direito_civil_para_concursos_parte_geral_07
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naturais, são denominadas de 
elementos acidentais.
O objetivo dos elementos acidentais é modificar os efeitos normais do 
negócio jurídico, restringindo no tempo ou retardando o seu nascimento ou 
exigibilidade, e são classificadas em condição, termo ou encargo.
São utilizados nos contratos e testamentos, mas existem situações que 
não comportam os elementos acidentais4: casamento (condição ou termo); 
emancipação (condição); reconhecimento de filho (condição, termo ou encar-
go) etc.
Condição 
A condição é a cláusula que subordina o efeito do negócio jurídico a 
evento futuro e incerto, derivando exclusivamente da vontade das partes.
Um negócio jurídico terá condição quando seu efeito ficar subordinado a 
uma situação futura e incerta, por exemplo, na compra e venda de um imóvel 
em prestações, caso o vendedor ganhe na loteria, dará quitação ao comprador, 
não importando quantas parcelas foram pagas.
CC,
Art. 121. Considera-se condição a cláusula que, derivando exclusivamente da vontade das 
partes, subordina o efeito do negócio jurídico a evento futuro e incerto.
As condições podem ser classificadas:
4 Porque, eventualmente, 
pode ocorrer uma eman-
cipação com termo, um 
casamento com encargo 
etc.
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Negócios jurídicos
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Quanto à possibilidade
Podem ser classificadas como possíveis e impossíveis.
As possíveis são as condições que física ou juridicamente podem ser 
executadas.
Impossíveis são as condições que física ou juridicamente não se podem 
executar, tal como condicionar a venda de um bem à ida ao Sol ou negociar 
herança de pessoa viva.
Caso as condições físicas ou juridicamente impossíveis constituam con-
dições resolutivas ou suspensivas, serão consideradas inexistentes, assim 
como as contraditórias e as cláusulas que estabelecem condições ilícitas, ou 
de fazer coisas ilícitas.
CC,
Art. 123. Invalidam os negócios jurídicos que lhes são subordinados:
I - as condições física ou juridicamente impossíveis, quando suspensivas;
II - as condições ilícitas, ou de fazer coisa ilícita;
III - as condições incompreensíveis ou contraditórias.
Art. 124. Têm-se por inexistentes as condições impossíveis, quando resolutivas, e as de 
não fazer coisa impossível.
Quanto à licitude
As partes podem estabelecer qualquer condição que não seja proibida 
em lei, contrária à ordem pública ou aos bons costumes. Sendo ainda proibi-
da a condição que priva todo o efeito do negócio jurídico ou esteja no puro 
arbítrio de uma das partes.
CC,
Art. 122. São lícitas, em geral, todas as condições não contrárias à lei, à ordem pública ou 
aos bons costumes; entre as condições defesas se incluem as que privarem de todo efeito 
o negócio jurídico, ou o sujeitarem ao puro arbítrio de uma das partes.
Não se podem estabelecer condições ilícitas, tais como: recompensa se 
a pessoa viver em concubinato, entregar-se à prostituição, furtar certo bem; 
se casado, dispensar os deveres de coabitação e fidelidade mútua; mudar de 
religião, sair do emprego etc.
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Negócios jurídicos
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No caso de casamento, é ilícita se exigir situação absoluta \u2013 exemplos: 
proibido casar ou necessário manter a condição de viúva \u2013 mas se for relativa, 
é permitida \u2013 exemplo: proibido casar com certa pessoa.
Quanto à natureza
Legais \ufffd \u2013 serão condições necessárias se for inerente da natureza do ne-
gócio jurídico, não sendo classificada como uma condição tecnicamen-
te \u2013 exemplo: somente vende um imóvel se for com escritura pública.
Voluntárias \ufffd \u2013 são as condições que derivam da vontade das partes, 
são as condições autênticas.
Quanto à participação dos sujeitos
Casual \ufffd \u2013 se o evento depender de caso fortuito ou força maior \u2013 exem-
plos: chuva, eclipse, neve etc.
Potestativa \ufffd \u2013 se decorrer da vontade de apenas uma das partes:
puramente potestativa \ufffd \u2013 se decorrer do arbítrio ou capricho de uma 
das partes, sem influência de qualquer fator externo \u2013 exemplo:\u201cdou 
tal coisa se eu quiser\u201d \u2013 proibida, CC, art. 122, última parte;
simplesmente potestativa \ufffd \u2013 dependem de certo ato ou circuns-
tância \u2013 exemplo: \u201ddou uma soma em dinheiro a um piloto de corrida 
se ele chegar à Fórmula 1\u201d \u2013 são admitidas pela legislação brasileira 
porque não dependem exclusivamente de um capricho, e sim de 
fatores externos.
Mistas \ufffd \u2013 dependem simultaneamente da vontade de uma das partes e 
de terceiro \u2013 exemplo: \u201cdar-te-ei uma casa se casares com fulana\u201d.
Promíscuas \ufffd \u2013 são as condições que de início são simplesmente potes-
tativas, mas surge um fato externo, alheio, que torna a execução difícil 
ou impossível \u2013 exemplo: \u201cdou-te um carro se jogar a próxima tempora-
da de tênis.\u201d No meio da temporada atual o jogador machuca as costas, 
o que o impossibilita de jogar a próxima temporada.
Quanto ao modo de atuação
Suspensiva \ufffd \u2013 estabelece-se a condição e o ato não acontece até que a 
condição futura e incerta seja realizada \u2013 exemplo: \u201cdarei uma viagem 
à Disney se tirar nota máxima em todas as provas\u201d.
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Negócios jurídicos
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CC,
Art. 125. Subordinando-se a eficácia do negócio jurídico à condição suspensiva, enquanto 
esta se não verificar, não se terá adquirido o direito, a que ele visa.
Caso uma parte estabeleça uma condição suspensiva sobre um bem, e 
enquanto estiver pendente a realização do ato, realizar negócio com outra 
pessoa sobre o bem, caso o novo negócio seja incompatível com o encargo, 
o novo negócio será nulo.
CC,
Art. 126. Se alguém dispuser de uma coisa sob condição suspensiva, e, pendente esta, 
fizer quanto àquela novas disposições, estas não terão valor, realizada a condição, se com 
ela forem incompatíveis.
Resolutiva \ufffd \u2013 será a condição que, caso ocorra, extingue o negócio jurí-
dico praticado \u2013 exemplo: \u201cdoação de um bem com condição resolutiva 
de que se casar com tal pessoa a doação se desfaz e o beneficiário casa-
-se com a pessoa, extingue-se a doação\u201d. Contudo, salvo disposição em 
contrário, a extinção do negócio jurídico não atinge os atos praticados 
durante a liberalidade, por exemplo, os aluguéis pagos ao possuidor du-
rante a não materialização da condição resolutiva.
CC,
Art. 127. Se for resolutiva a condição, enquanto esta se não realizar, vigorará o negócio 
jurídico, podendo exercer-se desde a conclusão deste o direito por ele estabelecido.
Art. 128. Sobrevindo a condição resolutiva, extingue-se, para todos os efeitos, o direito a 
que ela se opõe; mas, se aposta a um negócio de execução continuada ou periódica, a sua 
realização, salvo disposição em contrário, não tem eficácia quanto aos atos já praticados, 
desde que compatíveis com a natureza da condição pendente e conforme aos ditames 
de boa-fé.
Caso a condição estabelecida não seja cumprida porque maliciosamen-
te o beneficiário manipula para não acontecer, entender-se-á cumprida; ou, 
caso dolosamente se manipule certa situação para preencher a condição, 
entender-se-á não cumprida.
CC,
Art. 129. Reputa-se verificada, quanto aos efeitos jurídicos, a condição cujo implemento for 
maliciosamente obstado pela parte a quem desfavorecer, considerando-se, ao contrário, 
não verificada a condição maliciosamente levada a efeito por aquele a quem aproveita o 
seu implemento.
O beneficiário de direitos, nas hipóteses de condição suspensiva ou \ufffd
resolutiva, pode praticar os atos de conservação da coisa.
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Negócios jurídicos
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CC,
Art. 130. Ao titular do direito eventual,