bio I - Cadeia_Produtiva_de_Produtos_Orgânicos_Série_Agronegócios_MAPA
110 pág.

bio I - Cadeia_Produtiva_de_Produtos_Orgânicos_Série_Agronegócios_MAPA


DisciplinaBiologia Geral I189 materiais1.653 seguidores
Pré-visualização41 páginas
de produtos
orgânicos certificados no mercado cresceu rapidamente. Estruturas econômicas estáveis e
políticas claras têm papel significativo na disponibilização do conhecimento e nas escolhas
estratégicas dos agricultores.
O apoio governamental à agricultura orgânica nestes países ocorre de forma indireta,
principalmente por intermédio do estabelecimento de marcos regulatórios claros e estáveis.
A iniciativa privada, por sua vez, contribui principalmente para o financiamento dos custos
da certificação. Em nível mundial, as agências de desenvolvimento nacionais e internacionais
também têm cumprido papel importante, os quais objetivam garantir a segurança dos
alimentos, o aumento da renda dos produtores (principalmente pequenos) e a interrupção
(ou reversão) da degradação ambiental.
No Brasil, o Governo tem atuado de duas formas. De um lado, busca a regulamentação do
mercado por meio da criação do marco regulatório para a produção e a comercialização de
produtos orgânicos. De outro, atua no financiamento à agricultura orgânica por meio da
criação de linhas especiais de crédito que contemplam o setor. Deve-se destacar que tais
mecanismos de financiamento não contemplam o período de conversão da lavoura, o que
representa, como será visto posteriormente, uma barreira à importante para a expansão da
produção orgânica.
Os países em desenvolvimento estão começando a se beneficiar das oportunidades do
mercado mundial de produtos orgânicos. Eles contam hoje com cerca de 60% do número
dos estabelecimentos certificados no mundo e 29% do volume total da área orgânica
certificada. Entretanto, há muito ainda a ser feito para aumentar a competitividade destes
países. Um passo importante seria estabelecer normas e regulamentos para produtos
orgânicos. Um sistema de credenciamento de organismos certificadores de produtos, confiável
e independente, se faz necessário, bem como o controle para que essas regras sejam
cumpridas. Custos adicionais de certificação poderiam ser evitados se as regras internas de
produção orgânica de um país exportador fossem reconhecidas como equivalentes às regras
de produção orgânicas do país para o qual as exportações são realizadas.
A competitividade da cadeia produtiva de produtos orgânicos fundamenta-se em estratégias
de diferenciação de produtos. Essa estratégia tem como princípio a geração de produtos
16
diferenciados e com alto valor agregado que possam atender a mercados (nichos) cada vez
mais segmentados e específicos. Porém, as características intrínsecas dos produtos orgânicos,
que não podem ser observadas com facilidade no momento da compra, justificam a
necessidade de monitoramento pelas empresas certificadoras. Estas empresas têm sido
responsáveis não somente pela garantia dos produtos ofertados, no que tange às normas e
procedimentos para o cultivo orgânico, como também pela orientação de produtores e
consumidores nacionais e internacionais. Nesse sentido, a certificação é um elemento
fundamental de governança das transações que, além de proporcionar mecanismos de
padronização e classificação, reduz os custos de aquisição da informação, minimizando a
assimetria informacional e diminuindo o comportamento oportunista entre os agentes.
O processo de regulamentação da produção e comercialização de produtos orgânicos está
mais avançado nos Países de Alta Renda (PAR), especialmente os da União Européia. Nos
Países Produtores de Baixa Renda (PBR), os processos de regulamentação encontram-se em
fase de implantação, pressionados principalmente pela necessidade de cumprir essa exigência
para a exportação aos mercados já regulados dos principais importadores. Estes concentram
o comércio de produtos certificados de maior valor agregado, deixando, muitas vezes, para
os demais o papel de exportadores de matéria-prima orgânica certificada.
Apesar do alto potencial de crescimento da produção e de ampliação do leque de produtos,
a oferta mantém-se relativamente inelástica e os preços permanecem elevados. O market
share dos produtos orgânicos no total de vendas de alimentos ainda é pequena, mesmo em
países tradicionalmente grandes consumidores desses produtos (1% a 3%, com destaque
para Suíça e Dinamarca).
Segundo dados do Ifoam de 2000, a demanda por produtos orgânicos na Europa cresce à
taxa de 40% ao ano. Segundo a Organização para Agricultura e Alimentação (FAO), para
2010, o mercado pode crescer entre US$ 61 e 94 bilhões nos países com mercados orgânicos
certificados ou entre 3,5 e 5% no mercado global de alimentos. Esta previsão pode ser
maior se os mercados orgânicos não-certificados forem incluídos.
Isso impulsiona o crescimento da área plantada sob o sistema orgânico de produção em
países como o Brasil. No entanto, as informações sobre a produção da Agricultura Orgânica
(AO) no Brasil ainda são relativamente escassas, encontrando-se dispersas nos arquivos de
Organizações Certificadoras (OCs), de associações de agricultores e de ONGs. Não existe
controle sistemático dos dados por nenhum órgão federal.
Em 2002, a área orgânica certificada era de cerca de 270 mil hectare (ha), equivalente a
apenas 0,25% da área agrícola brasileira. Desse total, 117 mil (em torno de 40%) eram
utilizados principalmente para a pastagem de gado de corte e, em menor grau, de leite. Os
outros 153 mil ha eram destinados ao cultivo dos mais diversos produtos agrícolas, desde
\u201ccommodities\u201d até produtos com algum grau de diferenciação, incluindo produtos típicos
da atividade extrativista. Os produtos orgânicos processados eram obtidos de 127 unidades
certificadas, e seu volume pouco expressivo frente ao volume de produtos desse tipo vendidos
in natura.
Pequenos e médios produtores representam 90% do total de produtores orgânicos, atuando
basicamente no mercado interno. Os 10% restantes, compostos de grandes produtores,
encarregam-se principalmente da produção voltada para a exportação. O processamento
dos produtos é predominantemente realizado por empresas de maior porte.
A agricultura orgânica sempre utilizou diversos canais de distribuição para a comercialização
dos seus produtos. Em alguns deles não existe a presença de intermediários, e o próprio
17
produtor é quem distribui seus produtos. Outro mecanismo de comercialização é a venda
por meio das feiras de produtos orgânicos, que estimulam o desenvolvimento dos mercados
locais, constituindo-se em uma forma de apoiar produtores ainda não certificados. Embora
significativa, a participação do varejo supermercadista na venda de tais produtos tem caído
ultimamente, em benefício da participação da comercialização por meio de feiras e
associações. Vale dizer que a implantação de alternativas aos processos de comercialização
vigentes é uma das condições necessárias para melhoria efetiva das condições de vida, de
trabalho e de renda dos agricultores familiares dedicados à produção orgânica.
A produção orgânica brasileira exportável (certificada) é bastante diversificada, sobretudo
no que se refere aos produtos in natura. Segundo a Agência de Promoção de Exportações
e Investimentos (Apex), em 2004, o valor dos produtos orgânicos exportados foi de U$ 115
milhões. O destino mais importante para estes produtos foi América do Norte (51%), seguido
da Europa (46%). O valor total das importações realizadas pelo Brasil é desconhecido.
Sabe-se, no entanto, que os produtos importados consistem de sementes e azeite de oliva
da Itália, vinagre do Paraguai e arroz da Argentina. Para melhorar as exportações há
problemas ainda a serem resolvidos. Esses problemas estão principalmente relacionados ao
custo da certificação, às perdas na classificação, ao financiamento das estruturas de
estocagem e às embalagens adequadas para a exportação.
A falta de harmonização das normas internacionais não tem representado impedimento
para as exportações brasileiras (mesmo sem a regulamentação da Lei nº 10.831/2003). O
que os produtores brasileiros fazem para