APOSTILA - Direito Civil III - Dos Contratos (CONCURSONET)
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aos compromissos 
assumidos pelo gestor, ainda que tal o desagrade. Isso é verdade mesmo que a gestão se haja iniciado 
contra a sua vontade (art. 1333), e mesmo que tenha consistindo em operações arriscadas, excedentes de 
mera administração. Pois nesta última hipóteses, se o dono do negócio quiser aproveitar da gestão, será 
obrigado a indenizar o gestor. 
 
 
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CAPÍTULO XI 
DO CONTRATO DE EDIÇÃO 
 
CONCEITO 
 O contrato de edição é o ajuste em que o titular do direito autoral cede-o ao editor para que este, 
em regra mediante uma retribuição, reproduza a obra por processo mecânico e a difunda entre o público, 
explorando-a comercialmente. 
 O legislador contempla duas modalidades de contrato de edição. O primeiro, em geral mais 
difundido, é aquele em que o autor oferece obra pronta ao editor, para que este a reproduza e explore. Em 
regra, o editor, em casos semelhantes, paga ao autor uma porcentagem sobre o valor da edição que 
pretende tirar, assumindo o risco e os encargos de sua venda, mas também auferindo os proveitos 
resultantes. 
 O segundo tipo de negócio é o figurado no art. 58 da lei 5988/73. Aí supõe-se que o editor 
encomende ao autor obra científica, literária ou artística, em cuja publicação aquele se empenha. Aqui é o 
editor quem toma a iniciativa do negócio, contratando o autor para realizar aquela tarefa que foi pelo 
primeiro engendrada. 
 
DIREITOS DO EDITOR. 
 Mediante o contrato de edição adquire o editor o direito exclusivo de publicar e explorar a obra. 
 O autor transfere apenas as vantagens materiais do direito autoral. Conserva, consigo, o conteúdo 
moral de seu direito, de modo que não pode o editor alterar de qualquer modo a obra, através de 
abreviações, edições ou modificações. 
 O autor concede ao editor a exclusividade. 
 No contrato pode figurar o número de edições cedidas, da mesma maneira que, em regra, nele se 
fixa o número de exemplares de cada edição. Na ausência de estipulação, considera-se que cada edição é 
composta de dois mil exemplares. 
 Compete ainda ao editor fixar o preço de venda, contanto que o não eleve de tal maneira que 
embarace a circulação da obra. 
 
DIREITOS DO AUTOR 
 Quanto aos morais, já vimos que não são cedidos com o contrato, pois o editor não pode, sem 
anuência do autor, emendar ou alterar a obra. 
 Quanto aos interesses materiais do autor, o principal é a remuneração. O contrato deve fixá-la. Se 
o não fizer, determina a lei que será fixada por arbitramento. 
 É praxe, ainda, que o autor recebe, gratuitamente, um limitado número de exemplares. 
 O segundo interesse material do autor, que o legislador se apressa em resguardar, é o da 
divulgação da obra. 
 
EXTINÇÃO DO CONTRATO DE EDIÇÃO 
 O contrato de edição se rescinde, como é óbvio, pelo inadimplemento de qualquer das partes. 
 A rescisão determinada pela lei se impõe, igualmente, quando, a partir do momento em que foi 
celebrado o contrato de edição, decorrerem três anos sem que o editor publique a obra. 
 
CAPÍTULO XII 
DA REPRESENTAÇÃO DRAMÁTICA 
 
INTRODUÇÃO 
 Tem por pressuposto a proteção à propriedade literária e artística. 
 
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CONCEITO 
 o contrato de representação dramática é aquela convenção levada a efeito entre o autor de obra 
destinada à cena e um empresário, através do qual este último, mediante uma remuneração a ser paga ao 
primeiro, se propõe montar a obra pelo mesmo realizada, explorando-a comercialmente. 
 
DIREITOS DO AUTOR 
 Poderíamos distinguir, ainda aqui, os direitos patrimoniais e os morais do autor. 
 Dentre os primeiros, o mais importante, senão o único, é a remuneração. Ela lhe é devida em 
para da prestação que oferece, permitindo a exibição de sua obra. 
 Essa remuneração, quando se trata de espetáculo teatral, em geral consiste em uma porcentagem, 
sobre a venda de ingressos. 
 Em geral, o empresário manterá a peça em cartaz até quando lhe apraza ou lhe convenha. 
Nalguns contratos exige o autor que o espetáculo continue em exibição até que a venda de bilhetes caia a 
determinado nível semanal, evitando, desse modo, o prejuízo material e moral que lhe poderia advir, se a 
peça fosse retirada de cartaz antes que se exaurissem todas as sua possibilidades comerciais. 
 Quanto aos direitos morais do autor, cumpre ressaltar dois, dentre os mais importantes. Um é o 
de impedir que o empresário comunique a terceiros, que não as pessoas diretamente ligadas ao espetáculo, 
o manuscrito de sua obra. 
 O outro é o direito de aperfeiçoar sua obra, mesmo depois de encenada, introduzindo-lhe, com 
exclusividade, as modificações que julgar necessárias. 
 
CAPÍTULO XIII 
DO CONTRATO DE SOCIEDADE 
 
CONCEITO 
 O CC definiu o contrato de sociedade dizendo que o celebram as pessoas que mutuamente se 
obrigam a combinar seus esforços ou recursos, para lograr fins comuns. 
 Essa conjunção, voluntária e declarada, de esforços e recursos ou só de esforços ou só de 
recursos, constitui o contrato de sociedade. 
 
 As pessoas jurídicas têm existência distinta da dos seus membros. Mais isso é circunstância que 
nada tem a ver com o contrato de sociedade, que pode existir sem que de sua existência emerja, 
necessariamente, um órgão com personalidade distinta da de seus componentes. 
 A doutrina aponta uma distinção entre aquelas sociedades que têm finalidade lucrativa e exigem 
de seus associados um comportamento ativo, ou seja, uma atividade dinâmica, e a que chama sociedades 
propriamente ditas, e aquelas outras em que, em vez de existir escopo especulativo, as partes se reúnem 
com um fim recreativo, cultural, religioso, etc., e que dá o nome de associações. 
 De fato, na compra e venda, na locação, no depósito etc., os interesses das partes são antagônicos 
e o contrato surge exatamente para reduzir as oposições e compor as divergências. 
 Na sociedade isso não se dá. Os interesses dos sócios são paralelos e o ato que junta a vontade 
dos contratantes revela aspirações comuns. Daí manifestar-se na doutrina uma remota tendência no 
sentido de negar-se à sociedade o caráter de contrato. 
 O que nitidamente caracteriza o contrato de sociedade é o propósito, comum aos contratantes, de 
se unirem para alcançar uma resultado almejado. A esse fator subjetivo a doutrina dá o nome de affectio 
societatis. Constitui ele o elemento subjacente e fundamental do conceito de sociedade. Sua presença, ou 
não, é que distingue sociedade do condomínio tradicional. 
 Se o contrato de sociedades representa a confraternização de interesses dos sócios para buscar 
determinado resultado, o negócio se desvirtuaria se p resultado alcançado beneficiasse apenas um ou 
 
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alguns deles. Da mesma forma, isso aconteceria se um dos associados ficasse isento dos riscos do 
empreendimento. 
 
DA FORMA DA SOCIEDADE 
 O contrato de sociedades se enquadra entre os não solenes, não estando sujeitos à forma 
determinada por lei. 
 Entretanto, quando se destina a Ter mais longa duração, é em geral reduzido a escrito, fato que 
também ocorre quando maior é o vulto dos interesses em jogo. 
 
ESPÉCIES EM JOGO 
 O CC contempla duas espécies de sociedades: as universais e as particulares. 
 São universais aquelas sociedades que abrangem: a) todos os bens presentes dos sócios; ou, b) 
todos os bens futuros; ou, c) todos os bens presentes e futuros; ou ainda, d) todos os frutos e rendimentos 
dos bens dos sócios. 
 Na maioria dos casos as sociedades são particulares. O CC define como particular aquela 
sociedade que compreende bens e serviços especialmente declarados no contrato, incluindo, neste rol, 
aquela sociedade constituída especialmente para executar em comum certa empresa, explorar certa 
indústria, ou exercer certa profissão. 
 
DA DURAÇÃO DA SOCIEDADE 
 
a) se o contrato fixar termo de duração, a sociedade durará até que ele advenha, se não