história da filosofia - volume 6 (giovanni reale - dario antiseri)

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0 que ele almeja e defende C a 
sociedade que se planeja constantemente 
a partir de seu interior, atenta, portanto, 
ao controle social mais amplo e articulado 
dos resultados. A diferen~a existente entre 
a sociedade planejada (a planned society), e 
a sociedade que se planeja constantemente 
(a continuously planning society) C definida 
por Dewey nos termos seguintes: "A primei- 
ra requer designios finais impostos de cima 
e que, portanto, se baseiam na forqa, fisica 
e psicologica, para fazer com que nos con- 
formemos a eles. A segunda significa libertar 
a intelighcia mediante a forma mais vasta 
de interciimbio cooperativo". 
Ligada 2 teoria da investigaqiio, a teo- 
ria dos valores e a teoria da democracia de 
Dewey encontra-se sua teoria da educaqzo, 
entendida como reconstruqiio e reorgani- 
zaqiio continua da experihcia, visando a 
aumentar a conscihcia dos vinculos entre 
as atividades presentes, passadas e futuras, 
nossas e alheias, e aumentar a capacidade 
dos individuos para dirigir o curso da ex- 
perihcia futura. 
Capitulo sexto - 0 in~tvu~l\entctI15~?0 d e 3 o h n Dewey 103 
a PESQUISA 
parte de problemas, 
formula hzpdteses 
(idtias) de solu@o 
e, por melo 
Para enfrentar a instabilidade e o acaso do mundo e da existhcia 
t preciso desmascarar os sistemas metafisicos, consoladores e ilusbrios, e 
PROMOVER o CONHECIMENTO nPo como contempla$Ho, 
- - - - - - - - - mas como process0 de pesquisa, 
a qua1 C uma forma de adapta~Ho ao ambiente 
o expermento, INSTRUMENTALISMO: que d~rP se 
as ~ d t ~ a s sso tnstrumentos de nossa pesqulsa para resolver os problemas 
a solu@o proposta 
e t sernpre a pritica que decide seu valor deve ser acelta 
A VERDADE t o "cornprovado poder de guia" de uma idiia: 
sua garantia nHo C absoluta nem eterna, porque os resultados da pesquisa humana 
sempre siio corrigiveis e aperfei~oaveis em rela~iio &s novas situa~Bes em que o homem 
vem a encontrar-se em sua histbria 
l? preciso constituir uma DEMOCRACIA como sociedade que se planifica constanternente, 
em que a intelighcia se liberte em um interchbio cooperativo que trabalhe sobre metas concretas, 
realizPveis nas condi~6es histbricas efetivas, e em que se atue 
Primeira parte - F. filosofia do S~CMIO XJX a0 S~CUIO )(X 
n6o 6 consci6ncici, 
mas historia 
"G ignordncia, o hbbito, o rodicar-se Fotal 
no passado, sdo justamante as coisas c)us 
o chamado emp~r~srno, corn suo redugdo do 
experi&ncio o estodos de consci&ncio, nega 
2, expsribncia ". 
R via de acssso que parte daquilo qua 
est6 mais 2, mdo, em vez de dos produtos bem 
acabados do cigncia, nem por isso comega com 
os rasultados da ci&ncia psicolog~ca mais do 
qua dos do c~&ncia fisica. Com efeito, o material 
psicologico est6 mois distante da experi&ncia 
direta do que o da fisica. Essa via implica que 
se comece mais para tr6s de qualquer ci&ncia, 
com a experi&ncia em seus tragos toscos s ma- 
croscopicos. R ci&ncia entdo interessar6 como 
uma das fases da experi&ncia humana, mas nbo 
mais qua a magia, o mito, a politica, a pintura, 
a poesra e os penitenci6rios. 0 dominio sobre 
os homens exercido psla rhverie e pelo desejo 
pertence b teoria filosofica da natureza ndo 
menos do qus a fisica mat~mcitica; a imagina- 
<do ndo deve ser considerada menos que a 
observagdo refinado. < um fato da experi&ncio 
que alguns homens, como Santavana observou 
a respsito de Shelley, sbo imunes em relagbo 
2, &quot;experi&nciaW porque conservam intacta a 
atitude da infdncia. \u20ac para um empirista radi- 
cal, a mais transcendente das filosofias & um 
fen6meno empirico. \u20acla ndo pode demonstrar 
intelectualmente aquilo que seu autor supde 
que ela demonstre, mas mostra 0190 a respsito 
da experihcia, talvez algo ds valor imenso para 
urna interpretagdo sucessiva do naturcza 2, luz 
do expari&ncia. 
R experi&ncia 6 , portanto, algo de comple- 
tamente diferente da &quot;consci&ncia&quot;, que & aquilo 
que aparecs qualitativaments s focalmente 
em um momento particular. 0 homem comum 
ndo tsm necessidads que se Ihe recorde que 
a ignordncia & um dos principais aspectos do 
experi&ncia; e que tais 560 os hdbitos aos quais 
nos entregamos sem consci&ncia, tanto qua eles 
agem de modo h6bil e ssguro. Todavia, a igno- 
rGncia, o hbbito, o radicar-se fotal no passodo, 
sbo justamente as coisas que o assim chamado 
empirismo, com sua redugdo da experi&ncia 
estados de consci&ncia, nega 6 experi&ncia. E 
importante para uma teoria da experi&ncia sa- 
ber qua em certas circunstdncias o homem tam 
am estima aquilo que 6 distinto e claramente 
evidente. Mas nbo & menos importante saber 
qua, em outras circunstdncias, florescs aquilo 
que & crepuscular, vago, obscuro e misterioso. 
Que crimss intelectuais tenham sido cometidos 
em nome do subconsciante, ndo C uma razdo 
para rscusar admitir qus aquilo que n6o est6 
explicitamente presents constitui uma parte 
muito mois vasta da experi&ncia do qua aqusle 
campo da consci&ncia ao qua1 os pensadores 
foram tdo davotos. 
Quando a doenga, a religido, o amor ou 
o proprio conhecimento sdo experimentados, 
sstbo envolvidas forps e consequ&ncias po- 
tenciais que ndo estdo diretamente presentes 
nem diretamenta implicadas. Elas estdo &quot;no&quot; 
axperi&ncia tdo verdadeiramente como estdo 
presentes mal-estares e exaltagdes. Conside- 
rando a parte qus a antecipagbo e a memoria 
da rnorte sxerceram na vida humana, da reli- 
gibo 2,s companhias de seguros, o que se pode 
dizer de uma teoria que define a experi&ncia 
de modo tal que dela faz logicamente seguir 
qus a morte jamais & mathria ds sxperi&ncia? 
R experi&ncia nbo C uma corrsnts, mesmo que 
a corrante dos sentimentos s das idbias que 
corre em sua superficie seja a parte que os 
filosofos gostam de atravessar. R experi&ncia 
inclui as margsns duradouras do constituigdo 
natural e dos h6bitos adquiridos, al&m da cor- 
rents. 0 momsnto fugaz & sustentodo por uma 
atmosfera que ndo escapa, mesmo quando 
mais vibra. 
Quando dizemos que a experi&ncia & um 
ponto de acesso 2.1 explicagdo do mundo no qunl 
vlvemos, entendemos por axperi&ncia 0190 que 
seja vasto, profundo e plsno ao menos tanto 
quanto toda a historia sobre esta terra; urna 
historia que (pois a historia nbo acontece no 
vazio) inclui a terra e os correlates fisicos do 
homem. Quando assimilamos a experi&ncia 2, 
historia mois que b fisiologia das sensagdes, 
indicamos que a historia denota ao mesmo 
tempo as condigm objetivas, as forgas, os 
eventos, e o rsgistro e a avaliagdo desses 
eventos feitos pelo homem. R expsri&ncia 
denota tudo aquilo que 6 experimentado, tudo 
aquilo que se sofre e se prova, e tambbm os 
processes do experimentor. Como & proprio 
do historia ter significados ditos subjetivos 
e objetivos, asslm ocorre com a experi&ncia. 
Conforme dissa William James, ela 6 um fato 
&quot;corn face duplo&quot;. Sem o sol, a lua, as estra- 
Capitulo sexto - O instrumentalismo de 304- Dewey 10 
las, CIS montanhas e os rios, as floretas e as 
minas, o solo, a chuva e o vento, a historia n60 
existiria. Estas coisas ndo sdo condi<des exter- 
nos da historia e da expari&ncia, mas fazem 
integralmente parte delas. Mas do outro lado, 
sem as atitudes e os intaresses humanos, sem 
o registro e a interpretagdo, estas coisas ndo 
seriam historia. 
J. Dcswsy, 
Expsri&ncia s noturam. 
N60 h6 nada mois prCltico 
do que uma boa teoria 
0 mQtodo cientifico-expsrimsntol con- 
siste em 'soborsor idQiosr'. &quot;No mois, seu 
significado ss considero confinodo o certos 
problsmos t&cnicos e unicamants fisicos. 
Sem ddvido ssrd preciso muito tempo para 
qus se compresndo qua ale vole iguol- 
ments poro o Formog6o e a verificog60 dos 
idQios no compo dos problamos sociois e 
morois &quot;. 
mental enquanto m&todo de obter o conhaci- 
mento e de assegurar que seja conhacimanto, e 
ndo so opinido, - mhtodo tanto de