história da filosofia - volume 6 (giovanni reale - dario antiseri)

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aq6es. 
Pois bem, por quais caminhos ou pro- 
cedimentos se passa da dfivida h crenqa? 
No ensaio de 1877 The Fixation of Belief 
( A fixa@o da cren~a) , Peirce sustenta que 
os mCtodos para fixar a crenqa siio substan- 
cialmente redutiveis a quatro: 
1) o mitodo da tenacidade; 
2) o mitodo da autoridade; 
3) o mttodo do a priori; 
4) por fim, o mitodo cientifico. 
1) 0 me'todo da tenacidade C o compor- 
tamento do avestruz, que esconde a cabeqa 
na areia quando se aproxima o perigo; C o 
caminho de quem esti seguro somente na 
aparencia, ao passo que, em seu interior, esti 
Capitdo quinto - 6 pragmatismo 81 
espantosamente inseguro. E tal inseguranqa 
emerge quando ele se defronta com outras 
crenqas, reputadas igualmente boas por 
outros. 0 impulso social, escreve Peirce, t 
contra esse mktodo. 
2) 0 me'todo da autoridade t o de 
quem, com a ignoriincia, o terror e a in- 
quisig50, quer alcanqar a concordiincia de 
quem niio pensa igual ou n5o pensa em 
harmonia corn o grupo ao qua1 pertence. 
Este C um mttodo que tem "incomensuri- 
vel superioridade mental e moral sobre o 
mitodo da tenacidade", e seu sucesso tem 
sido grande e "de fato sempre apresentou 
os mais majestosos resultados"; este C o 
mttodo das fts organizadas. Mas nenhuma 
de tais fts organizadas permaneceu eterna; 
na opiniiio de Peirce, a critica as corroeu e 
a hist6ria as redimensionou e, de qualquer 
forma, as particularizou. 
3) 0 me'todo do "a-priori" C o de 
quem considera que suas pr6prias propo- 
sig6es fundamentais estzo de acordo com 
a raziio. Entretanto, observa Peirce, a ra- 
Z ~ O de um fil6sofo n5o t a raz5o de outro 
fil6sof0, como o demonstra a historia das 
idtias metafisicas. 0 mttodo a priori leva 
ao insucesso, porque "faz da pesquisa algo 
semelhante ao desenvolvimento do gosto", 
visto ser mCtodo que "n5o difere de mod0 
essencial do mitodo da autoridade". 
4) Assim, por urn ou outro motivo, os 
tr2s mttodos precedentes (da tenacidade, da 
autoridade e do a priori) n5o se sustentam. 
Se quisermos estabelecer validamente as 
nossas crengas, segundo Peirce, o mttodo 
correto t o me'todo cientifico. 
Ora, na cihcia, temos trts diferentes 
modos fundamentais de raciocinio: 
d o pragmat~smo I O ~ L O , 
deti contvrhutos 
que a m l a sZo g v a n d ~ 
atualrdade para a l o p - a , 
a se?nroIrca 
e a filosofia da chc-ra. 
Primeira parte - PI filosofia do SLCUIO XJX a0 S&CMIO 
a) a dedu~iio; 
b) a indu~iio; 
e aquela que Peirce chama de c) abdugiio. 
a) A dedu~iio C o raciocinio que niio 
pode levar de premissas verdadeiras a con- 
clusdes falsas. 
b) A indupio C "argumentaqiio que, a 
partir do conhecimento de que certos mem- 
bros de uma classe, escolhidos ao acaso, pos- 
suem certas propriedades, conclui que todos 
os membros da mesma classe igualmente 
as teriio". A induqiio, diz Peirce, move-se 
na linha de fatos homogheos; classifica e 
niio explica. 
C) 0 salto da linha dos fatos para a das 
suas razdes, ao contrario, temos com o tipo 
de raciocinio que Peirce chama de abdu~iio, 
cujo esquema C o seguinte: 
1. Observa-se C, um fato surpreen- 
dente. 
2. Mas, se A fosse verdadeiro, entiio C 
seria natural. 
3. Portanto, h6 razdes para suspeitar 
que A seja verdadeiro. 
Esse tip0 de argumentagiio nos diz 
que, para encontrar a explicaqiio de um 
fato problema'tico, devemos inventar uma 
hip6tese ou conjectura, da qual se deduzam 
conseqiicncias, que, por seu turno, possam 
ser verificadas indutivamente, isto C, expe- 
rimentalmente. Esse C o mod0 pel0 qual a 
abduqiio mostra-se intimamente relacionada 
com a dedugiio e a induggo. 
Por outro lado, a abduqiio mostra que 
as crenqas cientificas siio sempre faliveis, j6 
que as provas experimentais sempre poderiio 
desmentir as conseqiihcias de nossas con- 
jecturas: "Para a mente cientifica, a hip6tese 
esta sempre in prova". 
Como tornap cIaras 
nossas idkias: 
a regra pragm6tica 
0 mCtodo valido para fixar as crengas, 
portanto, C o mCtodo cientifico, que consiste 
em formular hip6teses e submet;-las a verifi- 
caqiio, com base em suas conseqiitncias. Por 
outro lado, a regra valida para a teoria do 
significado - assim como Peirce a apresenta 
tambCm em Como tornar claras nossas ide'ias 
(1878) -, isto C, a regra adequada para 
estabelecer o significado de um conceito, 
C a regra pragma'tica, segundo a qual um 
conceito se reduz a seus efeitos experimentais 
concebiveis; estes efeitos experimentais se 
reduzem, por sua vez, a a ~ 6 e s possiveis (ou 
seja, a aq6es efetuaveis no momento em que 
se apresentar a ocasiiio); e a agiio se refere ex- 
clusivamente a aquilo que atinge os sentidos. 
Do que foi dito torna-se evidente que 
o pragmatism0 de Peirce niio reduz de 
mod0 algum a verdade i utilidade, mas se 
estrutura muito mais como uma 16gica da 
pesquisa ou uma norma metodol6gica que 
v2 a verdade como por fazer, no sentido de 
considerar verdadeiras as idtias cujos efeitos 
concebiveis siio comprovados pelo sucesso 
pratico, sucesso jamais definitivo e absoluto. 
A verdade, escreve Peirce, jaz no futuro. 
Capitulo quinto - O pragmatismo 
11. 0 empirismo radical 
de William James 
Foi William James (1842-1910) que, no fim do seculo XIX, tornou conhecido 
ao mundo o pragmatismo como nova filosofia. "0 pra matismo, afirma James, 
e apenas urn mtitodo". antes de tudo urn convite a a 9 astar o olhar das "coisas 
primeiras" (principios, "categorias", pretensas necessidades) para dirigir a aten- 
qao sobre as "coisas ultimas" (0s fatos). Em segundo lugar 6 um 
0 pragmatismo metodo para obter a clareza das idhias; metodo que nos ordena 
como metodo considerar os efeitos prhticos concebiveis implicados por esta ou 
a concepCso aquela ideia, "quais sensaqdes devemos esperar e quais rea~des 
instrumenta/ devemos preparar". E urna ideia e verdadeira, na opiniao de 
da verdade James, "ate quando nos permite ir a frente e levar-nos de uma 
-+ 5 1-2 parte para outra de nossa experihcia, ligando as coisas de mod0 
satisfatorio, operando com seguranqa, simplificando, economi- 
zando a fadiga". 
A abra~ada por James e urna concepq%o instrumental da verdade: a verdade 
- que e um process0 e nao urna posse - identifica-se com sua capacidade de ope- 
rar, com sua utilidade para melhorar ou para tornar menos dificultosa e menos 
precaria a vida dos individuos. 
0 s Principios depsicologia s%o de 1890. James e contrdrio a velha psicologia 
racional para a qua1 a alma era urna substdncia separada do corpo e auto-suficiente; 
critica o associacionismo e sua pretend0 de reduzir a vida psiquica a combina@io 
de sensaqdes elementares. contrario aos materialistas que creem 
poder identificar os fen8menos psiquicos com movimentos da 
A mente 
e o instrumento materia cerebral. Para James a mente e um instrumento dinami- 
da adaptqdo co e funcional para a adaptaqao ao ambiente. Concepqao que o 
ao ambiente leva a falar nao so da percepqao e das atividades intelectivas, mas 
-53 tambem de fen8menos como o hipnotismo e o subconsciente, ou 
ainda dos condicionamentos sociais. 
Dai a atenqao ao problema etico, tratado por James em 0 filosofo morale a 
vida moral (1891) e em A vontade de crer (1897): o bem e o ma1 nao s%o fatos; n%o 
nos dizem como est%o as coisas, mas como estas deveriam estar. 
Um criterio 0 s problemas eticos implicam escolhas por parte dos homens; el 
esco,,-,er segundo James, devem ser preferidos os ideais que comportem, 
os valores se realizados, a destrui@o do menor numero de outros ideais e, 
-+ 5 4 ao mesmo tempo, favoreqam o universo mais rico de possibili- 
dades. 
E a concentraqao da riqueza da experiencia humana leva James - diver- 
samente dos positivistas - a tomar em seria consideraqao e a avaliar de mod0 
positivo a experihcia religiosa: esta p6e os homens em contato 
Avalia@o