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Negócios jurídicos 
Ahyrton Lourenço Neto*
Interpretação dos negócios jurídicos 
Como as leis, os contratos devem ser interpretados, pois suas cláusulas 
nem sempre são muito claras.
Em regra, a manifestação da vontade das pessoas perfaz-se de forma es-
crita no contrato, mas, quando há obscuridade que leva à dúvida na inten-
ção das pessoas, o atual Código Civil disciplina que se deve prevalecer a real 
intenção da vontade das partes sobre o que foi escrito.
Prestigia o Código Civil no tocante à interpretação a boa-fé, os usos e os 
costumes de cada região. Dessa forma, a boa-fé é presumida e a má-fé deve 
ser provada.
Além disso, observa o legislador civilista que os negócios jurídicos bené-
ficos, como a doação pura e a renúncia, devem ser interpretados de forma 
estrita.
CC,
Art. 112. Nas declarações de vontade se atenderá mais à intenção nelas consubstanciada 
do que ao sentido literal da linguagem.
Art. 113. Os negócios jurídicos devem ser interpretados conforme a boa-fé e os usos do 
lugar de sua celebração.
Art. 114. Os negócios jurídicos benéficos e a renúncia interpretam-se estritamente.
Dispositivos sobre interpretação 
Contrato de adesão \u2013 cláusulas ambíguas \u2013 interpretação mais favorá- \ufffd
vel ao aderente.
CC,
Art. 423. Quando houver no contrato de adesão cláusulas ambíguas ou contraditórias, 
dever-se-á adotar a interpretação mais favorável ao aderente.
* Professor de Direito Civil, 
Direito do Consumidor e 
Direito Internacional Pú-
blico, ministrando aulas 
presenciais e telepre-
senciais. Especialista em 
Administração Tributária, 
pela Universidade Castelo 
Branco (UCB). Graduado 
em Direito, pela Pontifí-
cia Universidade Cató-
lica do Paraná (PUCPR). 
Advogado.
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Negócios jurídicos
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Transação \ufffd 1 \u2013 interpretação restritiva.
CC,
Art. 843. A transação interpreta-se restritivamente, e por ela não se transmitem, apenas se 
declaram ou reconhecem direitos.
Fiança \u2013 não admite interpretação extensiva. \ufffd
CC,
Art. 819. A fiança dar-se-á por escrito, e não admite interpretação extensiva.
Testamento \u2013 interpretações diferentes \u2013 prevalece a vontade do tes- \ufffd
tador.
CC,
Art. 1.899. Quando a cláusula testamentária for suscetível de interpretações diferentes, 
prevalecerá a que melhor assegure a observância da vontade do testador.
Consumidor \u2013 CDC \u2013 prevalece a cláusula mais favorável ao consumidor. \ufffd
CDC,
Art. 47. As cláusulas contratuais serão interpretadas de maneira mais favorável ao 
consumidor.
Elementos essenciais gerais 
e particulares e elementos acidentais 
Os elementos essenciais são imprescindíveis à existência do negócio jurí-
dico, sem os quais os negócios jurídicos ficam sem substância, dividindo-se 
em:
gerais \u2013 \ufffd quando são comuns à generalidade dos negócios jurídicos \u2013 
objeto lícito, possível e determinável; capacidade e vontade das partes;
particulares \u2013 quando a lei exige para a consecução de um negócio \ufffd
jurídico determinado uma formalidade ou uma forma especial.
Os elementos acidentais são estipulações de cláusulas acessórias que as 
partes podem adicionar em seus negócios jurídicos, para modificar uma ou 
mais de suas consequências naturais, tais como condição, termo ou encargo 
(modo).
1 Art. 840. É lícito aos in-
teressados prevenirem ou 
terminarem o litígio me-
diante concessões mútuas.
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Negócios jurídicos
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Elementos essenciais gerais 
Todos os negócios jurídicos devem ter:
Capacidade
Objeto lícito, 
possível e 
determinado
Vontade livre, 
consciente e 
de boa-fé
Negócios 
jurídicos
CC,
Art. 104. A validade do negócio jurídico requer:
I - agente capaz;
II - objeto lícito, possível, determinado ou determinável;
[...]
Capacidade do agente 
A capacidade do agente é elemento essencial para a validade dos negó-
cios jurídicos, pois sem ela a pessoa não pode expressar a sua vontade de 
forma livre.
A incapacidade absoluta acarreta, de per si, a nulidade do negócio jurídico.
CC,
Art. 166. É nulo o negócio jurídico quando:
I - celebrado por pessoa absolutamente incapaz;
[...]
Contudo, a incapacidade relativa somente pode ser invocada pelo pró-
prio incapaz ou por seu representante legal, ou se o objeto do direito ou da 
obrigação, proveniente do negócio jurídico, for indivisível, diante da impos-
sibilidade de separar o interesse dos contratantes.
CC,
Art. 105. A incapacidade relativa de uma das partes não pode ser invocada pela outra 
em benefício próprio, nem aproveita aos cointeressados capazes, salvo se, neste caso, for 
indivisível o objeto do direito ou da obrigação comum.
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Negócios jurídicos
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A lei brasileira permite três formas de representação.
Legal \ufffd \u2013 pessoas a quem a norma jurídica confere poderes para admi-
nistrar bens alheios \u2013 exemplos: pais, em relação aos filhos menores; tu-
tores, quanto aos pupilos; e curadores, quanto aos curatelados.
Judiciais \ufffd \u2013 os nomeados pelo magistrado para exercer certo cargo no 
foro ou no processo \u2013 exemplos: curador de herança jacente2; adminis-
trador judicial da massa falida.
Convencionais \ufffd \u2013 as pessoas que são nomeadas por vontade expressa 
ou tácita, escrita ou verbal, daquele que será representado \u2013 exemplo: 
procuradores em contrato de mandato.
CC,
Art. 115. Os poderes de representação conferem-se por lei ou pelo interessado.
Art. 116. A manifestação de vontade pelo representante, nos limites de seus poderes, 
produz efeitos em relação ao representado.
Art. 117. Salvo se o permitir a lei ou o representado, é anulável o negócio jurídico que o 
representante, no seu interesse ou por conta de outrem, celebrar consigo mesmo.
Parágrafo único. Para esse efeito, tem-se como celebrado pelo representante o negócio 
realizado por aquele em quem os poderes houverem sido subestabelecidos.
Art. 118. O representante é obrigado a provar às pessoas, com quem tratar em nome do 
representado, a sua qualidade e a extensão de seus poderes, sob pena de, não o fazendo, 
responder pelos atos que a estes excederem.
Art. 119. É anulável o negócio concluído pelo representante em conflito de interesses 
com o representado, se tal fato era ou devia ser do conhecimento de quem com aquele 
tratou.
Parágrafo único. É de cento e oitenta dias, a contar da conclusão do negócio ou da cessação 
da incapacidade, o prazo de decadência para pleitear-se a anulação prevista neste artigo.
Art. 120. Os requisitos e os efeitos da representação legal são os estabelecidos nas normas 
respectivas; os da representação voluntária são os da Parte Especial deste Código.
Lembrando
A capacidade não pode ser confundida com legitimação, pois em 
alguns casos a pessoa pode ser capaz para o exercício de um ato da vida 
civil, mas para poder executá-lo necessita de legitimação (aptidão para a 
prática de determinado ato). Por exemplo: venda de ascendente para 
descendente (CC, art. 496)3.
3 Art. 496. É anulável a 
venda de ascendente a des-
cendente, salvo se os outros 
descendentes e o cônjuge 
do alienante expressamen-
te houverem consentido.
2 Art. 1.819. Falecendo 
alguém sem deixar tes-
tamento nem herdeiro 
legítimo notoriamente co- 
nhecido, os bens da he-
rança, depois de arrecada-
dos, ficarão sob a guarda 
e administração de um 
curador, até a sua entrega 
ao sucessor devidamente 
habilitado ou à declaração 
de sua vacância.
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Negócios jurídicos
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Objeto lícito, possível