EconomiaI - resumo até a 3a aula-1
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EconomiaI - resumo até a 3a aula-1


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 Universidade do Estado do Rio de Janeiro 
Faculdade de Direito 
Economia Política I em 2013\u201002 
Professora: Iraci Matos Vasconcellos 
 
 
Parte I: Tópicos em História do Pensamento Econômico1 
 
\uf076 Bibliografia básica: 
 
\uf0fc ARAÚJO, C. R.V. História do Pensamento Econômico \u2013 uma abordagem  introdutória. 
11ª Ed. São Paulo: Atlas, 1988.  
 
\uf0fc KUNT, E. História do Pensamento Econômico \u2013 7ª Ed. Rio de Janeiro: Campus, 1989.  
 
\uf0fc MANKIW, N. Gregory. Introdução à Economia. São Paulo: Cengage Learning, 2009.  
 
1ª aula: Razões principais que levam ao estudo da Economia (25/09/2013) 
Referência: MANKIW: 1º capítulo. 
\uf076 Motivação para o estudo da Economia2. 
 
A palavra Economia vem do grego OIKONOMOS e significa \u201caquele que administra o lar\u201d. Os 
lares e as economias têm muito em comum: uma família precisa tomar decisões,  já que os 
recursos monetários e o tempo são escassos.   
 
Os  economistas  estudam  como  os  agentes  econômicos  (famílias,  empresas  e  Governo) 
tomam decisões: o quanto trabalham, o que compram, quanto poupam ou investem etc. 
 
Toda  vez  que  um  agente  econômico  toma  uma  decisão  de  realizar  uma  atividade,  está 
abrindo mão de outra atividade que poderia  fazer, o que  chamamos de  tradeoff  (ou uma 
escolha conflitante). 
 
\uf0a7 Exemplo 1: tradeoff enfrentado por um aluno que, ao terminar o ensino médio, 
deve decidir entre frequentar uma universidade ou trabalhar. 
 
\uf0a7 Exemplo 2: tradeoff enfrentado hoje pelas nações entre um meio ambiente sem 
poluição ou um máximo nível de renda. 
                                                            
1  Este  documento  apresenta  um  resumo  do  que  foi  apresentado  nas  aulas.  No  entanto,  não  as  substitui.  Tampouco 
substitui a leitura sugerida na referência bibliográfica. 
2 Para motivação completa do estudo da Economia, leia o capítulo 1 do Mankiw (2009), conforme referência bibliográfica. 
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Como  as  pessoas  enfrentam  tradeoffs,  a  tomada  de  decisões  exige  comparar  os  custos  e 
benefícios de possibilidades  alternativas de  ação. O  custo de oportunidade de um  item é 
aquilo de que você abre mão para obtê\u2010lo.  
\uf0a7 Exemplo:  um  estudante  que  precisa  decidir  como  alocar  seu  recurso  mais 
precioso  \u2013  o  tempo.  Ele  pode  decidir  gastar  o  tempo  estudando  Economia  ou 
Direito. Para cada hora que passa estudando qualquer uma das disciplinas, abre 
mão de uma hora que poderia usar para estudar a outra ou fazer qualquer outra 
atividade. Dado qualquer uma das opções, a escolha acarretará em um custo. Isto 
é: se decidir estudar Economia haverá um custo ou uma perda associado ao fato 
de não estudar Direito. Este custo é chamado de \u201ccusto de oportunidade\u201d. 
Na maioria das sociedades, os recursos são alocados não por um único planejador central, 
mas  pelos  atos  combinados  de  milhões  de  famílias  e  empresas.  Assim,  os  economistas 
estudam como os agentes tomam decisões. E para  isso, a Economia é dividida em Micro e 
Macro. 
A Microeconomia  estuda o  comportamento das  famílias  (ou  consumidores)  e  empresas e 
como interagem nos mercados.  
A Macroeconomia estuda os  fenômenos que afetam e economia como um  todo,  incluindo 
crescimento econômico, inflação e desemprego, sistema monetário, economia internacional. 
Dado  que  os  recursos  são  escassos,  a  preocupação  principal  da  Economia  moderna  é  a 
alocação ótima dos recursos. 
 
2ª aula: Capitalismo (30/09/2013) 
Referência: KUNT: 1º capítulo; ARAÚJO: 2º capítulo. 
\uf0b7 Como funciona o sistema econômico capitalista? 
\uf0b7 O que determina o volume de produção? 
\uf0b7 Qual é a origem do crescimento econômico? 
\uf0b7 Como é feita a distribuição da riqueza e da renda? 
 
 
As questões acima foram propostas pelos autores da chamada \u201cEscola Clássica\u201d. O conjunto 
de autores da escola Clássica tinha características comuns que os uniam na mesma escola. As 
respostas para as perguntas acima tem variações entre os autores. 
 
Antes  de  responder  as  questões  acima,  vamos  estudar  o  sistema  capitalista  e  as 
características principais, dado que o sistema econômico do qual os Clássicos escreveram era 
o capitalista. A compreensão da natureza do sistema econômico é dada pela definição pelo 
modo de produção no qual se baseia [produz para um mercado ou para consumo próprio de 
um grupo específico? A mercadoria tem valor de uso ou valor de troca?], isto é, pelas forças 
produtivas e pelas relações sociais de produção [as relações são pessoais ou impessoais?].  
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\uf076 Capitalismo 
 
O capitalismo não surgiu com Adam Smith (1723 \u2013 1790), o \u201cpai da economia clássica\u201d, e sim 
por um processo lento de um período de vários séculos. Embora não haja um acordo geral da 
definição de capitalismos, trata\u2010se de o um modelo de organização econômico caracterizado, 
segundo KUNT (1989), por quatro conjuntos de esquemas institucionais e comportamentais:  
 
1) Produção de mercadorias orientada pelo mercado;  
 
O  modo  de  produção  capitalista  é  definido  pelo  excesso  na  produção,  o  se  chama  de 
excedente  (KUNT  chama  de  \u201cexcedente  social\u201d).    A  produção  não  é  um  meio  direto  de 
satisfação  de  necessidades,  ou  seja,  as  mercadorias  não  têm  apenas  valor  de  uso.    O 
mercado permite  adquirir moeda pela  troca de produtor por moeda ou outro produto. A 
moeda pode ser utilizada na aquisição dos produtos desejados por seu valor de uso. Os bens 
podem ser trocados pelo seu valor de troca. Assim, a sociedade é caracterizada como voltada 
para a produção de mercadorias. A relação entre as pessoas é dada pelo mercado e assim, 
são  interpessoais,  isto é, uma pessoa não  tem qualquer  ligação direta com as pessoas que 
produzem as mercadorias que consome.  
 
2) Propriedade privada dos meios de produção;  
 
Uma  pessoa  ou  um  grupo  tem  direito  sobre  os  insumos  de  produção  (máquinas, 
equipamentos, matérias\u2010primas,  edifícios  etc.).  Isso  define  duas  classes:  as  detentoras  do 
capital e aquelas que podem ofertas apenas a sua forma de trabalho, como mostra a terceira 
característica. 
 
3) Um grande  segmento da população que não pode existir, a não  ser que venda  sua 
força de trabalho no mercado;  
 
No mercado de trabalho, o vendedor é o trabalhador. Ele vende a sua força de trabalho por 
um preço chamado salário. Os capitalistas são demandantes. 
 
4) Comportamento individualista, maximizador. 
 
O comportamento  individualista, que é considerado uma motivação natural é  fundamental 
para o sistema capitalista. Se cada um tiver fazendo o melhor que pode, tornando máximo o 
seu  desejo,  o  bem\u2010estar  social  será  alcançado. Mas  recentemente,  pode\u2010se  incluir  a  livre 
iniciativa como característica fundamental ao sistema. 
 
 
"Não  é  da  benevolência  do  açougueiro,  do  cervejeiro  ou  do  padeiro  que  esperamos  o 
almoço, senão da defesa de seus próprios interesses"  Smith (1723 \u2013 1790). 
 
 
\u201cNão há almoço grátis\u201d. Milton Friedman (1912 \u2013 2006). 
 
 
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\uf076 Capitalismo na Constituição Brasileira 
 
 
O  Brasil  adota  o  capitalismo, mas  onde  podemos  provar  isto? O  grau  de  participação  do 
Estado  depende  do  tipo  de  organização  expresso  na Ordem  Constitucional  Econômica  da 
Constituição de 1988: 
 
Artigo  170  \u2010 A  ordem  econômica,  fundada  na  valorização  do  trabalho  humano  e  na  livre 
iniciativa,  tem por  fim assegurar a  todos existência digna,  conforme os ditames da  justiça 
social, observados os seguintes princípios: 
 
I \u2010 soberania nacional; 
II \u2010 propriedade privada; 
III \u2010 função social da propriedade; 
IV \u2010 livre concorrência; 
V \u2010 defesa do consumidor; 
VI \u2010 defesa do meio ambiente; 
VII \u2010 redução das desigualdades regionais e sociais; 
VIII \u2010 busca do pleno emprego; 
IX \u2010 tratamento favorecido para as empresas