Capítulo 8 - Dispepsia e Helicobacter Pilory
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Capítulo 8 - Dispepsia e Helicobacter Pilory


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Úlcera gástrica
Hemorragia
Perfuração
60-80%
Complicações 15-20%-----
5%
Mortalidade por
sangramento
Obstrução 2%
Úlcera gástrica 7-16%
-----
1-7%Úlcera duodenal
A relação do H. pylori com o refluxo gastroesofágico não é bem
estabelecida. Alguns autores postulam que o primeiro é fator prote-
tor contra a doença do refluxo e apresentam como prova o aumento
de incidência do câncer de esôfago, em particular do adenocarcino-
ma, após o inicio da terapia de erradicação desse agente. Porém, a
maioria dos autores considera que não há influência positiva nem
negativa do H. pylori na doença do refluxo. O Consenso Brasileiro
considera que o H. pylori não é causa nem prejudica a evolução dos
pacientes.
3. Quadro clínico e diagnóstico
Os sintomas nos pacientes são muito variáveis. A endos-
copia digestiva alta também demonstra achados variáveis,
como gastrite, erosões e espessamento da parede gástrica.
O diagnóstico pode ser feito por meio da peça histológica
obtida por biópsia com endoscopia. E PCRe ultra-sonografia
endoscópica ajudam o diagnóstico.
4. Tratamento
Após a descoberta do H. py/ori, o tratamento da doença ul-
cerosa péptica foi modificado. Procedimentos cirúrgicos que
eram comuns passaram a ser cada vez menos necessários. A
terapia de erradicação do H. py/ori causou as seguintes modi-
ficações na evolução natural da doença ulcerosa péptica:
- Diminuiu a taxa de recorrência para menos de 10%;
- Diminuiu a necessidade do uso da terapêutica anti-se-
cretora de manutenção;
- Diminuiu a incidência das complicações;
-Diminuiu custos (comparando à terapia anti-secretora).
O sucesso com essa terapia é similar à erradicação do H.
py/ori, porém a recorrência é extremamente diminuída com a
erradicação. Dois estudos em pacientes com úlcera duodenal
e H. py/ori positivo demonstraram que a erradicação eliminou
o risco de ressangramento, que ocorreu em 1 a cada 3,3 pa-
cientes em 1 ano quando não se erradicou a infecção.
A associação da infecção pelo H. py/ori com o desenvolvi-
mento de MALT-linfoma também é bem documentada pela li-
teratura. Estudos demonstraram que pacientes com estágios
iniciais do MALT-linfoma beneficiam-se com a erradicação do
H. py/ori, com índices de cura variando entre 60 e 93%. Ainda
precisa ser definido se a cura é duradoura, pois o PCRde tais
pacientes continua positivo, o que não significa que não te-
nha havido regeneração.
São consideradas indicações de erradicação do H. py/ori:
- Úlcera gastroduodenal ativa ou cicatrizada;
- Linfoma MALT de baixo grau;
- Pós-cirurgia para câncer gástrico avançado, em pacien-
tes submetidos à gastrectomia parcial;
- Pós-ressecção de câncer gástrico precoce (endoscópica
ou cirúrgica).
O Consenso Brasileiro ainda considera gastrite histológica
intensa como indicação de erradicação, mas outras associa-
ções não fazem essa recomendação. O mesmo consenso tam-
bém considera indicação de erradicação os seguintes casos:
MEDCEL - PRINCIPAIS TEMAS EM GASTROENTEROLOGIA
- Pacientes de risco para úlcera/complicações que utili-
zarão AINEs cronicamente, inclusive derivados do ácido
acetilsalicílico (AAS), mesmo que em baixa dose;
- Pacientes com história prévia de úlcera ou hemorragia
digestiva alta que deverão usar AINEs inibidores especí-
ficos ou não da COX-2;
-Indivíduos de risco para câncer gástrico.
Pacientes com gastrite crônica auto-imune, como a as-
sociada à anemia perniciosa, bem como pacientes com imu-
nodeficiência comum variada, devem ser tratados para o H.
py/ori, devido ao aumento do risco de neoplasia gástrica e
MALT-linfoma, respectivamente.
O controle da erradicação apresenta alguma controvérsia
na literatura. O Consenso Americano de Úlcera Péptica con-
sidera que não é necessário o controle da erradicação em
úlceras duodenais não-complicadas. Porém, pelo Consenso
Brasileiro, são consideradas indicações de controle da erra-
dicação:
- Úlcera duodenal;
- Úlcera gástrica;
- Linfoma MALT de baixo grau.
O controle da erradicação deve ser realizado após, pelo
menos, 8 semanas do final do tratamento, com testes não-
invasivos, como teste respiratório com uréia marcada, quan-
do não houver indicação para endoscopia. Nesta, a pesquisa
pode ser feita por teste da urease ou por histologia. Anti-se-
cretores deverão ser suspensos de 7 a 10 dias antes do exa-
me de controle da erradicação, pois causam resultados falsos
negativos. Também podem ocorrer falsos negativos após he-
morragia digestiva.
A - Esquemas de tratamento
Esquema 1-7 dias
(associado com cura
Esquema 11- 7 dias Esquema 11I - 7 dias
em mais de 90% dos
casos)
IBP em dose padrão IBP em dose padrão IBP em dose padrão
Amoxicilina, 1,Og Furazolidona, Furazolidona,
Claritromicina, 200mg,2x/dia 200mg, 3x/dia
SOOmg, 2x/dia Claritromicina, Cloridrato de
SOOmg,2x/dia tetraciclina, SOOmg,
4x/dia
B - Retratamento do H. py/ori
Após a falência de um dos tratamentos iniciais propostos
pelo Consenso Brasileiro, recomendam-se mais 2 tentativas
de tratamento, com duração de 10 a 14 dias, não repetindo
nem estendendo o esquema inicial. Os esquemas a serem
utilizados são dependentes do tratamento inicial. Segundo as
recomendações do Consenso Brasileiro, temos:
-
iMedcel
a) Se foi utilizado esquema I ou II
1~ opção I 2~ opção
(2x/dia, por 10-14 dias) (lx/dia, por 10 dias)
IBP em dose plena
Amoxicilina, 1,Og
(ou doxiciclina, 100mg)
Furazolidona, 200mg
Sal de bismuto, 240mg
IBP (dose plena)
Amoxicilina, 1,Og (ou furazolidona,
400mg) Levofloxacina, SOOmg
b) Se o inicial foi esquema 111
1a - -E I 12~ opção = 1~ opção se utilizado
- opç~o - sque.ma Esquema I ou 11
(2x/dla, por 7 dias) (2x/dia, por 10-14 dias)
IBP em dose plena
Amoxicilina, 1,Og (ou doxiciclina,
100mg)
Furazolidona,200mg
Sal de bismuto, 240mg
IBP em dose plena
Amoxicilina, 1,Og
Claritromicina,SOOmg