EconomiaI - resumo até a 3a aula-1
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EconomiaI - resumo até a 3a aula-1


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brasileiras de capital nacional de pequeno 
porte. 
 
Assim, a Constituição de 1988 adota o modelo de organização econômica capitalista, sendo a 
livre iniciativa principio fundamenta da República.  
 
Um dos objetivos do curso é entender o funcionamento do sistema capitalista  interpretado 
por  alguns  autores  clássicos,  a  partir  de  Adam  Smith.  Muitas  das  questões  e  teorias 
elaboradas pelos autores selecionados são de uso prático até nos dias de hoje. 
 
Outras  escolas  surgiram  desde  estão,  como  por  exemplos  os  Neoclássicos  e  a  Escola 
Keynesiana.  No  entanto,  o  foco  da  parte  I  do  curso,  é  com  o  pensamento  econômico 
Clássico.  Para  entendê\u2010lo,  é  necessário  levarmos  em  conta  as  condições  institucionais  e 
históricas em que os autores da época viveram. 
 
 
3ª aula: Idéias Anteriores a Adam Smith (02/10/2013) 
Referência: KUNT: 1º, 2º e 3º capítulos; ARAÚJO: 3º capítulo. 
 
Não acho que o capitalismo seja justo. O capitalismo é uma fatalidade, não tem 
saída.  Ele  produz  desigualdade  e  exploração. A  natureza  é  injusta. A  justiça  é 
uma invenção humana. Um nasce inteligente e outro burro. Um nasce atlético, o 
outro aleijado. Quem que corrigir essa injustiça somos nós. A capacidade criativa 
do capitalismo é fundamental para a sociedade se desenvolver, para a solução da 
desigualdade, porque é só a produção de riqueza que resolve  isso. A função do 
Estado é impedir que o capitalismo leve a exploração ao nível que ele quer levar. 
Ferreira Gullar (Revista Veja, 23/09/2012). 
 
 
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\uf076 Economia pré\u2010capitalista 
 
Os Clássicos sucederam aos mercantilistas e  fisiocratas. Mas, antes mesmo de entender as 
principais características econômicas desses dois grupos, vamos passar pela economia pré\u2010
capitalista.  
 
O  sistema  era  organizado  segundo  o  modelo  feudalismo,  baseado  em  trocas  e  não  na 
produção.  Possui  hierarquia  onde  os  fortes  protegiam  os  fracos,  ou  seja,  as  relações  não 
eram impessoais. 
 
Parece ser um consenso que a disseminação do comércio foi a mais  importante  força para 
desintegração  do  feudalismo  medieval.  Assim,  o  capitalismo  surgiu  com  o  crescimento, 
intensificação  e  expansão  do  comércio,  que  por  sua  vez,  surgiu  dado  o  aumento  da 
produtividade  agrícola  [mesmo  trabalho  em  menos  horas,  melhores  técnicas,  mais 
habilidades, novos insumos] e o consequente excedente em alimentos e manufaturas.  
 
A  expansão  do  comércio  levou  ao  surgimento  dos  negócios  de  longas  distâncias  e  ao 
estabelecimento de  cidades  industriais para  servir o  comércio, provocando mudanças que 
romperam os laços da estrutura econômica feudal. 
 
Outras mudanças significativas contribuíram para o declínio do sistema senhorial e o avanço 
para a transição ao capitalismo: 
 
\uf0b7 Guerra dos Cem Anos (1337\u20101453) que estabeleceu a inquietação e desordem entre a 
França e Inglaterra; 
\uf0b7 Peste  negra  (1348\u20101349)  que  reduziu  a  população  inglesa  de  4  milhões  para  2,5 
milhões de habitantes; 
\uf0b7 Surgimento  da  classe  trabalhadora  (após  1500)  que  tinha  na  venda  da  força  de 
trabalho  a  única  possibilidade  de  sobrevivência  (antes  eram  protegidos  pelos 
senhores feudal ou pela Igreja); 
\uf0b7 Movimento dos Cercamentos nos séculos XV e XVI (onde habitantes foram expulsos 
do campo e forçados a buscar sustento nas cidades); 
\uf0b7 Despertar  intelectual  no  século  XVI  que  promoveu  o  processo  cientifico  e 
aprimoramento da prática da navegação. Isto tudo levou as Grandes Descobertas. 
 
\uf076 Mercantilismo: a primeira fase do capitalismo 
 
As preocupações mercantilistas eram, sobretudo, com a política econômica, com saldos na 
balança  comercial,  com  o  estoque  de  metais  preciosos  e  com  o  poder  do  Estado. 
Caracterizou\u2010se  por  uma  forte  intervenção  do  Estado  na  economia,  incluindo  excessivo 
protecionismo. Consistiu numa série de medidas  tendentes a unificar o mercado  interno e 
teve como finalidade a formação de fortes Estados\u2010nacionais.  
 
Os pensadores econômicos do mercantilismo acreditavam que a fonte de lucro era a troca e 
não a produção, como no sistema capitalista. A explicação para eles acreditarem que o lucro 
vinha da troca está relacionada ao período altamente  inflacionário,  implicando assim que a 
cada troca, o  lucro fosse aumentado. Desta forma, eles não conseguiram explicar de forma 
adequada de onde vinha o lucro, dado a instabilidade dos preços. 
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Outra  teoria  pouco  explicada  era  como  se  determinava  o  valor  da  mercadoria.  Havia 
diferentes opiniões e dúvidas como: \u201co valor de um bem era determinado pelos custos de 
produção ou era associado ao valor de uso?\u201d 
 
Assim, o principal problema dos filósofos em explicar teoricamente o modelo econômico era 
o período de transição em uma economia inflacionária. Adicionalmente, havia o problema da 
Igreja Católica  cuja  crença  cristã protecionista  ainda  era muito  forte. Com  a  expansão do 
comercio,  a  visão  protecionista  foi  sendo  rejeitada  por  grande  segmento  de  filósofos  e 
economistas que estavam formulando a nova filosofia do individualismo: os motivos pessoais 
e egoístas eram os motivos básicos quando não únicos que  levavam o homem a agir.   Na 
obra  \u201cLeviathan  (1651)\u201d,  Hobbes  afirmou  que  até  a  compaixão  era  um  tipo  de  auto\u2010
interesse. 
 
Surgiu  também  a  teologia  protestante  para  confirmar  a  ética  individualista,  o  que 
transformou em  virtudes os motivos pessoais e egoístas. A doutrina dizia que os homens 
eram justos pela fé e não pelas obras. 
 
As  transformações que estavam acontecendo não permitiram a  construção de uma  teoria 
econômica coerente. Os pensadores não forma capazes de entender a economia capitalista, 
mesmo porque ainda não havia todas as características do novo sistema. 
 
\uf076 Fisiocratas  
 
Trata\u2010se de um grupo que  falava da maior  liberdade comercial, bem com de uma  força de 
trabalho  dotada  de  maior  mobilidade;  mostravam  que  o  excesso  de  regulamentação  e 
intervenção  governamental,  preconizado  pelos  mercantilistas,  já  não  se  ajustava  às 
necessidades da expansão econômica. O estudo deles era  focado no problema da França. 
Eles  acreditavam  em  uma  lei  natural  de  governança  e  afirmaram  que  os  dirigentes  não 
entendiam  esta  lei  natural.  Queria  reestruturar  o  Estado  abolindo  as  inúmeras  tarifas, 
impostos, subsídios e transformar tudo isso em um único imposto. 
 
Para  eles,  a  verdadeira  riqueza  das  nações  vinha  da  agricultura,  era  de  onde  vinha  o 
excedente  econômico  [não  é  difícil  entender  dado  que  o  mundo  antes  da  revolução 
industrial era essencialmente agrícola, só a terra tinha a capacidade de multiplicar a riqueza]. 
O processo de produção deles mostra a distribuição de renda, a circulação de moeda e das 
mercadorias. Mesmo assim, o principal problema dos fisiocratas como corrente, cujo pai era 
François Quesnay (1694\u20101774), é que não apresentaram uma doutrina completa e coerente 
como a escola Clássica.  
 
Uma hipótese é que os economistas pré\u2010Smith entendiam o mercado e o sistema econômico 
dado pelas circunstâncias da época, dentre eles: a)  inflação  (dada pela enxurrada de ouro 
nos séculos XVI e XVII; b) o custo de produção variava muito de um lugar para o outro. Não 
havia um consenso, por exemplo, de com era determinado o preço de um bem, o que deu 
origem na chamada Teoria do Valor. Alguns defendiam que o preço era determinado pelos 
custos de produção. E outros já entendiam que o preço a ser cobrado dependia do mercado. 
 
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Conclusão:  pensadores  econômicos  anteriores  a  Smith  não  apresentaram  uma  analise 
coerente  e  completa  do  modelo  capitalista,  o  que  se  justifica  não  pela  incapacidade 
intelectual, mas porque as transições