entender. Pressuposto de 
qualquer trabalho cientfico 6 sempre a validade 
das regras da 16gica e do mbtodo: fundamentos 
gerais de nossa orienta<do no mundo. Ora. 
tais pressupostos, ao menos quanto d nossa 
questdo particular, ndo sdo minimamente pro- 
blemdticos. Pressupbe-se, al6m disso, qua o 
resultado do trabalho cisntifico ssja importants 
no sentido qua seja &quot;digno de ssr conhecido&quot; 
(wissanswart). E aqui evidentemente t&m suo 
rcliz todos os nossos problemas. Uma vez qua 
este pressuposto ndo pod@ ssr por sua vez 
damonstrado com os meios da ci&ncia. Pods ser 
apenas sxplicodo em vista de seu signiFicado 
ljltimo, que ssrd preciso acolher ou rejeitar 
conforme a posi~do pessoal ljltima assumida 
diante da vida. 
Bem diverso, al6m disso, 6 o tipo de rela- 
<do do trabalho cientifico com estss seus pres- 
supostos, conforme sua estrutura. As ci&ncias 
naturais como a Rsica, a astronomia, a quimica, 
pressupbem como evidente em si que as leis 
ljltimas do acontecer cosmico - construtiveis, 
at6 onde chega a ci&ncia - sejam dignas de ser 
conhecidas. NBo s6 porque com estas noshes 
ss podem atingir sucessos tbcnicos, mas - so 
devem ser &quot;voca<boU - &quot;por si mesmas&quot;. Este 
pressuposto, por sua vez, ndo 6 clbsolutam~nt~ 
demonstrdvel; e muito menos se pode demons- 
trclr ss o mundo por slas descrito ssjo digno de 
existir: se tenha um &quot;significado&quot;, e se haja um 
sentido nals sxistir. Com isso as ci8ncias nbo 
se preocupam. Ou entdo tomai uma tecnologia 
prdtica tdo desenvolvida cientificamente como a 
medicina modsrna. 0 &quot;pressuposto&quot; geral desta 
atividade 6 - em palavras pobres - qua seja 
considerado positiva, unicamsnte como tat, a 
tarefa do conserva~do da vida e da redu<do da 
dor ao minimo. E isso 6 problemdtico. 0 m6dico 
procura com todos os meios conservar a vida do 
moribundo, mesmo que a t e implore ser liberto 
da vida, mesmo qua sua morte 6 e deva ser 
dssejada - mais ou menos conscientements 
- por seus Familiares, para os quais sua vida 
ndo tam mais valor enquanto insuportdveis sbo 
os Gnus para conservd-la, e eles Ihe auguram 
a libertagio das dores (trata-se, digamos, do 
caso ds um pobre louco). Mas os pressupos- 
tos da medicina e o codigo penal impedem 
qua o m6dico dssista, Fl ci&ncia m6dica n60 
se pergunta se e quando a vida valha a pena 
ssr vivida. Todas as ci&ncias naturais ddo uma 
resposta a esta pergunta: o qua devemos fazer 
se