A cibercultura e seu espelho
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A cibercultura e seu espelho


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que associassem o lexicograma (imagem) a uma nova série de objetos. Nesta 
última etapa, Lana, a chimpanzé cujo aprendizado diferia dos demais por ter sido instruída por 
meio de um computador formas de interações linguísticas mais estereotipadas, fracassou. Os 
demais haviam aprendido a linguagem gestual ediante interações com humanos e com outros 
chimpanzés. O que o estudo mostrou é que Lana operava em um domínio linguístico mais 
empobrecido que os demais, o que a incapacitava de generalizar as categorias.
Diante dessas revelações, como pensar em nosso devir se a interação humano-
computador- humano, ou simplesmente a comunicação mediada por computador, é cada vez 
mais caracterizada por uma linguagem artificial? É indubitável que esses sistemas online 
propiciam envolvimento emocional e possíveis acoplamentos de longo termo entre indivíduos. 
Entretanto, mesmo com os avanços das interfaces, a interação humano-computador-humano, se 
comparada à experiência dos acoplamentos presenciais e da ação no espaço concreto, é limitada 
quanto à interação sensório-motora e não garante um enriquecimento do domínio linguístico, 
como a experiência dos três chipanzés mostrou. 
A dificuldade para se desenhar esses sistemas de interação humano-computador-humano 
reside no fato de que as interações não são instrutivas, não são resultado de um agente 
perturbador. O que acontece durante uma interação é determinado pela dinâmica estrutural 
desse sistema. A comunicação não depende daquilo que se entrega, mas do que acontece com o 
receptor (MATURANA; VARELA, 2005, p. 218). Como então desenhar esses sistemas de 
interação para que possam ser de fato sistemas sociais no sentido de Maturana e para que sejam 
propícios aos acoplamentos consensuais salvaguardando a capacidade de se emocionar e de 
reagir afetivamente? 
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