Capítulo 11 - Síndromes Pós Operatórias Gástricas
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Capítulo 11 - Síndromes Pós Operatórias Gástricas


DisciplinaFisiopatologia da Nutrição99 materiais1.154 seguidores
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gos da somatostatina, como a octreotida, a fim de diminuir a
liberação dos neuro-hormônios.
Apenas 1% dos pacientes não melhora com o tratamen-
to clínico, sendo necessária a reintervenção cirúrgica. Nesses
casos, podem-se tentar a interposição de alça jejunal aniso-
peristáltica de 10cm (posicionada entre o coto gástrico e o
duodeno) ou a conversão em Y-de-Roux.
B - O dumping tardio
Bem mais rara que o dumping precoce e também deno-
minada hipoglicemia reativa, essa síndrome pode vir isolada-
mente ou em associação com o dumping precoce. Ocorre em
menos de 2% dos pacientes gastrectomizados, e os sintomas
são ocasionados pela hiperinsulinemia. Como os alimentos
são rapidamente esvaziados do estômago, há absorção rápida
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de glicose, causando aumento dos níveis glicêmicos e hiperin-
sulinemia reativa cerca de 1,5 a 3h após a refeição, gerando
hipoglicemia. A hiperinsulinemia é regulada por meio do ente-
roglucagon secretado pelo intestino.
O paciente apresenta apenas sintomas vaso motores e
não gastrintestinais, decorrentes de liberação de catecolami-
nas estimulada pela hipoglicemia. Todos os sintomas são ali-
viados pela ingestão de carboidratos. Esses 2 fatores, associa-
dos ao intervalo de tempo entre a refeição e o aparecimento
dos sintomas, facilitam a diferenciação entre as síndromes de
dumping tardio e precoce.
O tratamento clínico com orientação dietética, o uso de
drogas que retardam a absorção dos carboidratos (como a
pectina) e mesmo a observação clínica, geralmente, são su-
ficientes para a resolução do quadro. As tentativas cirúrgicas
são reservadas para os casos graves com insucesso do trata-
mento clínico, e as técnicas utilizadas são as mesmas realiza-
das nos casos de dumping precoce.
Neste, costuma-se orientar a dieta para aumento de lipí-
dias e proteínas e diminuição dos carboidratos. E, no dumping
tardio, deve-se aumentar a ingesta de carboidratos, porém de
forma fracionada.
6. Gastrite alcalina
Quando a barreira pilórica é quebrada, através de piloro-
plastia, gastrectomia ou anastomose gastroentérica, há pas-
sagem do líquido alcalino biliopancreático para o estômago
em quantidades excessivas.
Figura 1-Aspecto endoscópico da gastrite alcalina; notar o coto gás-
rico e as alças aferente e eferente
É mais comum nas derivações ou reconstruções a Billroth
li, mas também pode ocorrer nas Billroth I. O quadro clínico
foi descrito no século XIX, caracterizado, primordialmente, por
dor epigástrica e vômitos biliosos, os quais não aliviam a dor.
As alterações da motilidade gástrica e o refluxo enterogástrico
anormal, com a perda da barreira mucosa gástrica, são os res-
ponsáveis pelo processo etiopatogênico. Recentemente, vem
sendo implicada na gênese do câncer de coto gástrico, por
meio de processos crônicos sucessivos de gastrite, metaplasia
intestinal, displasia e câncer do tipo intestinal de Laurren.
Suspeita-se do diagnóstico com anamnese e exame físico
cuidadosos associados à endoscopia digestiva alta, a qual deve
observar a região perianastomótica e realizar a sua biópsia.
O tratamento clínico da gastrite alcalina consiste na pres-
crição de pró-cinéticos, antiácidos que contêm alumínio,
quelantes dos sais biliares, como a colestiramina, e bloqueá-
dores da secreção ácida gástrica; é importante salientar que
nenhum tratamento medicamentoso provou ser efetivo em
estudos. Nos casos que não respondem ao tratamento clíni-
co, está indicada a conversão de BII ou BI em Y-de-Roux, com
a alça a 45cm abaixo da gastrojejunostomia, pois cursa com
menor refluxo enterogástrico.
Figura2 - Tratamento da gastrite alcalina- conversão de BIIem Y-de-Roux
7. Síndrome da alça aferente
Tal síndrome é secundária à obstrução da alça aferente,
na anastomose com o estômago ou antes dela, provavelmen-
te nos casos de alças aferentes longas. Deve-se lembrar que
só ocorre nas reconstruções à Billroth 11.
Como os sintomas são geralmente crônicos, secundários
ao mau esvaziamento da alça aferente no estômago, o trata-
mento é, em geral, cirúrgico, com conversão da anastomose
a Billroth 11 em Y-de-Roux.
Figura 3 - Síndrome da alça aferente
MEDCEL - PRINCIPAIS TEMAS EM GASTROENTEROLOGIA
8. Síndrome da alça eferente
Bem menos comum que a síndrome da alça aferente,
este quadro decorrente de complicações em uma anasto-
mose gastrojejunal a Billroth 11caracteriza-se por vômitos
pós-prandiais de conteúdo alimentar, precedidos de náu-
seas e distensão abdominal. Ocorre por mau esvaziamento
do estômago devido ao estreitamento anastomótico ou à
angulação da alça eferente da anastomose a BII. Os pacien-
tes têm distensão gástrica e melhoram com a liberação do
conteúdo alimentar por meio de vômitos; por vezes, che-
gam a provocá-Ios para aliviar os sintomas. Na fase aguda,
pode ser difícil diferenciar da gastroparesia que acontece
após gastrectomias ou vagotomias.
Usualmente, o tratamento clínico com pró-cinéticos,
fracionamento e modificação para dieta pastosa ou até o
uso de drenagem gástrica melhoram o quadro na fase agu-
da. Nos casos com obstrução mecânica comprovada e na-
queles que não respondem com tratamento inicial, pode
ser necessária uma reintervenção cirúrgica com gastrecto-
mia e nova anastomose gastrojejunal, preferencialmente
em Y-de-Roux.
9. Conclusão
Em razão da alta freqüência de síndromes pós-gastrecto-
mias nos pacientes submetidos à reconstrução a Billroth 11,
cada vez mais esse tipo de reconstrução vem sendo substi-
tuída pelo Y-de-Roux. Como as operações para o tratamento
de úlceras pépticas apresentam um visível declínio e a sua re-
alização tem se restringido às situações de emergência, com
a opção por procedimentos minimamente invasivos, como a
simples sutura, a tendência é nos depararmos cada vez me-
nos com todas essas síndromes. Entretanto, pelo seu valor
histórico e pelo aumento nas indicações de operações bariá-
tricas e metabólicas, é possível encontrarmos em breve uma
nova face dos mesmos sintomas.
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