história da filosofia - volume 6 (giovanni reale - dario antiseri)

história da filosofia - volume 6 (giovanni reale - dario antiseri)


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quisermos dominar tscnicomsnte a vida? Mas 
se qusremos e devemos domind-la tecnica- 
msnte, e se isso, definitivamente, tiver de fato 
um significado, alas o deixam totalmente sm 
suspenso ou entdo o pressupdem por seus fins. 
Tomemos, se quiserdes, uma disciplina como 
a critica da arts. 0 fato da que haja obras de 
arte constitui, para a estbtica, um pressuposto. 
Ela procura estabelecsr em quais condic;bes 
isso se verifique. Mas ndo ss p6e a pergunta 
ss o dominio da arte ndo seria por acaso um 
reino ds magniFic&ncia diab6lic0, um reino dests 
mundo, e por isso intimaments oposto ao divino 
e, por seu cardter intrinsecamente aristocrdti- 
co, ao espirito de fraternidade. Ela, portanto, 
nbo se pergunta sa dwom existir obras da 
arts. Ou entdo, tomemos a jurisprud&ncia: 
ela estabelece aquilo que & vdlido segundo 
as regras do pensamento juridico, em parts 
impsrativamsnte 16gico e em parte vinculado 
por ssquemas convsncionais; em outras pa- 
lavras, estobelece se sdo reconhecidas como 
obrigatorias dsterminadas regras juridicas e 
detsrminados m6todos para sua interpreta<do. 
Ndo decide se dsva hover o dirsito e ss dsvam 
ssr Formuladas exatamente aquelas regras; 
ela pode indicar apsnas isto: caso se queira 
atingir um resultado, o meio para alcan<6-lo 
nos 6 dado por ssta rsgra juridica, conforms 
as normas de nosso pensamento juridico. Ou 
tomai ainda as ci&ncias historicas (historischen 
Kulturwissanscho~m) . Elas nos ensinam a en- 
tendsr os fsn6menos da civilizqdo (Kultursrs- 
chainungsn) - politicos, artisticos, literdrios ou 
sociais - nos condi<bes de seu surgimento. Mas 
ndo respondem em si b pergunta a respeito do 
valor positivo dsstes fencimenos, s nem a outra 
questdo, se valha a pena conhsc&-10s. Elas 
pressupbem que haja interesse em participar, 
por maio de tal procedimento, da comunidade 
dos &quot;homens civis&quot; (Kulturmanschsn). Mas que 
assim estejam as coisas, a ningu6m elas estdo 
em grau de demonstrar &quot;cientificamente&quot;, e que 
elas o pressuponham ndo demonstra ds Fato 
que isso seja evidente. E, com efeito, de modo 
nenhum o 6. 
M. Ulsber, 
0 trobolho int~lsctual 
como profissdo. 
I. 8 pragmatismo lbgico 
de Charles S. Peirce 
* 0 pragmatismo 6 a forma que o empirismo tradicional opragrnatisrno 
assumiu nos Estados Unidos. E enquanto o empirismo tradicional , 
viu na experi4ncia a progressiva acumulag$o e sistematizaqZio 
dos dados sensiveis e das observag6es passadas ou presentes, no pragmatismo a 
experiiZncia 6 abertura para o futuro, previs%o e proje@o, regra de ag%o. 
Menos conhecido que William James, Charles Sanders Peirce (1839-1914) 
exerceu sobre as pesquisas semioldgicas e metodoldgicas sucessivas uma influencia 
muito mais incisiva e durdvel do que as ja notaveis de James. 
Peirce foi estudioso de Idgica e semiologo sofisticado (&quot;todo pensamento 6 
um signo e participa essenciaimente da natureza da linguagem&quot;; &quot;n%o 4 possivel 
pensar sem signos&quot;; &quot;todo pensamento e signo&quot;); ele afirma que o conhecimento 
4 pesquisa; que a pesquisa parte da duvida: 4 a irritasZio da duvida que causa a 
luta para obter o estado de crenga. E s%o quatro, na opini%o de Peirce, os metodos 
para fixar a crenga: 
1) o metodo da tenacidade; peirce: 2) o metodo da autoridade (de quem procura impor suas ,etodo 
prbprias ideias com a ignorancia ou o terror); correto 
3) o metodo do a priori (este e o metodo de diversas metafisi- para fixar 
cas, e &quot;n%o difere de mod0 essencial do metodo da autoridade&quot;); as &quot;crengas&quot; 
4) o metodo cientlfico. e apenas 
0 s tr&s primeiros mbtodos - escreve Peirce no ensaio A fixa(;a&quot;o 0 cientifico 
da crenga (1877) - n%o funcionam. Apenas o metodo cientifico 4 + s 2 
o metodo correto se quisermos alcangar crensas validas. 
* Na riencia temos tr& modos diferentes de raciocinio: de- 
duga&quot;o, indug40 e, diz Peirce, abduc;do. A abduqso: 
A deduc;a&quot;o 4 o raciocinio que de premissas verdadeiras n%o urn raciochio 
pode levar a conseqiiSncias falsas. para exp~icar 
A indu(;a&quot;o 6 o raciocinio que, sobre a base de certos mem- OS fatox 
bros de uma classe com certas propriedades, conclui que todos os + 
membros daquela classe ter%o as mesmas propriedades. 
A abduga&quot;o 4 o raciocinio que nos diz que, para encontrar a solu@o de um fato 
surpreendente, devemos inventar uma hipdtese da qua1 deduzir as conseqiiCncias, 
que devem ser controladas empiricamente, isto e, indutivamente. 
N%o nos e licito pensar que uma hipdtese bem verificada seja segura para 
sempre: &quot;uma hipdtese 4, para a mente cientifica, sempre in prova&quot;. Nossos co- 
Primeira parte - A filosofia do sCcvla XJX no s i o l o XX 
Uma regra nhecimentos continuam desmentiveis, &quot;faliveis&quot;, escreve Peirce. 
para E se o metodo vdlido para fixar as crengas e o cientifico, a regra 
esta belecer para estabelecer o significado dos conceitos, ou seja, para tornar 
o significado claras nossas ideias, 4 a regra pragmdtica: urn conceito se reduz 
dos conceitos a seus efeitos experimentais concebiveis. Eu sei o que quer dizer 
+ § 4 &quot;le%o&quot;, isto el conheco o significado do termo &quot;leZio&quot;, quando sei 
comportar-me diante do animal designado pelo termo &quot;IeZio&quot;; 
da mesma forma, conhego o significado de &quot;vinho&quot; quando sei o que fazer com 
o objeto designado pelo conceito &quot;vinho&quot;. 
0 pragmatismo nasceu nos Estados 
Unidos nas ultimas dCcadas do siculo pas- 
sado, e sua forqa de expressiio, tanto na 
AmCrica quanto na Europa, chegou a seu 
ponto miximo nos primeiros quinze anos de 
nosso sCculo. Do ponto de vista sociol6gic0, 
o pragmatismo representa a filosofia de uma 
naqiio voltada com confianqa para o futuro, 
enquanto do ponto de vista da hist6ria das 
idkias ele se configura como a contribuiqzo 
mais significativa dos Estados Unidos B fi- 
losofia ocidental. 0 pragmatismo C a forma 
que o empirismo tradicional assumiu nos 
Estados Unidos. Com efeito, enquanto o 
empirismo tradicional, de Bacon a Locke, 
de Berkeley a Hume, considerava vilido o 
conhecimento baseado na experi8ncia e a ela 
redutivel - concebendo a expericncia como 
a acumulaqiio e organizaqiio progressiva 
de dados sensiveis passados ou presentes 
-, para o pragmatismo a experiBncia e' 
abertura para o futuro, e' previsiio, e' norma 
de a@o. 
0 s representantes mais prestigiosos do 
movimento pragmatista foram: Charles Peir- 
ce, William James, George Herbert Mead 
e John Dewey nos Estados Unidos; Ferdi- 
nand Schiller na Inglaterra (Schiller, porCm, 
concluiu seus estudos em Los Angeles, nos 
Estados Unidos); Giovanni Papini, Giuseppe 
Prezzolini, Giovanni Vailati e Mario Calde- 
roni na Itdia; Hans Vaihinger na Alemanha 
e Miguel de Unamuno na Espanha. 
A simples relaqiio desses pensadores 
ja mostra quiio complexo e variado foi o 
movimento pragmatista de pensamento. Na 
realidade, em 1908, Arthur 0. Lovejoy j i 
classificava nada menos que treze tipos di- 
versos de pragmatismo, que, vez por outra, 
se diferenciavam na teoria do conhecimento, 
na teoria da verdade, na teoria do significado, 
na teoria dos valores. Desse modo, a gama 
de significados do conceito de pragmatismo 
se estende do &quot;pragmatismo 16gico&quot; de Peir- 
ce e Vailati at6 a formas de voluntarismo e 
de vitalism0 irracionalistas e incontroliveis. 
0 s p vocedirnehtos 
p a r a f ixav a s &quot; c r e ~ ~ a s &quot; 
Se o pragmatismo de William James teve 
mais sucesso na Cpoca, no entanto o prag- 
mat ism~ de Charles S. Peirce (Cambridge, 
Massachussets, 1839-Milford, 1914) exer- 
ceu e ainda em nossos dias exerce influencia 
decididamente mais importante sobre as 
pesquisas metodol6gicas e semiol6gicas. 
Para Peirce, o conhecimento e' pesqui- 
sa. E a pesquisa se inicia com a duvida. E a 
irritaqiio da duvida que causa a luta para se 
obter o estado de crenGa, que C um estado 
de calma e satisfaqzo. E n6s procuramos 
obter crenqas, j i que szo esses hibitos que 
determinam as nossas