bio I - Cadeia_Produtiva_de_Produtos_Orgânicos_Série_Agronegócios_MAPA
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de hortaliças orgânicas possuem condições de produção contínua, ou seja, oferta estável.
Um planejamento e controle de produção, considerando as oportunidades de produção e
comercialização de produtos orgânicos (de acordo com a preferência dos consumidores), e
um sistema de distribuição para a produção, facilitariam o controle das quantidades a serem
produzidas em cada propriedade, e uma maior especialização dos produtores nas áreas
específicas de produção.
Como o conhecimento sobre questões associadas ao planejamento e controle da produção
não é uma regra entre os produtores de orgânicos (geralmente pequenos), é conveniente a
reunião destes em associações. Dessa forma, é possível manter uma regularidade na oferta
e garantir maior poder de barganha na negociação dos produtos.
Em conseqüência das mudanças de hábitos do consumidor, os produtos hortigranjeiros
tornaram-se forte atrativo para o varejo. Participam entre 6% e 9% do faturamento dos
hipermercados, e entre 8% e 13% no dos grandes supermercados. Esses estabelecimentos
pagam aos fornecedores com prazos que vão de 21 a 40 dias.
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Um exemplo da participação do grande varejo na comercialização dos orgânicos é o da
rede Pão de Açúcar onde os produtos foram oferecidos nas gôndolas pela primeira vez em
1993 e, em 2000 já representavam 5% do faturamento do setor de hortifrutigranjeiros. A
empresa pretende que pelo menos 50% da sua seção de hortifrutigranjeiros seja representada
pelos orgânicos, contribuindo para uma imagem diferenciada da rede perante o consumidor
(ALCÂNTARA; SOUZA, 2005).
No entanto, para permanecer como fornecedores dos hiper e supermercados, os
hortifruticultores devem tomar uma série de cuidados e atender a exigências, ou serão
excluídos. Devem seguir padrões de classificação e de embalagem dos produtos, fazer as
entregas nas lojas ou nas centrais de compras, cumprir prazos, ser assíduos e manter os
preços negociados anteriormente, mesmo que estes oscilem fortemente, manter rigorosa
qualidade nos produtos, principalmente quanto aos atributos de aparência, tamanho e cor.
Para os pontos de venda, quando existe oferta maior que a procura, o próprio produtor faz
promoção, repassando a mesma para o consumidor final.
Já existem algumas oportunidades do mercado para a venda alimentos orgânicos no Brasil,
mas a demanda para estes produtos é muito mais elevada para vegetais, frutas, e alimentos
processados e refrigerados. O caso das hortaliças é conseqüência da adequação dos sistemas
de produção orgânica às características de pequenas propriedades, principalmente aquelas
com gestão familiar, seja pela diversidade de produtos cultivados em uma mesma área,
seja pela menor dependência de recursos externos, com maior utilização de mão de obra e
menor necessidade de capital. Souza (2003) considera que os produtores familiares são
responsáveis por 70% da produção orgânica, com maior expressão na região sul do País.
Sobre a oferta de açúcar orgânico, uma outra questão refere-se a seus concorrentes e
substitutos possíveis. No mercado industrial, o açúcar orgânico de cana não tem substitutos
sintéticos. Seu maior competidor, atualmente, é o açúcar orgânico de beterraba, mas que
possui várias desvantagens competitivas em relação ao açúcar de cana. Adoçantes naturais
orgânicos como o xarope de milho e o steviosídeo podem ocupar esse posto.
No entanto, a substitutibilidade do açúcar, seja de cana ou beterraba, pelos adoçantes
naturais alternativos, não é total. Existem usos industriais onde ela é mais completa, por
exemplo, na fabricação de bebidas não-alcoólicas o açúcar pode ser totalmente substituído
por adoçantes sintéticos. Na fabricação de chocolates, por outro lado, o açúcar de cana ou
beterraba, por suas características físico-químicas ainda é insubstituível (STOREL Jr., 2003).
8.3 Quanto ao comércio e negociações internacionais8.3 Quanto ao comércio e negociações internacionais8.3 Quanto ao comércio e negociações internacionais8.3 Quanto ao comércio e negociações internacionais8.3 Quanto ao comércio e negociações internacionais
Dois aspectos importantes são destacados por Souza e Alcântara (2003) para o
posicionamento do país no mercado internacional. Em primeiro lugar está a possibilidade
de intensificar a participação da agroindústria, ampliando a oferta de produtos processados.
Além disso, as condições climáticas nacionais favorecem a possibilidade de produção de
produtos de clima tropical para fins de exportação ao Japão, aos países europeus e norte-
americanos. Entretanto, outros aspectos relevantes, característicos desse mercado, precisam
ser considerados, como a sanidade dos produtos, as regras para a exportação de cada país,
dentre outros.
A situação dos produtos para exportação é complexa. A Apex procura orientar os produtores
para a observância dos padrões exigidos nos principais mercados consumidores do exterior
através do Projeto Orgânicos Brasil, lançado em julho de 2005. Entretanto, os brasileiros
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divergem de algumas normas e, em alguns segmentos, adotam métodos proibidos no
hemisfério norte. Alguns afirmam que no norte do País é necessário utilizar biofertilizantes
para combater fungos, mas ressaltam que estes são fertilizantes orgânicos. Mesmo assim
os europeus não admitem seu uso, até porque não enfrentam problemas com a umidade.
Negociações internacionais na forma de acordos bilaterais e a falta de harmonização entre
regulamentos que dificultam acordos de equivalência, levam os produtores brasileiros a
adotarem as regulamentações dos países importadores. Dessa forma, os mercados norte-
americano e europeu exigem que os processos e produtos orgânicos sejam certificados por
organizações reconhecidas por eles. O uso de sistemas de rastreabilidade e sustentabilidade
é uma exigência básica para produtores que almejam o acesso aos mercados de exportação
para países desenvolvidos, assim como atender à existência de padrões e exigências
diferentes para cada país, e esse é o desafio-chave para a certificação.
É difícil fazer um balanço dos benefícios e dos riscos da produção orgânica para exportação
no ponto de vista dos pequenos produtores. Apesar de preços mais elevados pagos para um
produto diferencial, é necessário considerar o risco de doenças e pragas que podem reduzir
os rendimentos. Este preço superior pago ao produto orgânico pode ser gasto para cobrir os
custos da certificação.
Além disso, para alcançar mercados de países desenvolvidos, as exportações de orgânicos
enfrentam as mesmas barreiras impostas à exportação de produtos convencionais:
\u2022 Subsídios agrícolas que podem distorcer o comércio;
\u2022 Limitado acesso à informação sobre as regras exigidas para regulamentação, fatores de
qualidade, práticas de demanda, práticas de mercado e os aspectos logísticos no
atendimento aos mercados estrangeiros. Houve diversos casos em que produtos
certificados em países em desenvolvimento tiveram que ser vendidos como produtos
convencionais por problemas de troca de informação entre as partes;
\u2022 Limitado acesso ao financiamento, especial para pequenos produtores;
\u2022 Falta de transporte e do armazenamento adequados às exigências da produção orgânica,
como a manipulação separada dos produtos orgânicos e convencionais;
\u2022 Restrições específicas, relacionadas à execução necessária do procedimento de certificação
e de rastreabilidade no setor orgânico.
As exigências para importações de produtos orgânicos diferem de um país a outro em razão
da falta da harmonia entre as diversas agências certificadoras e de confiança no outro
agente da negociação. Esse é considerado um dos obstáculos principais para o
desenvolvimento contínuo e rápido do setor de orgânico dos países em desenvolvimento e,
portanto, deve ser gerenciado para garantia do sucesso do setor.
Para promover a exportação destes produtos orgânicos, e com potencial para o
desenvolvimento da agricultura orgânica no país, é necessário