Capítulo 14 - Má Absorção Intestinal
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Capítulo 14 - Má Absorção Intestinal


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artralgias;
- Biópsia duodenal com macrófagos PAS-positivo com característi-
cas de bacilos.
c -Supercrescimento bacteriano
No intestino delgado, existe uma quantidade de bactérias,'
normalmente em simbiose com o meio intestinal. O super-
crescimento de bactérias no intestino delgado pode determi-
nar a má absorção por inúmeros mecanismos.
A desconjugação dos sais biliares causa a inadequada for-
mação de micelas, resultando na má absorção de gorduras
com esteatorréia. A proliferação bacteriana cO.Q?0me nu-
trientes, reduzindo a absorção de vitamina B12 e hidrãtos de
carbono. As bactérias também causam danos, diretamente,
na mucosa intestinal (células epiteliais e da borda em esco-
va), impedindo a absorção de açúcares e proteínas. A passa-
gem dos ácidos biliares não-absorvidos e hidratos de carbono
para os cólons determina as dlarréias osmótica e secretora. O
supercrescimento bacteriano é uma importante causa de má
absorção no idoso, talvez porque há um decréscimo da acidez
gástrica ou motilidade intestinal diminuída. As causas para o
crescimento bacteriano incluem:
- Acloridria gástrica;
- Anormalidades anatômicas do intestino delgado com
estagnação (alça aferente da gastroenteroanastomose
Billroth 11, divertículos do intestino delgado, obstrução
intestinal, alça cega e enterite por radiação);
- Mobilidade intestinal prejudicada (esclerodermia, diabe-
tes, pseudo-obstrução intestinal crônica);
- Fístulas intestinais nas doenças de Crohn (gastrocólica
ou coloentérica), cânceres e ressecções cirúrgicas;
-Causas associadas: AIOS e pancreatite crônica.
O tratamento consiste na correção do defeito anatômico
que está potencializando o processo. O uso de antibióticos,
de amplo espectro, contra agentes anaeróbicos e aeróbicos,
por 1 a 2 semanas, promove a melhora progressiva do pa-
ciente. O uso continuado de antibióticos deve ser evitado,
pelo risco de resistência bacteriana.
o- - Síndrome do intestino curto
Essa síndrome é uma condição de má absorção que se
instala após a remoção de grandes segmentos do intestino
delgado. As causas mais comuns são doença de Crohn, infar-
to mesentérico, enterite por radiação e trauma. Na pediatria,
como causas encontram-se malformações congênitas em que
o cirurgião é obrigado a retirar grandes porções intestinais.
O tipo de má absorção depende da extensão e topografia da
ressecção e do grau de adaptação do intestino remanescente.
O quadro clínico é dominado pela diarréia e perda de peso.
Há uma série de modificações adaptativas que aumentam
a capacidade absortiva por unidade de superfície do intestino
remanescente, além do retardo no esvaziamento gástrico e na
velocidade do intestino residual. Ressecções de 40 a 50% do
comprimento total do delgado são toleráveis. Quanto maior a
iModcel MÁ ABSORÇÃO INTESTINAL
ressecção intestinal, maiores as perdas de água e eletrólitos,
além dos desequilíbrios já citados. Em média, até 100cm de
jejuno proximal pode ser suficiente para manter o equilíbrio
nutricional com dietas orais somente, apesar de as perdas de
água e eletrólitos se manterem. A adaptação gradual ocorre
em, aproximadamente, 1 ano.
Já os pacientes com ressecções maiores, nos casos em
que estejam presentes menos de 100cm de jejuno proximal,
necessitam de suplementação enteral específica (dietas ele-
mentais ou poliméricas). A nutrição parenteral pode ser ne-
cessária nos casos graves (taxa de mortalidade em torno de 2
a 5% ao ano). A morte dos pacientes com nutrição parenteral
crônica é -decorrente das doenças hepáticas induzidas por
quadro disabsortivo, infecção generalizada, perda de acesso
venoso e infecções dos cateteres centrais. O transplante in-
testinal está indicado nos casos extremos, com uma taxa de
sobrevida em 5 anos de 60 a 70%.
A ressecção do íleo terminal resulta na má absorção de
sais biliares e vitamina B12, os quais são absorvidos nessa
região. Nos casos de pouca perda intestinal, os pacientes te-
rão de receber suplementação de vitamina B12. Nas maiores
ressecções desse segmento ileal, a má absorção de sais bi-
liares estimula a secreção de fluidos dos cólons, resultando
em diarréia aquosa. Devem ser tratados com quelantes de
sais biliares (colestiramina, de 2 a 4g, 3x ao dia, com as re-
feições).
Esteatorréia pode estar associada, além de perdas de vi-
taminas lipossolúveis. Empregam-se dietas com baixas gordu-
ras, vitaminas e suplementos de gorduras de cadeias médias,
que não necessitam de micelas para a sua absorção. Gorduras
não-absorvidas ligam-se ao cálcio, também reduzindo a sua
absorção. Calculose renal ocorre por cristais de oxalato. Re-
posição oral de cálcio favorece a ligação de oxalato e aumenta
os níveis séricos de cálcio. Há calculose biliar por colesterol,
devido ao decréscimo dos sais biliares (ciclo entero-hepático
diminuído). Se tiver ocorrido ressecção da válvula íleo-cecal
(ressecção do ceco e cólon ascendente, comuns na hemico-
lectomia direita), há a contaminação bacteriana do intestino
delgado em grau maior, complicando a má absorção.