LEITURA E INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS
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LEITURA E INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS


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José  bebia  antes;\u201cJosé passou a estudar à noite\u201d contém a pressuposição de que antes estudava de dia, mas contém também a pressuposição de que ele não estudava antes, dependendo da ênfase colocada em passar a ou em à noite.
              Vale lembrar que, nestes exemplos, a pressuposição é marcada lingüisticamente pela presença dos verbos parar de, passar a. Existem também pressuposições que não apresentam marca línguística; estes tipos de pressuposição denominam-se inferências ou subentendidos.
             Inferências: são informações normais que não precisam ser explicitadas no momento da produção do texto; são também chamadas de subentendidos.
                        O exemplo seguinte ajuda a entender esta noção:
         \u201cMaria foi ao cinema, assistiu ao filme sobre dinossauros e voltou para casa.\u201d
         Lendo esta frase, o leitor recupera os conhecimentos relativos ao ato de ir ao cinema: no cinema existem cadeiras, tela, bilheteria; há uma pessoa que vende bilhetes, outra que os recolhe na entrada; a sala fica escura durante a projeção, etc. Enfim, isto não precisa ser dito explicitamente. Se assim não fosse, que extensão teriam nossos textos para fornecer, sempre que necessário, todas estas informações?
          Daí a importância das inferências na interação verbal. Se quiséssemos dizer que Maria não conseguiu ver o filme até o final, isto teria que ser explicitado, porque, normalmente, a pessoa vê o filme inteiro.
         A retomada do texto através de inferências é feita com base em conteúdos semânticos não manifestados, ao contrário do que se passa com os processos de informação literais.
                                                        Exemplos de questões:                                             
	                                                             A palavra
                                                                                     Rubem Braga
       Tanto que tenho falado, tanto que tenho escrito como não imaginar que, sem querer, feri alguém? Às vezes sinto, numa pessoa que acabo de conhecer, uma hostilidadesurda, ou uma reticência de mágoas. Imprudente ofício é este, de viver em voz alta.
       Às vezes, também a gente tem o consolo de saber que alguma coisa que se disse por acaso ajudou alguém a se reconciliar consigo mesmo ou com a sua vida de cada dia; a sonhar um pouco, a sentir uma vontade de fazer alguma coisa boa. Agora sei que outro dia eu disse uma palavra que fez  bem a alguém. Nunca saberei que palavra foi; deve ter sido alguma frase espontânea e distraída que eu disse com naturalidade porque senti no momento \u2013 e depois esqueci.
       Tenho uma amiga que certa vez ganhou um canário, e o canário não cantava. Deram-lhe receitas para fazer o canário cantar; que falasse com ele, cantarolasse, batesse alguma coisa ao piano; que pusesse a gaiola perto quando trabalhasse em sua máquina de costura;
que arranjasse para lhe fazer companhia, algum tempo, outro canário cantador; até mesmo que ligasse o rádio um pouco alto durante uma transmissão de jogo de futebol... mas o canário não cantava.
           Um dia a minha amiga estava sozinha em casa, distraída, e assobiou uma pequena frase melódica de Beethoven \u2013 o canário começou a cantar alegremente. Haveria alguma secreta ligação entre a alma do velho artista morto e o pequeno pássaro de ouro?
           Alguma coisa que eu disse distraído \u2013 talvez palavras de algum poeta antigo \u2013 foi despertar melodias esquecidas dentro da alma de alguém. Foi como se a gente soubesse que de repente, num reino muito distante, uma princesa muito triste tivesse sorrido. E isso fizesse bem ao coração do povo; iluminasse um pouco as suas pobres choupanas e as suas remotas esperanças.
 1. Assinale a alternativa correta que indica inferência em relação ao texto de Rubem Braga.
(A) Somente pessoas tristes é que despertam com melodias esquecidas dentro da alma de alguém.
(B ) As palavras têm, às vezes, o poder de nos irritar em qualquer etapa da vida.
(C ) As nossas remotas esperanças precisam de um sorriso de princesa que vive num reino muito distante.
(D ) À semelhança da narrativa do autor, determinada palavra pode nos remeter ao passado e trazer momentos de alegria na vida.
(E ) Pessoas que não sabem viver em voz alta são hostis e cheias de mágoas, por isso uma frase espontânea não lhe faz bem algum.
	           De qualquer maneira, a COP15, como muitas das outras reuniões sobre o clima, continuou tangenciando o problema. Se as mudança climáticas são basicamente consequência de um modelo fundado na queima de combustíveis fósseis e no consumismo, tais causas deveriam estar \u2014 e não estão \u2014 no primeiro plano dos debates. Vê-se que a sociedade humana ainda não levou às ultimas consequências a constatação de que é esse modelo de funcionamento que precisa ser alterado. E de que essa tarefa global deve estar acima de conveniências nacionais
1. Leia o último parágrafo e assinale a alternativa que NÃOd, apresenta um termo indicativo de pressuposição:
a) \u201coutras\u201d                    b) \u201ccontinuou\u201d                c) \u201cainda\u201d                 d) \u201cfuncionamento\u201d
2. No último parágrafo do texto, encontram-se vários termos que indicam o modo como o autor se posiciona frente ao que diz. Assinale a única alternativa que NAO contém esse termo.
a) basicamente.            b) deveriam           c) estão           d) precisa
3.O gênero discursivo em que se classifica o texto lido é:
a) artigo de opinião       b) reportagem       c) notícia               d) editorial
Gabarito: 1) d, 2) a, 3) d                                     
                           
                               3) Significado  de  Palavras  e Expressões
                                       Vocabulário/Sentido das Palavras  
     O ideal seria que as palavras de uma língua tivessem um significado único, correpondessem a apenas uma idéia. Porém, isso não ocorre em nenhum idioma, e o que determina o valor de cada uma delas é o contexto, o sentido que queremos dar-lhes.                                                                                                    
    Esses variados sentidos situam-se em dois planos: denotação e conotacão, compreendendo dois aspectos: denotativo ou  literal   e conotativo ou contextual.
          . Sentido denotativo ou literal é o que pode ser tomado como sentido \u201cbásico\u201d de uma palavra ou expressão e que pode ser apreendido sem ajuda do contexto. isto é, quando uma palavra é tomada no seu valor usual ou denotativo, vaie dizer, praticamente naquele que lhe atribuem os dicionários. asse sentido comum ou usual das palavras e enunciados costuma caracterizar os textos informativos e objetivos.
        . Sentido conotativo ou contextual: quando a palavra é usada em seu valor afetivo, contextual. Seu sentido não é tomado literalmente, mas ampliado e modificado de acordo com a opinião ou sentimento, que variam conforme a sensibilidade, a cultura e os hábitos do falante ou ouvinte, do autor ou leitor. A conotação é muito usada na poesia, na propaganda, na música, na imprensa e na coloquialidade.
Exemplos de questões:
1. Em \u201c... guarda as mesmas manchas e o mesmo taco solto de outras primaveras\u201d (primeiro parágrafo), a palavra que substitui o termo em destaque, sem alterar o sentido da frase, é:
    a) emoções.         b) épocas.      c) salas.         d) imagens.        e) vontades.
Resposta:  b                                        
                                                     4) Coesão  Textual
       A redação de um bom texto depende da articulação de idéias e palavras. Na elaboração de um texto coeso empregam-se, de forma adequada, elementos coesivos que formam uma estrutura clara e coerente nas frases.                      
     Há vários recursos linguísticos que podem ser usados para unir orações e parágrafos, criando uma unidade textual. Entre eles destacam-se: conjunções, preposições, pronomes e advérbios.Um elemento de coesão bastante usado