bio I - Cadeia_Produtiva_de_Produtos_Orgânicos_Série_Agronegócios_MAPA
110 pág.

bio I - Cadeia_Produtiva_de_Produtos_Orgânicos_Série_Agronegócios_MAPA


DisciplinaBiologia Geral I193 materiais1.653 seguidores
Pré-visualização41 páginas
orgânicos em 2002Quadro 4. São Paulo: perfil do consumidor de produtos orgânicos em 2002Quadro 4. São Paulo: perfil do consumidor de produtos orgânicos em 2002Quadro 4. São Paulo: perfil do consumidor de produtos orgânicos em 2002Quadro 4. São Paulo: perfil do consumidor de produtos orgânicos em 2002
Idade 27,5% tinham idade até 30 anos, 55,1%
entre 31 e 50 anos e 17,4% acima de 51 anos
Sexo 44,9% eram do sexo feminino e 55,1% do sexo
masculino
Escolaridade 65,2% tinham curso superior e 32,8% curso
primário e secundário
Rotulagem de produtos 97,8% consideravam importante para identificar
sua origem e 2,2% não o consideravam
Itens relevantes para a decisão de compras de origem dos produtos (55,7%), preço (36,6%),
produtos orgânicos rótulo (26,7%) e marca (26,4%)
Grau de conhecimento dos consumidores 98,5% já tinham ouvido falar e somente 1,5%
nunca tinham ouvido falar em agricultura orgânica
Meio de comunicação que mais ouviu falar sobre a televisão apareceu em primeiro lugar, seguida
alimentos orgânicos do jornal, revista e rádio.
Debate sobre produtos orgânicos 99,3% acreditavam que deveria haver mais e
0,7% não
Relação produtos orgânicos e benefícios à saúde 88,4% acreditavam, 1,4% não acreditavam e
10,1% não tinham opinião
Influencia da agricultura orgânica no meio ambiente 89,8% acreditavam que sim, 5,8% não
acreditavam e 4,3% não tinham opinião
Preferência de consumo o produto orgânico é preferido ao convencional
Consumo de produtos orgânicos Preferiram in natura, seguido do produto
orgânico industrializado
Fonte: Lombardi et al (2003).
O público das feiras orgânicas e lojas especializadas, tanto em termos de escolaridade
quanto de renda, faz parte de um grupo de consumidores mais intelectualizados e de uma
classe economicamente mais elevada. Assim, este público está mais propenso a pagar um
preço diferenciado pelos benefícios oriundos do consumo de produtos orgânicos.
A diferença de preço entre os alimentos orgânicos e convencionais varia de 10% a 200%,
dependendo da fonte consultada. No mercado de produtos orgânicos, não existe um
parâmetro definido para o estabelecimento de preços, mas sabe-se que as estratégias de
precificação variam bastante de acordo com o estabelecimento comercial. Por exemplo,
85
nas grandes redes varejistas o sobrepreço cobrado em relação aos produtos convencionais
é bem mais elevado, enquanto nas feiras de produtos orgânicos essa diferença é reduzida.
Quanto aos preços praticados pelos pontos de venda, há evidências de preços mais elevados
dos produtos orgânicos constatando-se um preço premium pelos seus atributos diferenciados
de qualidade. A formação de preços dos alimentos orgânicos está condicionada à fatores
relacionados ao processo de produção, tipo de produto e ponto de venda (Darolt, 2000).
Entre os componentes da precificação dos orgânicos, Alcântara e Souza (2005) citam:
\u2022 A demanda maior que a oferta;
\u2022 Variação dos riscos de perda na produção, em razão de fatores relacionados à necessidade
de experimentação do produtor;
\u2022 Grau de dificuldade de cultivo do produto no sistema orgânico;
\u2022 Posicionamento do produto no ponto de venda (quanto a preço, sortimento e variedade
e segmento de mercado).
Pesquisas revelam alguns dados interessantes:
\u2022 Os cereais orgânicos custam até 50% mais que os cereais convencionais.
\u2022 As frutas orgânicas custam de 20 a 40% mais que as frutas convencionais.
\u2022 Os vegetais orgânicos custam de 20 a 40% mais que os convencionais.
No entanto, deve-se destacar que este produto diferenciado é muito susceptível às variações
na renda dos consumidores e está sujeito a mudanças macroeconômicas. O aumento da
demanda desses produtos esbarra na forte restrição da renda, aliado também aos hábitos
alimentares. Portanto, a maioria dos esforços de diferenciação do produto e agregação de
valor é focada principalmente para os segmentos A e B.
Foi observado que algumas empresas processadoras no Brasil estão pagando um prêmio de
40-60% pela soja orgânica certificada, um prêmio de 10% para a soja orgânica em fase de
conversão e um prêmio de 3,5% para a soja convencional (ou não geneticamente
modificada).
Apesar disso, o maior desafio para as empresas que comercializam produtos orgânicos, são
os problemas com a falta de determinados produtos e, em algumas situações, o excesso do
mesmo produto. Além disso, muitas vezes o produto chega fora do padrão. Para os
supermercados, a reclamação mais freqüente é a de que faltam produtos orgânicos em
maior quantidade, qualidade, diversidade e regularidade. E finalmente, para os consumidores
a maior dificuldade é encontrar diversidade de alimentos orgânicos (carnes, frutas, derivados
de leite) e, sobretudo, preços mais acessíveis.
Vale lembrar que, mesmo com o aumento das vendas e abertura de novos canais de
comercialização, no ano de 2000/2001 aproximadamente 30% a 35% dos pedidos realizados
pelos supermercados nas Regiões Metropolitanas de Curitiba e São Paulo não foram atendidos
por falta de produto (DAROLT, 2003).
Existe a necessidade do desenvolvimento de um processo que aproxime o produtor e o
consumidor, pela troca de informação sobre as condições de produção e de transformação
e pela transparência nas garantias de um produto dentro das normas vigentes para os
orgânicos. O consumidor necessita saber mais sobre os diferenciais e vantagens dos produtos
orgânicos e os produtores e comerciantes precisam obter mais informações sobre os
consumidores, quem são, quantos são, suas preferências e quanto estão dispostos a pagar
86
pelos produtos orgânicos. Um exemplo disso é a visita de representantes de um consórcio
de líderes de supermercados europeus ao Rio Grande do Sul em abril 1999. O número de
redes de supermercado interessadas em comercializar produtos orgânicos aumentou e,
particularmente os membros deste consórcio estão comprometidos a eliminar ingredientes
geneticamente modificados de seus produtos de marca própria.
Uma pesquisa realizada no Rio de Janeiro (CAMPOS, op. cit.) com os consumidores
fluminenses em uma feira orgânica de produtos FLV e em lojas de supermercados, verificou
que entre os fatores limitantes ao consumo dos produtos orgânicos eram: dificuldade de
acesso ao produto (35%), a desconfiança na credibilidade do sistema (10%), a questão da
qualidade (30%) relacionada com a aparência e, com os preços altos (25%). Como fatores
incentivadores, alguns consumidores acham que esta é uma forma de ajudar os agricultores
e o mercado, outros (55%) alegam um melhor sabor e durabilidade dos alimentos da FLV
do que os produtos da agricultura convencional.
8.2 Quanto à oferta8.2 Quanto à oferta8.2 Quanto à oferta8.2 Quanto à oferta8.2 Quanto à oferta
Apesar do alto potencial de crescimento e expansão do leque de produtos, o mercado
orgânico ainda representa um nicho, pois os volumes de venda são reduzidos e os preços se
mantêm elevados. As restrições de oferta e a falta de acordos entre varejistas e fornecedores
têm levado esse mercado a um desenvolvimento expressivo, porém ainda bastante lento.
Deve-se considerar que, pelas características próprias dos alimentos, alguns produtos de
ciclo produtivo mais longo e outros mais sensíveis aos fatores climáticos, apresentam algumas
oscilações em termos de abastecimento.
Os produtores estão segmentando seu mercado para atender a um nicho específico de
consumidores. No caso da soja orgânica que encontra maior mercado no exterior, os
produtores podem evitar a competição severa no mercado convencional, e daqui protegem-se
das pressões provenientes da intensificação e da marginalização da agricultura. Porém,
deve-se ressaltar que um limitante deste posicionamento é a dependência do mercado
externo.
Para os agricultores, o grande problema é seguir um planejamento de produção organizado
em conjunto com outros produtores. Para se ter um exemplo, somente 40% dos produtores