bio I - Cadeia_Produtiva_de_Produtos_Orgânicos_Série_Agronegócios_MAPA
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etc. Também se exige dos fornecedores investimentos para participação em publicidades
(banners, encartes, etc.) e, em alguns casos, valores extras de gratificação para os funcionários
das lojas. Além disso, às vezes, a estes custos podem se somar os de refrigeração.
Há provavelmente uma forte diluição dos produtos orgânicos nas categorias diversas
associadas com saúde e qualidade de vida, junto com os outros FLV ofertados nos
supermercados. Em parte, o setor supermercadista apela para esta demanda difusa, ao não
colocar placas que diferenciam os produtos. Este fato pode explicar, em parte, a coexistência
nas mesmas gôndolas de hidropônicos, produtos convencionais embalados com os dizeres
\u201cproduto natural\u201d24 e os produtos orgânicos certificados.
O Sebrae realizou pesquisa com 611 pontos de comercialização de alimentos orgânicos no
Brasil. A pesquisa mostrou que 203 desses canais de comercialização eram supermercados,
23 Prejuízos importantes para os fornecedores são as sobras, que devem repassar isto para os produtores é o índice de quebra
(perda). Estima-se que o índice de quebra dos FLV comercializados nos supermercados chega a aproximadamente 10% e
apenas um terço das lojas \u2013 as de melhor padrão operacional \u2013 declara que esse nível está caindo (FRUTIFATOS, 2002). Os
fornecedores pagam pelos prejuízos em forma de descontos nas faturas e estes prejuízos, normalmente, são repassados aos
produtores (direta ou indiretamente).
24 1) hidropônicos, que apresentam um preço menor e usufruem de uma imagem \u201climpa\u201d; 2) produtos convencionais
embalados de forma muito parecida com os orgânicos, com rótulos coloridos, que identificam o produtor e fortalecem a idéia
de que esse produto é comercializado de forma direta pelo produtor e por isso seriam \u201cnaturais\u201d e 3) folhagens convencionais
embaladas em sacos plásticos com mensagens enganosas para o consumidor (sem conservantes, produto natural, etc). Outra
parte da explicação pode ser a já mencionada falta de preparação dos gerentes e funcionários do setor sobre os benefícios
e as diferenças dos produtos orgânicos para poder se comunicar com os fornecedores (GUIVANT et al., op. cit).
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224 associações e feiras livres, 119 lojas e comércio e 65 realizavam entregas de cestas a
domicílio. Do universo pesquisado, em termos percentuais, a comercialização por
supermercados é praticamente idêntica àquela tradicional dos produtos orgânicos vendidos
em feiras livres e por associações, cooperativas. Da população amostrada pelo Sebrae
(2004), São Paulo, com 34%, detém o maior número de empresas comerciais, seguido por
Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro (Tabela 10).
TTTTTabela 10. Brasil: unidades de comerabela 10. Brasil: unidades de comerabela 10. Brasil: unidades de comerabela 10. Brasil: unidades de comerabela 10. Brasil: unidades de comercialização de prcialização de prcialização de prcialização de prcialização de produtos orodutos orodutos orodutos orodutos orgânicos, por estadogânicos, por estadogânicos, por estadogânicos, por estadogânicos, por estado
(unidades)(unidades)(unidades)(unidades)(unidades)
EstadoEstadoEstadoEstadoEstado SupermercadosSupermercadosSupermercadosSupermercadosSupermercados
AssociaçõesAssociaçõesAssociaçõesAssociaçõesAssociações
Lojas/ComércioLojas/ComércioLojas/ComércioLojas/ComércioLojas/Comércio
CestasCestasCestasCestasCestas
TTTTTotalotalotalotalotal
e feirase feirase feirase feirase feiras Domicí l ioDomicí l ioDomicí l ioDomicí l ioDomicí l io
São Paulo 102 10 58 35 205
Santa Catarina 13 116 4 1 134
Rio Grande do Sul 20 49 10 3 82
Rio de Janeiro 35 9 23 6 73
Paraná 10 29 8 3 50
Minas Gerais - 1 10 9 20
Pará 12 - - - 12
Distrito Federal 3 2 3 3 11
Espírito Santo - - 1 5 6
Bahia 3 - 1 - 4
Ceará - 3 1 - 4
Amazonas 3 - - - 3
Goiás 2 - - - 2
Mato Grosso do Sul - 2 - - 2
Rondônia - 2 - - 2
Rorâima - 1 - - 1
Total 203 224 119 65 611
Fonte: Sebrae (RJ) (2004).
Quando os resultados da pesquisa realizada pelo Sebrae (RJ) são analisados por região,
verifica-se uma maior concentração de pontos de venda na região sudeste (50%), seguida
pela região Sul (44%). Existe, portanto, uma concentração de 94% das empresas comerciais
e distribuidoras pesquisadas nessas regiões. Vimos também que o número de produtores
orgânicos e a sede dos organismos de certificação também estão concentrados nestes locais.
4.3 Consumidores4.3 Consumidores4.3 Consumidores4.3 Consumidores4.3 Consumidores2525252525
As pesquisas realizadas no Brasil sobre o perfil dos consumidores de alimentos orgânicos
apresentam dados semelhantes aos encontrados nos países mais desenvolvidos. Podem ser
citados quatro trabalhos que abordam esta questão e alcançaram resultados semelhantes:
Instituto Gallup, 1996; Cerveira e Castro, 1999; Assis, 1993; e Campos, 1998.
25 A questão do perfil de consumidores de produtos orgânicos voltará a ser discutida nos capítulos seguintes.
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Estes autores identificaram o mesmo perfil de consumidores: entre 30 e 50 anos, geralmente
do sexo feminino, com instrução elevada, de classe média, com hábito de consumo
diversificado. As motivações para comprar produtos orgânicos seriam as saúdes pessoal e
familiar, seguidas da não-utilização do uso de agroquímicos, do valor biológico, do sabor e
do aroma e, por último, da preocupação com o meio ambiente. Em relação à qualidade
dos produtos orgânicos (maioria de FLV), houve reclamações quanto à regularidade dos
produtos e ao pouco número de pontos de venda.
Os produtos de origem animal, em geral, são vendidos diretamente aos consumidores via cestas
a domicílio ou comercializados como convencionais nos canais tradicionais de comercialização,
sem preço diferenciado. A literatura indica a disposição dos consumidores de pagarem de 10%
a 20% a mais pela carne orgânica. Conforme o grau de instrução e a renda, aumenta o
interesse em comprar o produto (FORTES, 2001 citado em FONSECA, 2005).
Pesquisa publicada na Revista SuperHiper (2002 citado por GUIVANT et al., op. cit.) apresenta
o perfil de 906 consumidores paulistas de produtos orgânicos. Dessa amostra, 34% são de
idade mais avançada e de classe social mais elevada, tendo bem definido o conceito de
alimentos orgânicos; 45% não os conhecem nem ouviram falar de produtos orgânicos;
10% não souberam descrevê-los e 16% têm informações incorretas sobre eles. Uma
significativa parcela dos entrevistados confundiu produto orgânico com hidropônico. Alguns
entrevistados disseram que os orgânicos contêm química para crescer e que são modificados,
em uma equivocada