Autor e autoria no cinema e na televisão
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central veio ao fim do primeiro terço da
trama, no capítulo 56 (05/08/2008), quando Flora revela ser a grande
assassina da trama. Em uma das cenas mais comentadas da novela, após
Donatela ameaçar matar Flora com um revólver, a vilã se revela e o pri-
meiro grande mistério é solucionado para o público, mas não para os
personagens da história.
Nesse capítulo, em um terreno baldio e isolado, Flora enfrenta
Donatela e diz que ela nunca teria coragem de matá-la, porque a verda-
deira assassina ali é ela. Flora, que começou o plano de se vingar da
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rival convencendo Irene de que Donatela e não ela matou seu filho, con-
seguiu conquistar, também, a crença dos telespectadores. É através da
dúvida e, depois, certeza de Irene, que o público acredita que Flora seja
inocente. Quando a verdade é revelada, a personagem de Glória Menezes,
Irene, vira um joguete de Flora. O público sabe a verdade e assiste a
ingênua senhora defender a assassina de seu filho. Na verdade, todos
os personagens continuarão sendo enganados. Revelação que gera a ex-
pectativa para desmascarar Flora. Encerra-se o primeiro ato.
No segundo ato, aquele que será o mais curto, com duração de ape-
nas 14 capítulos, Donatela passa a ser perseguida como assassina, após
mais uma armação de Flora para incriminar a antiga parceira. No mes-
mo capítulo 56, com a ajuda de Dodi e Silveirinha, que viram seus cúm-
plices secretos, Flora atrai Donatela até um galpão abandonado, onde
mata o Dr. Salvatore, e faz com que Zé Bob encontre a rival no local do
crime, com a arma na mão. O depoimento do jornalista, embora ele frise
que não a viu atirar, é decisivo para a condenação de Donatela. Após
uma frustrada tentativa de sair do país, Donatela é presa no capítulo 62
(12/08/2008), e passa por maus momentos na prisão, inclusive porque
Flora é amiga de uma das carcereiras.
Mas, na prisão, Donatela conhece Diva. Tornam-se cúmplices, já
que possuem algo em comum: o desejo de vingança de Flora. Importan-
te frisar que Diva, a personagem vivida por Giulia Gam, já havia apare-
cido no primeiro capítulo da novela, sendo a única que não bateu palmas
para Flora quando ela sai da prisão. Diva vai elaborar um intrincado
plano para conseguir tirar Donatela da cadeia: as duas trocarão de iden-
tidade, já que Diva será libertada dentro de uma semana. Após trocarem
de identidade, o plano das duas dá certo e Donatela é solta no lugar da
amiga. Para não deixar dúvidas, Diva queima a cela de Donatela com um
corpo de uma presidiária fazendo com que todos os personagens, inclu-
sive Flora, acreditem que Donatela morreu.
A saída de Donatela do presídio e a decisão de provar sua inocên-
cia, desmascarando a sua inimiga dão início ao terceiro ato da trama,
que se inicia no capítulo 76 (28/08/2008). Daqui em diante....sugerimos
navegar pelo site da emissora.
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A partir do terceiro ato, Flora instala-se como uma verdadeira vilã
- rouba, mente, mata e, como se não bastasse, odeia a filha.
Os diálogos em A Favorita fizeram uso de palavras pouco escuta-
das em telenovelas como \u201cvaca\u201d, \u201cvagabunda\u201d, \u201cdesgraça\u201d. A violência
também foi mais explícita. Muito sangue em cena e detalhes dos assas-
sinatos praticados pela vilã também são incomuns nas telenovelas bra-
sileiras.
O homossexualismo é tratado de forma distinta de outras teleno-
velas. O personagem Orlandinho brinca com estereótipos. Primeiro ele
aparece como um rapaz heterossexual, esportista, mulherengo e rico.
De repente, ele se descobre gay e apaixonado por Halley. Começa, então,
a ter trejeitos femininos e voz mais fina. Com o tempo, ele vai se apaixo-
nando por Maria do Céu. A princípio, ele luta contra esse sentimento
por ser \u201cgay\u201d, depois que ele se rende, muda de comportamento e passa
a viver com a amada como um galante príncipe encantado.
Em contrapartida, temos a personagem Stela. Uma mulher bonita,
feminina, sensual, homossexual e apaixonada pela personagem vivida
por Lílian Cabral, Catarina, a esposa submissa que apanha do marido.
A relação das duas é construída como uma amizade, já que Catarina não
tem interesse em se relacionar eroticamente com mulheres. A persona-
gem chega a brincar dizendo que é muito antiquada para isso, mas se
tivesse que ter uma relação amorosa homossexual seria com Stela. No
ultimo capitulo, as duas viajam juntas. Catarina, depois de conseguir
separar-se do marido, quer conhecer o mundo. Possibilidade que se abre
com o inicio do relacionamento e apoio da amiga Stela. Não há nada
explicito de que surgirá uma relação amorosa, parece reafirmar a amiza-
de entre mulheres, mesmo quando uma delas é homossexual.
Uma família negra envolvida na corrupção e em escândalos políti-
cos é dramatizada. O pai (Milton Gonçalves) é um deputado demagogo,
a filha (Taís Araújo) vive do dinheiro do pai. Briga com ele constante-
mente, criticando o pai corrupto e inescrupuloso. O filho (Fabrício
Boliveira) é um alcoólatra e não se interessa por trabalho. Com o decor-
rer da trama, os três personagens reconhecem seus erros, vão viver com
os pobres e colaborar com a melhora da qualidade de vida dos desafor-
tunados. Foram punidos e sofreram pelos erros que cometeram.
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A tensão política instala-se no primeiro capitulo. No ato publico
promovido por Romildo Rosa, deputado que deseja ser eleito mais uma
vez, sua filha cria um fato jornalístico ao ficar nua em plena multidão.
O Jornalista, apaixonado pela vida de repórter critico e engajado, passa
toda a historia, junto com sua fiel editora, a lutar para desmascarar as
falcatruas de Romildo. Ele estará nesta multidão e fotografará a bela
filha desnuda, pois era o responsável pela reportagem. Neste contexto o
Jornalista encontra a personagem central por acaso, Flora, que se apre-
senta com nome Falso. Primeiro capitulo, primeiros instantes, política
e vilania postas em cena.
A política também foi encenada nas tramas que rodeiam a prefeitu-
ra da cidade de Triunfo (periferia de São Paulo) onde o partido \u2018do bem\u2019
ganha do partido \u2018do mal\u2019 e o bom prefeito luta com o avanço da fábrica
e a ocupação de terras. Na outra ponta, um Romildo rosa é um político
corrupto, negro, rico, envolvido em tráfico de armas. O assessor de pro-
paganda e marketing que o acompanha é revelador do objetivo primeiro
de usar o poder político para o enriquecimento ilícito, deixando pistas
para associações com fatos semelhantes noticiados na imprensa brasi-
leira.
O tratamento dado a estes personagens parece ridicularizar as fun-
ções dos políticos. De qualquer modo, o filho de Romildo, alcoólatra e
\u201cperdido na vida\u201d viverá uma reviravolta capaz de transformá-lo num
digno candidato a prefeito de Triunfo no final da historia. As soluções
baseadas na emoção e em jogos passionais é o tom predominante, com
pitadas de ironia que merecem investigações futuras para desvendar
melhor os jogos de sentido da política encenados em A Favorita.
Os próximos capítulos ...
A história da formação, consolidação e desdobramentos do campo
de produção das telenovelas no Brasil tem sido um recurso fundamen-
tal para o exame das posições das empresas de comunicação, das emis-
soras de televisão, dos grupos de gerenciamento da teledramaturgia,
das equipes de criação e produção das telenovelas e dos autores. O exa-
me destas posições de agentes, dos grupos e das instituições desvenda
práticas e classificações em jogo sobre os sistemas de promoção,
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reconhecimento e consagração das marcas de autoria, as proximidades,
diferenças, tendências do ato de compreender, defender e prestigiar