LEITURA E INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS
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LEITURA E INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS
                        I -  ESTRUTURAÇÃO GLOBAL DO TEXTO                                               
                              1)  O CONCEITO DE TEXTO
            Todo texto é construção. Isso significa que texto não é um amontoado de frases, mas um conjunto organizado, no qual seja possível identificar partes e estabelecer relações entre as partes e entre os elementos que as compõem. O texto também dialoga com as idéias da sociedade e da época em que foi produzido. Perceber esse diálogo faz parte da busca do tema ou assunto que sustenta qualquer texto.
     Todo texto revela urna intenção. Quanto mais clara for a intenção para quem escreve, melhor poderão ser  trabalhados os recursos pertinentes a cada estrutura. E por fim há a figura do leitor que, para se comunicar com o autor,  tem apenas o texto.  O texto deve, portanto, conter todas as informações necessárias - e somente as necessárias - para comunicar ao leitor aquilo que  pretende.
	
                                                 2) TIPOLOGIA TEXTUAL
       Tudo o que se escreve recebe o nome genérico de redação ou composição textual. Basicamente, existem três tipos de redação: narração (base em fatos), descrição (base em caracterização) e dissertação (base em argumentação). Cada um desses tipos redacionais mantém suas peculiaridades e características.                                                                      
                                
                       A) Tipologia  de  acordo  com  a  estrutura
. Narrativos
       Modalidade textual em que se conta um fato, fictício ou não, que ocorreu num determinado tempo e lugar, envolvendo certos personagens. Estamos cercados de narrações desde que nos contam histórias infantis como Chapeuzinho Vermelho ou Bela Adormecida, até as picantes piadas do cotidiano.
Exemplo:
        Numa tarde de primavera, a moça caminhava a passos largos em direção ao convento. Lá estariam a sua espera o irmão e a tia Dalva, a quem muito estimava. O problema era seu atraso e o medo de não mais ser esperada...
. Descritivos
          Tipo de texto em que se faz um retrato por escrito de um lugar, uma pessoa, um animal ou um objeto. A classe de palavras mais utilizada nessa produção é o adjetivo, por sua função caracterizadora. Numa abordagem mais abstrata, pode-se até descrever sensações ou sentimentos.
Exemplo:
        Seu rosto era claro e estava iluminado pelos belos olhos azuis e contentes. Aquele sorriso aberto recepcionava com simpatia a qualquer saudação, ainda que as bochechas corassem ao menor elogio. Assim era aquele rostinho de menina-moça da adorável Dorinha.
Observação:
Normalmente, narração e descrição mesclam-se nos textos; sendo difícil, muitas vezes, encontrar textos exclusivamente descritivos.
. Dissertativos
         Estilo de texto com posicionamentos pessoais e exposição de idéias. Tem por base a argumentação, apresentada de forma lógica e coerente a fim de defender um ponto de vista. É a modalidade mais exigida nos concursos em geral, por promover uma espécie de \u201craio-X\u201d do candidato no tocante a suas opiniões. Nesse sentido, exige dos candidatos mais cuidado em relação às colocações, pois também revela um pouco de seu temperamento, numa espécie de psicotécnico.
Exemplo:
          Tem havido muitos debates em torno da ineficiência do sistema educacional do Brasil. Ainda não se definiu, entretanto, uma ação nacional de reestrutura do processo educativo, desde a base ao ensino superior.
         O texto dissertativo é dirigido a um interlocutor genérico, universal; a carta argumentativa pressupõe um interlocutor específico para quem a argumentação deverá estar orientada.
                                                    
                                                3) TIPOS  DE DISCURSO
               Assim como as pessoas, os personagens de uma narração podem se expressar através da fala. Damos o nome de discurso à fala dos personagens em uma narração.
Há três tipos de discurso: o discurso direto, o discurso indireto e o discurso indireto livre.
1.Discurso  Direto
       Observe esse trecho do texto de Stanislaw Ponte Preta:
            \u201cEm lá chegando, pediu audiência a Satanás e perguntou:
             \u2014 Qual é o lance aqui?\u201d
        O narrador, após introduzir o personagem, deixa que ele se expresse por suas próprias palavras. Observe, no exemplo, que a fala \u201cQual é o lance aqui?\u201d foi dita pelo próprio personagem-falecido e reproduz (ou tenta reproduzir) fielmente aquilo que ele teria dito a Satanás naquele instante. Temos ai um exemplo de discurso direto.
         No discurso direto, a fala do personagem é normalmente acompanhada por um verbo de elocução (verbo que introduz a fala do personagem: dizer, falar, responder, perguntar, afirmar, etc.) entre o qual e a fala do personagem não há conectivo, mas uma pausa marcada, na escrita, por sinal de pontuação (em geral dois-pontos e travessão).
2.Discurso  Indireto
           Observe, agora, esse outro trecho de Stanislaw Ponte Preta
                 \u201cEle agradeceu muito e disse a Satanás que ia dar uma voltinha para escolher
   o seu departamento.\u201d
           Nesse caso, o personagem da história não fala com suas próprias palavras O narrador é quem reproduz com suas próprias palavras aquilo que o personagem teria dito. Temos aí um exemplo de discurso indireto.
            No discurso indireto, há também a presença de verbo de elocução (que será núcleo do predicado da oração principal) seguido de oração subordinada introduzida por conectivo.
3.Discurso  Indireto  Livre
      O discurso indireto livre é um tipo de discurso misto, em que se associam as características do discurso direto e do discurso indireto. Nele a fala do personagem se insere sutilmente no discurso do narrador, permitindo-lhe revelar aspectos psicológicos do personagem, já que esse tipo de discurso pode rev&ar o fluxo do pensamento do personagem através de uma fala marcada por hesitações.
              No discurso indireto livre, a fala do personagem não é marcada por verbo de elocução ou por sinais de pontuação.
                   \u201cO padeiro saiu a informar que não havia pão.Por quê? Onde estava o pão?\u201d
                                  B) Tipologia  de  acordo  com  a  intencionalidade
a) Gêneros  Textuais
            Muito se tem falado sobre a diferença entre "tipos textuais" e "gêneros textuais". Alguns teóricos denominam dissertação, narração e descrição como "modos de organização textual", diferenciando-os das nomenclaturas específicas que são consideradas "gêneros textuais".
         A fim de simplificar o entendimento de diversos estudos em torno desse assunto, foi criado o quadro abaixo, pautando-se no estudo de Luiz Antônio Marcushi.
* INFORMATIVOS -  Modalidade  textual  usada  para fins  didáticos,  isto  é,  para  ensinar.  É  muito  comum  nos  livros  didáticos;  Português, História, Geografia,  Ciências,  etc.   A  sua  ênfase  está  no  conteúdo  que  se  quer  transmitir. Também  é  usado   em  jornais,  revistas,  TV,  e  outros  meios  de  comunicação  que  fornecem  notícias,  comunicados,  etc.
* PERSUASIVOS -  Modalidade  de  texto  em  que se procura  convencer  alguém  de  alguma  coisa,  isto  é,  que  o  leitor  se  deixe  influenciar  pela  sua  leitura.  Muito  usado  nos  comerciais  ( propagandas)  veiculados  em  jornais,  revistas,  TV,   rádio,  outdoors,  cartazes,  etc.
* LÚDICOS - Modalidade  textual  destinada  à distração,  ao  entretenimento.  São  geralmente  textos  literários,  como  crônicas,  contos,  novelas,  romances.  Também  as  piadas,  charges,  tirinhas,  e  outros  do  gênero,  são  considerados  lúdicos,  pois  pretendem  divertir  o  leitor.
b)  Gêneros  Discursivos 
* Crônica: Por vezes é confundida com o conto. A diferença básica entre os dois é que a crônica narra fatos do dia a dia, relata o cotidiano das pessoas, situações que presenciamos e já até prevemos o desenrolar dos fatos.