bio I - Cadeia_Produtiva_de_Produtos_Orgânicos_Série_Agronegócios_MAPA
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e também é focado no financiamento.
O BNDES oferece financiamento por meio de suas linhas tradicionais como o Finame Agrícola
(financiamento de máquinas e equipamentos) e o BNDES Automático. O MAPA, também
com recursos do BNDES, opera o Programa de Modernização da Agricultura e Conservação
de Recursos Naturais (Moderagro). Esse programa financia correção do solo (adubação
verde, uso do calcário e outros corretivos), recuperação de pastagens degradadas e
implantação de práticas conservacionistas do solo e de adequação ambiental de propriedades
rurais.
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A Resolução nº 2.879, de 08/08/01, do Banco Central do Brasil, determinou o recebimento
de tratamento prioritário para o financiamento de projetos que contemplem a produção
agroecológica ou orgânica, conduzidos por produtores que se enquadrem no grupo C
do Pronaf. Este grupo inclui agricultores familiares com renda anual entre R$ 1,5 mil e
R$ 10 mil.
Existem também iniciativas de crédito \u201cinformal\u201d, não condicionados a uma instituição
financeira propriamente dita, mas em arranjos da sociedade civil, que tentam contribuir na
resolução do problema de financiamento da produção orgânica, principalmente para a
conversão, ainda raras no Brasil. Um exemplo é a Agricultura Motivada pelo Consumidor
(AMC) ou Community Supported Agriculture, que teve origem na Europa e hoje se espalha
por vários países. No Ceará, existe o exemplo da Associação para o Desenvolvimento da
Agropecuária Orgânica (Adao), que produz para 330 famílias. Os consumidores têm
participação ativa neste processo, pois são eles que financiam a produção dos agricultores
e planejam a produção conjuntamente (Alcântara e Souza, 2005).
Na Região Sul do Brasil, foi criada a Cooperativa de Crédito Rural com Interação Solidária
(Cresol), que é um sistema de crédito desenvolvido de acordo com a realidade e as
necessidades dos agricultores familiares, que apresentam, na maioria das vezes, dificuldades
históricas de acesso ao crédito oficial, direcionado principalmente para as grandes e médias
propriedades.34
Ainda em relação ao financiamento, deve-se destacar uma iniciativa do terceiro setor. A
Widar, uma organização não-governamental e sem fins lucrativos sediada em São Paulo
(SP), oferece crédito para pequenos produtores e empresas que produzem ou beneficiem
produtos da agricultura orgânica, biodinâmica, natural ou ecológica. O seu objetivo é atender
pessoas e instituições que não podem arcar com os juros cobrados pelos bancos, nem
oferecer as garantias exigidas por eles.
Por meio do Pronaf Agroecologia, o governo fornece pequenos empréstimos para a agricultura
familiar facilitar a conversão da produção convencional para a orgânica, ou seja, suporte
financeiro na fase de transição para a produção agroecológica. Nesse programa, a mesma
unidade de produção pode ter até 2 créditos consecutivos, desde que pelo menos uma
prestação tenha sido paga e com laudo de regularidade. Além disso, o Pronaf prevê o
custeio de até R$ 4.500 (com juros de 4% ao ano e com desconto de R$ 200, para pagamento
em dia), desde que a proposta seja para a produção agroecológica e projetos em transição
para a agroecologia.
Porém, diferentemente de outros países, o Brasil não possui nenhum tipo de subsídio para
a atividade. O Governo tem assumido basicamente dois papéis no que tange à agricultura
orgânica no País. De um lado, tem autuado na regulamentação do mercado, por meio da
criação de normas específicas a ele aplicadas. De outro, no financiamento à agricultura
orgânica por meio de concessão de linhas de crédito.
Os principais países produtores de orgânicos do mundo já possuem normas nacionais de
certificação de seus produtos. No Brasil a legislação está sendo desenvolvida com a
participação do movimento orgânico nacional buscando uma norma mais apropriada a
todos os agentes da cadeia. Em 2003, foi aprovada a Lei dos Orgânicos (lei n° 10.831,
de 23 de dezembro de 2003), que dispõe sobre os orgânicos e dá outras providências.
34 Para mais informações, ver Conselho Estadual de Agroecologia do Paraná (CEAO). Diagnóstico da Cadeia Produtiva Orgânica
do Estado do Paraná. Relatório de pesquisa. Projeto Paraná 12 meses. 2002. Governo do Estado do Paraná.
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No entanto, até que se concluam os trabalhos de regulamentação, para registro e renovação
de registro de matérias-primas e produtos de origem animal e vegetal, vale a IN n° 16 de 11
de junho de 2004, que estabelece os procedimentos a serem adotados.
A IN n° 007, de 17 de maio de 1999, dispõe sobre as normas para a produção, tipificação,
processamento, envase, distribuição, identificação e certificação da qualidade de produtos
orgânicos de origem animal ou vegetal.
Em 2004 foi criada a Câmara Setorial da Cadeia Produtiva da Agricultura Orgânica, de
caráter consultivo e com a finalidade de propor, apoiar e acompanhar ações para o
desenvolvimento das atividades dos setores a eles associados. À Câmara compete promover
o diagnóstico sobre a atividade; propor e encaminhar soluções ao MAPA que visem ao
aprimoramento da atividade, considerando a expansão dos mercados, interno e externo,
bem como a geração de empregos, renda e bem estar; além de acompanhar a implementação
das propostas e sugestões emanadas da Câmara, assim como os impactos decorrentes das
medidas tomadas.
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) tem incentivado a produção de orgânicos
por meio da aquisição dos mesmos, provenientes da agricultura familiar. Para isso, possui
uma linha nas compras de produtos oriundos da agricultura familiar para produtos
agroecológicos ou orgânicos, desde que a origem do produto seja atestada por entidade
credenciada ou publicamente aceita como apta para isso. Aos produtores é pago até 30%
a mais por um produto agroecológico ou orgânico.
6.2 T6.2 T6.2 T6.2 T6.2 Tecnologiaecnologiaecnologiaecnologiaecnologia
Desenvolver tecnologias para a agricultura orgânica deve estar na agenda de pesquisa da
agropecuária brasileira. A Embrapa é a empresa de pesquisa vinculada ao MAPA que
possui recursos humanos, habilidades e competências suficientes para desenvolver tecnologias
para esta atividade. Além disso, o sistema pode contar com o apoio de universidades e
instituições de pesquisa nacionais e internacionais e do setor privado.
Várias alterações ao processo de produção convencional foram e ainda são necessárias. As
especificidades da agricultura orgânica exigem o aperfeiçoamento de técnicas de controle
biológico de pragas, plantio direto, teste de variedades, adubação natural, dentre outros.
Além disso, em razão de mudanças no processo, pode ser exigido o desenvolvimento ou
adaptação de máquinas (colheitadeiras de cana-de-açúcar, por exemplo, para se adaptar
ao processo de colheita sem a queima da cana).
Deve-se ressaltar a falta de tecnologias com enfoque agroecológico apropriadas aos diferentes
agroecossistemas, ou seja, como produzir em locais com condições de solo e clima diferentes.
Falta também o levantamento sistematizado de informações de mercado, que poderiam
fornecer subsídios importantes para os agricultores e suas associações como, por exemplo,
o que produzir, formas de acesso aos mercados e exigências dos padrões de países
importadores.
É difícil analisar o padrão tecnológico vigente nas empresas nacionais e compará-lo com o
padrão internacional, pois pouco material se encontra disponível para consulta com estas
informações. Dentre os produtos analisados, é sobre a cana-de-açúcar que se tem maior
conhecimento.
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O sistema produtivo da cana-de-açúcar orgânica difere em alguns pontos do cultivo
tradicional. Mais informações podem ser encontradas em Machado e Corazza (2004) e
Rodrigues (2004).
As variedades de cana utilizadas nesse sistema são as mesmas variedades do sistema
tradicional. O preparo do solo não é feito com produtos químicos e o as necessidades
nutricionais da cultura são satisfeitas com corretivos naturais.