bio I - Cadeia_Produtiva_de_Produtos_Orgânicos_Série_Agronegócios_MAPA
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de alimentos e bebidas orgânicos (US$ milhões) ... 29
Tabela 5 América Latina e Caribe: evolução da área utilizada para produção certificada de
orgânicos (hectares) .................................................................................................. 31
Tabela 6 Rio de Janeiro: diferencial dos preços recebidos pelos produtores e pagos pelos
consumidores finais (percentagem) .......................................................................... 33
Tabela 7 Países de baixa renda: área plantada e número de propriedades certificadas à
produção agropecuária orgânica em 2003 .............................................................. 37
Tabela 8 Brasil: área e unidades de produção utilizadas pela agropecuária orgânica certificada 39
Tabela 9 Brasil: produção de orgânicos .................................................................................. 40
Tabela 10 Brasil: unidades de comercialização de produtos orgânicos, por estado (unidades) ..... 45
Tabela 11 Rio de Janeiro: comparação entre as margens do produto FLV orgânico e
convencional em 1980 .............................................................................................. 47
Tabela 12 Santa Catarina: unidades certificadas de produção orgânica, segundo as regiões
em 2001 .................................................................................................................... 49
Tabela 13 Países europeus: participação de mercado de produtos orgânicos em 2003, por
segmento (percentagem) .......................................................................................... 55
Tabela 14 Mundo: crescimento esperado dos mercados de produtos orgânicos, países
selecionados \u2013 2003 a 2008 (percentagem) ............................................................. 56
Quadro 2 Mundo: estágio evolutivo dos mercados orgânicos, países selecionados, 2001 ..... 56
Figura 2 Brasil: estrutura da cadeia de produtos orgânicos ................................................... 57
Tabela 15 Brasil: Custos de certificação à produção de orgânicos, 2001 ................................. 65
Tabela 16 Brasil: indicadores técnico-econômicos da cultura da soja \u2013 março de 2003 .......... 66
Figura 3 Brasil: canais de distribuição de produtos orgânicos ............................................... 69
Quadro 3 Principais forças que influenciam o crescimento da agricultura orgânica ................ 77
Tabela 17 Mundo: estimativas de vendas de alimentos e bebidas orgânicas em 2010, países
selecionados .............................................................................................................. 78
Quadro 4 São Paulo: perfil do consumidor de produtos orgânicos em 2002 ......................... 84
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1 Introdução
Este trabalho tem o objetivo de realizar um diagnóstico da produção de produtos agropecuários
orgânicos no Brasil, posicionando-a no cenário nacional e internacional, destacando seus
principais pontos fortes e fracos. Pretende-se, dessa forma, oferecer um referencial que
possa contribuir para ampliar as oportunidades sustentáveis de negócio para a produção
orgânica do País.
Alimentos orgânicos são produtos de origem vegetal ou animal que estão livres de agrotóxicos
ou qualquer outro tipo de produtos químicos, pois estes são substituídos por práticas culturais
que buscam estabelecer o equilíbrio ecológico do sistema agrícola. A crescente demanda
por alimentos produzidos com menos agrotóxicos e menos agressivos ao meio ambiente é
uma tendência mundial que se reflete também no Brasil. Tal procura tem como conseqüência
a geração de novas oportunidades de negócio para os vários segmentos da agropecuária
nacional.
De acordo com a International Federation of Organic Agricultural Movements (Ifoam), a
demanda por produtos orgânicos na Europa cresce a taxas elevadas. Esse interesse tem
ajudado a impulsionar o crescimento da área plantada sob o sistema orgânico de produção
no Brasil, especialmente no Sul e Sudeste. Nessas regiões, a produção foi originada em
movimentos agroecológicos que têm como base associações de pequenos produtores.
O mercado mundial de produtos orgânicos movimentou US$ 26,5 bilhões no ano de 2004,
dos quais apenas US$ 100 milhões couberam ao Brasil, ou seja, menos de 0,4%. Portanto,
há um vasto potencial para expansão de produtos nacionais nessa linha, não só no mercado
interno como também no internacional. Estudos que orientem as ações de produtores, bem
como o papel de entidades e do governo, são extremamente importantes para aumentar
essa participação.
Além da análise econômica dos dados estatísticos, os quais infelizmente são escassos no
País, deve-se atentar também para os contextos socioeconômico, ambiental e cultural no
qual esse modelo de produção se reproduz. Acredita-se que com a regulamentação do
setor orgânico, as cadeias produtivas ligadas ao setor possam ser finalmente mapeadas
para que os pontos de estrangulamento sejam priorizados nas ações de pesquisa e de
fomento.
O aumento da importância do mercado de produtos orgânicos tem acarretado uma
preocupação crescente dos governos em regulamentar seus mercados para a comercialização
de tais produtos. Vale dizer que muitas vezes a regulamentação atende à demanda dos
próprios produtores, que solicitam proteção institucional contra práticas fraudulentas de
produção e comercialização.
Os países-membros da União Européia foram os primeiros a publicar um conjunto de diretrizes
sobre esse assunto. Em 1991, foi publicada a Council Regulation (EEC) 2092/91 que, desde
então, vem sofrendo inúmeras emendas. A regulamentação européia fornece padrões de
produção e medidas de inspeção que devem ser implementados para assegurar a origem e
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integridade do produto. Uma vez que a Europa é grande importadora de produtos orgânicos,
a regulamentação causou forte impacto no mercado mundial desses produtos. Muitos
produtores de países exportadores, como os brasileiros, tiveram de se adequar a essa
regulamentação de modo a garantir sua participação nesse nicho.
Os Estados Unidos iniciaram regulamentação semelhante com a publicação do Organic
Food Production Act, em 1990. Essa lei, entretanto, necessitava de inúmeras regulamentações
adicionais, que, ao longo dos anos, foram estabelecidas por meio do National Organic
Standards Board. Somente em 2002, o processo foi completado. O Canadá publicou suas
regras ainda no ano de 1999, e outros países \u2013 como Austrália e Tailândia \u2013 estão
desenvolvendo normas nacionais. Já o Japão, outro importante importador de produtos
orgânicos, regulamentou seu mercado em 2000.
Este trabalho está estruturado em nove capítulos. O Capítulo 2 é um sumário executivo do
documento e procura resumir os principais pontos do documento. Os Capítulo 3, 4 e 5
apresentam o panorama nacional e internacional do mercado de produtos orgânicos e a
posição do Brasil nesses mercados. Alguns aspectos importantes para a compreensão de
tais mercados também são discutidos nos três capítulos iniciais. Os Capítulo 6, 7 e 8 tratam
da competitividade da produção orgânica brasileira e os cenários e metas para os próximos
dez anos. O Capítulo 9 apresenta algumas propostas de políticas para o desenvolvimento
do setor.
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2 Sumário Executivo
Muitos estudos sobre Agricultura Orgânica (AO) certificada enfatizam a importância dos
seus benefícios econômicos, sociais e ambientais e as oportunidades que ela traz. Entretanto,
por ser um setor ainda pequeno e que enfrenta pontos de estrangulamento na produção,
comercialização e institucionalização, deve-se considerar esse subsetor produtivo de forma
mais realista do que aquelas muitas vezes apregoadas.
As políticas públicas, em especial, mas também as privadas, sempre tiveram papel
imprescindível no desenvolvimento da agricultura orgânica em países mais desenvolvidos,
como a Alemanha, Estados Unidos e Japão. Nessas nações, a participação