bio I - Cadeia_Produtiva_de_Produtos_Orgânicos_Série_Agronegócios_MAPA
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logístico no sentido de poder proporcionar
um bom serviço ao seu cliente, por meio de entrega de produtos com boa qualidade,
embalados, pouco manuseados, com alta freqüência de entrega e a busca na redução dos
erros, com praticamente todos os pedidos entregues com itens e quantidades corretas.
Para a agricultura, a logística é fundamental no apoio ao sucesso do negócio, pois a cada
transformação que o produto passa, seja física, temporal ou espacial, lhe é agregado valor
e incorporado a ele condições de melhor atendimento ao consumo. Para os produtos
perecíveis, como é o caso dos produtos hortícolas orgânicos, vencer esta distância em tempo
hábil é uma questão de sobrevivência no mercado (ALVES, 1997).
Essa é uma condição necessária também no atendimento as redes supermercadistas, onde
os produtos devem ser entregues loja a loja, dado que esse sistema é mais eficiente do que
a entrega em Centrais de Distribuição. No entanto, esse tipo de atendimento exige maior
capacitação logística dos fornecedores. Assim, a estratégia de valorização do setor de
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perecíveis pelas redes varejistas requer o empenho dos fornecedores em relação à agilidade
no atendimento dos pedidos, na redução das perdas e faltas, na qualidade dos produtos, na
diminuição do ciclo de pedidos e no uso de caminhões refrigerados, para que os produtos
tenham maior rotatividade e estejam mais frescos no ponto de venda (SOUZA, 2002).
6.6 Estrutura de mercado6.6 Estrutura de mercado6.6 Estrutura de mercado6.6 Estrutura de mercado6.6 Estrutura de mercado
O mercado para produtos orgânicos caracteriza-se por possuir um grande número de pequenos
(10%) e médios produtores (90%) na etapa produtiva. Via de regra, os grandes produtores se
encarregam da produção voltada à exportação e os pequenos abastecem o mercado interno. No
entanto, essa situação pode ser alterada segundo as características do produto comercializado ou
o nível de organização (ações conjuntas) dos pequenos produtores. O processamento é
predominantemente realizado por grandes empresas, cabendo às pequenas atender o mercado
de nicho, e distribuição realizada pelas mais variadas estruturas de canais de distribuição.
A comercialização de produtos orgânicos é feita por diferentes mecanismos. Existe a venda
direta ao consumidor final por meio de entrega em domicílio (cesta orgânicas do produtor)
e em feiras de produtores. Uma outra forma é a venda para agentes intermediários varejistas
como lojas especializadas em produtos orgânicos, lojas de produtos naturais, varejões que
comercializam hortifrutis em geral, feiras livres tradicionais e redes supermercadistas. Existe
também a venda a empresas de food service em geral (restaurantes, lanchonetes, redes de
fast-foods e cozinhas industriais) e a venda aos mercados institucionais (prefeituras, por
exemplo, que utilizam o produto no preparo de refeições para escolas e hospitais públicos).
Uma outra forma são as vendas a atacadista nacionais, cujos principais são as empresas
distribuidoras exclusivas de produtos orgânicos, que revendem posteriormente o produto ao
consumidor final ou a grandes redes supermercadistas. Além disso, vende-se também para
empresas exportadoras atacadistas, processadoras e redes supermercadistas de fora do
país. A Figura 3 traz o desenho dos diferentes canais de distribuição de produtos orgânicos.
Figura 3. Brasil: canais de distribuição de produtos orgânicosFigura 3. Brasil: canais de distribuição de produtos orgânicosFigura 3. Brasil: canais de distribuição de produtos orgânicosFigura 3. Brasil: canais de distribuição de produtos orgânicosFigura 3. Brasil: canais de distribuição de produtos orgânicos
Fonte: Alcântara e Souza (2005).
As características desses grupos de alternativas diferem bastante entre si e o movimento da
agricultura orgânica sempre utilizou as diferentes possibilidades da venda para a
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comercialização dos seus produtos. Em algumas delas não existe a presença de intermediários,
sendo o próprio produtor quem distribui os seus produtos. As cestas de produtos orgânicos
são entregues diretamente nas residências, periodicamente ou por encomenda, e não há
escolha por parte do consumidor: o produtor entrega os produtos da época, que consistem
principalmente de hortaliças. O mesmo ocorre nas feiras de produtos orgânicos, onde os
próprios produtores comercializam sua produção. Essas feiras geralmente recebem o apoio
da gestão municipal, organizações não-governamentais (ONGs) e, até, de fundos de
desenvolvimento internacional para sua realização. Estes esforços são um estímulo ao
desenvolvimento dos mercados locais, e também são uma forma de apoiar produtores
ainda não certificados.
Ultimamente a participação do varejo supermercadista na venda de produtos orgânicos
tem caído, pois a venda em feiras e associações tem se fortalecido. No mercado brasileiro
em 2004, 33% das vendas foram realizadas em mercados e supermercados, 37% foram
feitas em feiras e 19% em lojas especializadas. O restante (11%) foi comercializado através
de entregas a domicílio.
No entanto, Alcântara e Souza (2005) afirmam que, no Brasil, os super e hipermercados
têm-se tornado o local preferido de compras para os produtos alimentícios em geral. No
caso das hortícolas, esse segmento varejista vem aumentando sua participação relativa na
preferência dos consumidores, tentando suplantar os canais mais tradicionais como as feiras
livres e sacolões. O setor de FLV nos supermercados transformou-se em um chamariz de
clientes, depois de passar por mudanças substanciais como aumento da área de vendas,
melhoria da qualidade, higiene e beleza das seções e oferecendo produtos diferenciados e
com maior valor agregado. Passou a existir nas prateleiras uma diversidade bastante grande
na forma de apresentação desses vegetais, da qual fazem parte os pré-lavados, os
congelados, os minimamente processados, e também os que apresentam certificados de
qualidade como denominação de origem, orgânicos e outros atributos.
Outra forma de comercialização, a entrega de produtos orgânicos a uma distribuidora tem
sido uma das possibilidades para compensar a pequena escala de produção individual e
melhorar o poder de barganha frente as redes varejistas.
Souza (2002) constatou que dificilmente os supermercados relacionam-se diretamente com
produtores individuais, ocorrendo a predominância de associações e empresas que atuam
como agentes coordenadores da cadeia de abastecimento das hortícolas orgânicas para os
supermercados. Essas organizações embalam e processam hortícolas recebidas de vários
produtores, por meio de produção contratada ou não, e as distribuem aos diversos pontos
de venda. Além do papel de intermediação entre produtores rurais e varejo, planejam a
produção de seus produtores, fornecem assistência técnica e arcam com os custos de
certificação que, posteriormente, são repassados aos produtores.
Entre essas organizações, estão a Associação Horta&Arte de São Paulo e o Sítio A Boa
Terra, do Município de Itobi (SP), ambos certificados pelo IBD (Instituto Biodinâmico de
Desenvolvimento), sediado em Botucatu/SP.
Quanto ao segmento de perecíveis orgânicos, poucos trabalhos analisaram as relações
comerciais entre os fornecedores e as redes de varejo, considerando-se as dificuldades
adicionais de abastecimento, específicas do estágio ainda inicial de desenvolvimento da
agricultura orgânica, como volume de produção, variedade de produtos, sazonalidade da
produção, descontinuidade de oferta, exigência de certificação, entre outros (Souza, 2002).
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Além disso, o processo de comercialização é complexo para os produtores, dada a falta de
conhecimento administrativo-financeiro e de treinamento gerencial, dificuldade de
organização dos produtores em associações ou cooperativas, e falta de um planejamento
de produção adequado para oferecer produtos de acordo com a necessidade do mercado.
A partir desse conhecimento das necessidades