bio I - Cadeia_Produtiva_de_Produtos_Orgânicos_Série_Agronegócios_MAPA
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com as do próprio mercado global de alimentos, estando já esgotada
a fase de crescimento rápido. Estes fatores indicam que o mercado orgânico já é um \u201cnicho
consolidado\u201d e poderá atingir no máximo algo em torno dos 2% a 3 % do mercado global
de alimentos, segundo a visão de algumas empresas analisadas em pesquisa realizada por
Storel Jr. (2003). Este mesmo autor conclui que em dez anos a característica desse mercado
ainda será de um nicho de tamanho muito restrito no qual cabem poucos produtores.
Alcântara e Souza (2005) afirmam que o percentual de gastos com produtos frescos nos
países desenvolvidos, incluindo aí os orgânicos, como porcentagem do total de gastos com
alimentos é de 10% nos Estados Unidos, 13% na França, 11% na Alemanha, chegando a
25% na Itália e 20% na Holanda. Essa parcela considerável de gastos com produtos frescos
tem feito com que os supermercados e hipermercados nesses países passem a priorizar o
setor de hortifrutis, aumentando a área de venda desses produtos, melhorando a qualidade
das seções, identificando a origem e outros atributos dos diferentes produtos como orgânicos,
por exemplo. Vale ressaltar que nos países desenvolvidos, o segmento de auto-serviço
responde por aproximadamente 70% do abastecimento de hortifrutigranjeiros.
De acordo com a FAO (2002a), o valor total das importações realizadas pelo Brasil é
desconhecido. No entanto, enquanto um processo de certificação para produtos importados
não for desenvolvido, as empresas estrangeiras que desejarem vender seus produtos no
Brasil devem desenvolver a imagem da sua marca para consolidá-la como produtora de
orgânicos. Desta forma, o crescimento da entrada de produtos orgânicos estrangeiros no
país continuará pequeno em decorrência dessas restrições (USDA, 2002). A partir do momento
que o país normatizar a importação de produtos orgânicos, imagina-se que a taxa de entrada
destes produtos no país aumentará de forma mais vigorosa.
7.1 Análise SWOT7.1 Análise SWOT7.1 Análise SWOT7.1 Análise SWOT7.1 Análise SWOT
Esta análise de cunho estratégico busca orientar as ações institucionais da maneira mais
oportuna possível dentre cenários levantados considerando-se os pontos fortes da organização,
bem como seus pontos fracos, em um ambiente de oportunidades e ameaças. A partir dos
elementos e informações das partes anteriores, os condicionantes principais para viabilizar
os diferentes cenários, assim como os riscos e fragilidades, podem ser visualizados por essa
análise.
7.1.1 Pontos fracos7.1.1 Pontos fracos7.1.1 Pontos fracos7.1.1 Pontos fracos7.1.1 Pontos fracos
\u2022 Os elevados custos com a certificação representam uma importante barreira à entrada e
também um entrave para o produtor já estabelecido no setor. O risco do ingresso na
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atividade representa um fator limitante para a transformação dos sistemas de produção
convencionais para sistemas mais sustentáveis. A transição dos sistemas convencionais
para os sistemas de produção orgânicos expõe os agricultores a um risco temporário
durante o período de conversão.
\u2022 Baixo número de empresas certificadas para processos de beneficiamento de produtos
orgânicos Brasil;
\u2022 Como se trata de mercados de nicho ou ainda em desenvolvimento, a produção orgânica
é uma opção estratégica interessante, sob o ponto de vista econômico, ambiental e
social, para pequenas propriedades, preferencialmente de cunho familiar e com atividades
diversificadas;
\u2022 Rodrigues (2004) indica a inadequação das ferramentas reguladas pelo mercado
de açúcar orgânico, como os selos e certificados, em conduzir a atividade produtiva
(ou canavieira) em direção à sustentabilidade, em razão da complexidade dos impactos
econômicos, sociais e ambientais da atividade. Nesse contexto, destaca-se a necessidade
de maior atuação do governo na coordenação de arranjos participativos para essa questão.
Uma forma de melhorar este aspecto seria a mudança da certificação ambiental para
uma certificação socioambiental que integre aspectos econômicos, sociais e ambientais;
\u2022 Conflitos entre os distribuidores e produtores quanto à devolução de produtos não vendidos,
principalmente de hortaliças orgânicas. Em alguns casos as perdas no ponto de venda
podem ultrapassar 25% ao mês, e a meta gira em torno de 10%. Poucas empresas
encontram uma forma de negociação para esta prática, como uma taxa fixa de desconto,
por exemplo (Souza, 2002);
\u2022 Estrutura de crédito deficiente. Apesar da disponibilidade de financiamento ter aumentado
nos últimos anos, o acesso para os pequenos produtores continua limitado. Muitas vezes
o produtor desconhece a existência das linhas de crédito ou não possui toda a
documentação exigida. Além disso, há certa resistência dos agentes financiadores em
relação a conceder crédito aos pequenos produtores;
\u2022 Estrutura de apoio governamental insuficiente. Ausência de política governamental de
divulgação do produto, ausência de estruturas de apoio à distribuição, pequeno apoio à
pesquisa, difusão de tecnologia e investimentos;
\u2022 Os grandes volumes necessários no mercado internacional, onde a medida adotada
normalmente é o \u201ccontêiner\u201d (200 a 250 sacos de 60 kg), pode dificultar a exportação
de produtos orgânicos, devido à parte de sua produção ser oriunda de pequenos
produtores.
7.1.2 Pontos fortes7.1.2 Pontos fortes7.1.2 Pontos fortes7.1.2 Pontos fortes7.1.2 Pontos fortes
\u2022 Prêmios pagos pelo produto orgânico compensam as eventuais desvantagens da produção;
\u2022 Legislação sendo construída em conjunto com o movimento orgânico nacional e não
\u201cimposta\u201d pelo governo;
\u2022 Em muitas feiras, formadas por grupos de produtores, o produto orgânico é vendido ao
público com os mesmos preços que os produtos convencionais. Dessa forma, esses grupos
levam para o lado politicamente correto de \u201cdeixar que todos os consumidores escolham
livremente, não somente os ricos\u201d. Alguns desses esquemas desenvolveram-se após a
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criação do sofisticado sistema da \u201ccertificação participativa\u201d. Este sistema de geração
de credibilidade fundamenta-se na organização dos agentes, seguindo um conjunto de
normas para toda a cadeia produtiva, e se responsabilizando coletivamente pela garantia
de qualidade de produção e dos atributos desejados pelo consumidor. Essa forma de
certificação vem sendo adotada pelas organizações da agricultura familiar em todo o
Paraná, por avaliarem que está mais adequada às suas necessidades e à sua concepção
de desenvolvimento rural sustentáve;
\u2022 As relações contratuais com as empresas do elo seguinte da cadeia permitem que os
produtores realizem um melhor planejamento do seu orçamento, além de estimular a
produção orgânica, dado que o produtor possui uma forte perspectiva de colocação do
produto no mercado;
\u2022 O papel de integração dos fornecedores, planejamento de produção e desenvolvimento
de tecnologias de produção junto aos produtores vêm preencher lacunas existentes
atualmente no que tange à atuação de agentes institucionais que ainda não dispõem de
pesquisas que poderiam auxiliar no desenvolvimento tecnológico da agricultura orgânica
(SOUZA, 2002);
\u2022 Alguns pontos favoráveis à exportação de produtos orgânicos são o crescimento na
demanda por produtos orgânicos em todo o mundo, principalmente Europa, Estados
Unidos e Japão; o preço diferenciado do produto orgânico dependendo do comprador e
da qualidade do produto; sendo uma commodity, o café, a soja, dentre outros, tem sua
comercialização facilitada, fato que não ocorre com as hortaliças, por exemplo.
principalmente por questões de perecibilidade dos produtos;
\u2022 Existência de editais, coordenados pelo Governo Federal, para financiamento de pesquisa
direcionado a órgãos como a Embrapa, por exemplo; programas de apoio à participação
em feiras no exterior visando incrementar a exportação; outros editais correlatos como
Edital CT-Agro/MDA/MCT/CNPq - nº 020/2005 (Seleção Pública de Propostas para Apoio
a Projetos de Geração