bio I - Cadeia_Produtiva_de_Produtos_Orgânicos_Série_Agronegócios_MAPA
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locais pelos canais de distribuição,
principalmente os grandes varejistas, é também um fator desestimulante da demanda.
7 Biotrade, nome para o comércio Bio ou de produtos orgânicos. É o comércio não só de alimentos, mas também de produtos
do extrativismo, como alguns tipos de artesanato.
8 Para mais informações, acessar <http://www.dakar-cancun.org>.
9 Para mais detalhes sobre o preço, ver Fonseca (2000a), Darolt (2000); Fonseca et al. (2003), Guivant et al. (2003).
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TTTTTabela 6. Rio de Janeirabela 6. Rio de Janeirabela 6. Rio de Janeirabela 6. Rio de Janeirabela 6. Rio de Janeiro: difero: difero: difero: difero: diferencial dos prencial dos prencial dos prencial dos prencial dos preços reços reços reços reços recebidos pelos precebidos pelos precebidos pelos precebidos pelos precebidos pelos produtorodutorodutorodutorodutores ees ees ees ees e
pagos pelos consumidores finais (percentagem)pagos pelos consumidores finais (percentagem)pagos pelos consumidores finais (percentagem)pagos pelos consumidores finais (percentagem)pagos pelos consumidores finais (percentagem)
Descrição 1999 2003
Diferencial máximo 513 760
Diferencial médio 178 250
Fonte: Guivant et al. (2003), com base em dados de Fonseca e Campos (1999) e Fonseca et al. (2003b).
Estruturas econômicas e políticas vigentes têm papel significativo em determinar os
conhecimentos e as escolhas disponíveis para os agricultores. Muitos governos historicamente
ajudaram a subsidiar e distribuir agroquímicos no intuito de aumentar a produtividade da
agricultura, embora este tipo de intervenção seja declinante em alguns países. O papel
político historicamente desempenhado pelas indústrias de agroquímicos e fornecedores de
sementes não pode ser ignorado. Ele pode influenciar na intensidade do apoio que o enfoque
orgânico e agroecológico recebe dos governos locais, regionais e nacionais.
Existem alguns exemplos de países que dão apoio (ou são simpáticos) a AO, onde políticas
pró-enfoque orgânico e agroecológico foram adotadas via substantivas contribuições em
pesquisa e serviços de extensão apropriados (vide Cuba),10 criando e disponibilizando uma
infra-estrutura reguladora e promovendo oportunidades de exportação (vide Argentina e
Costa Rica). Na maioria das instâncias, porém, tal interesse governamental é direcionado
por um desejo de atingir as oportunidades econômicas que os produtos orgânicos oferecem.
Os benefícios não mercantis, tais como a conservação dos recursos naturais e a proteção do
meio de vida de agricultores pobres de recursos e dos consumidores, são menos
freqüentemente realizados e perseguidos (SCIALLABA, 2000). A percepção da superioridade
da modernização da agricultura permanece poderosa entre muitos formuladores de política,
produtores e trabalhadores rurais, sendo uma barreira para a adoção mais ampla de políticas
que iriam ajudar a disseminar o enfoque orgânico e agroecológico.
Um entrave importante ao desenvolvimento da AO está na necessidade de uma mudança
nas fontes de serviços de apoio agrícola que o enfoque orgânico e agroecológico parecem
requerer mais intensivamente. No principal paradigma produtivo vigente, tanto a pesquisa
como as facilidades da extensão podem ser ao menos parcialmente \u201casseguradas\u201d pelos
lucros das vendas de insumos agrícolas.
A ênfase do enfoque orgânico e agroecológico em desenvolver ciclos fechados e a utilização
dos recursos disponíveis localmente restringem (embora não negue completamente) as
vendas de alguns insumos para os agricultores. Uma mudança para um enfoque orgânico e
agroecológico parece implicar a necessidade de níveis mais altos de fundos públicos para
apoiar a pesquisa e o trabalho de extensão, em um cenário atual de crise financeira em
muitos dos PBR. Acrescente-se a isso uma maior conscientização dos consumidores e uma
mudança de atitude dos traders.11
Entretanto, preocupações foram expressas pela Unctad (VOSSENAR et al., 2004) no sentido
de que as altas taxas de crescimento da demanda por produtos orgânicos não sejam
sustentáveis no longo prazo e que os objetivos dos governos europeus para o crescimento
da produção possam não ser realistas. Acredita-se que as forças do mercado sozinhas não
10 Para mais informações sobre política em Cuba para desenvolvimento da AO, ver Fonseca (2000b, 2002c).
11 O grupo de \u201ctraders\u201d da Ifoam juntamente com outras organizações, elaborou um \u201cCódigo de Conduta\u201d (COURVILLE, 2003).
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serão suficientes para dinamizar este mercado e que maiores somas de subsídios podem ser
exigidas para atingir as metas da União Européia.
De acordo com as mesmas fontes, pode haver um risco de saturação do mercado de produtos
orgânicos, embora isso dependa em grande parte dos preços dos produtos certificados. O
que aconteceu na Áustria entre 1998-2000, quando a área sob produção orgânica certificada
diminuiu, com produtores orgânicos retornando para métodos convencionais, pode ser um
exemplo do efeito da saturação do mercado. Entretanto, segundo Vossenar et al. (op cit)
existem pesquisadores que atribuem a queda no número de produtores certificados daquele
país ao fato de outros esquemas de subsídios \u2013 envolvendo somente critérios ambientais \u2013
tornarem-se mais disponíveis, com taxas similares aos subsídios para a produção orgânica,
mas com exigências menos rígidas no que tange às normas técnicas de produção e de
certificação dos produtos orgânicos.
Mesmo com o apoio governamental, tem diminuído o número de unidades de produção
orgânica certificadas em alguns países da União Européia. As razões apresentadas para tal
diminuição podem ser de ordem estrutural, em razão da certificação de produtos não ser
adequada à pequena produção agrícola, ou de ordem social, relacionadas à necessidade
de muitos registros e excesso de burocracia.
A respeito da \u201cdesertificação no espaço rural\u201d, Mutersbaugh (2004) observou que evidências
estatísticas e documentais de pesquisa em 29 organizações e 129 vilas engajadas na AO
certificada em Oaxaca \u2013 México (1998 a 2003), mostraram que a taxa de saída dos
produtores aumentou de um número insignificante em 1998, para 12% e 14%,
respectivamente, em 1999 e 2000. Entre 2000 e 2002, a situação melhorou, mas entre
2002 e 2003 o número de famílias que saíram superou de novo a marca dos 10%. Em parte,
a situação no México reflete a combinação de maiores exigências com relação as normas
internacionais, o cancelamento de programas de ONGs que custearam às despesas iniciais
de conversão para a produção orgânica e a deterioração da situação econômica da área
rural mexicana.
3.2 Mercados internacionais3.2 Mercados internacionais3.2 Mercados internacionais3.2 Mercados internacionais3.2 Mercados internacionais
Dados confiáveis sobre o comércio internacional de produtos orgânicos são escassos e pouco
consistentes, porém as trocas intra-regionais aparecem como uma tendência bastante clara.
Os Estados Unidos, a Alemanha, o Japão e o Reino Unido são pólos centrais de importação.
A Alemanha, embora produza 80% do seu consumo interno, é um grande país importador
e está tornando-se um entreposto de produtos orgânicos na Europa. A Holanda também se
destaca como país importador, sendo também uma grande porta de entrada dos produtos
orgânicos para a Europa. Como fornecedores intra-regionais importantes na União Européia
destacam-se a Espanha, que exporta 75% de sua produção, a Itália e a Dinamarca, as
quais exportam cerca de 67% da suas produções, além de Áustria e de Portugal.
O Nafta12 (Canadá, Estados Unidos e México) é composto por países produtores importantes,
sendo exportadores de um amplo leque de produtos orgânicos. O valor estimado deste
mercado em 2000 era de 10 a 12 bilhões de dólares. Os Estados Unidos saltaram de um
mercado de US$ 4,2 bilhões em 1997 para US$ 6,6 bilhões em 2000 (WILLER; YUSSEFI,
2001), aumentando para US$ 11,4 bilhões em 2005 (SAHOTA, 2005, p. 20). O Canadá
12 Acordo de Livre Comércio da América