Correspondencia Completa entre Jung e Freud
674 pág.

Correspondencia Completa entre Jung e Freud


DisciplinaLivros17.093 materiais92.554 seguidores
Pré-visualização50 páginas
e edi­
ção de Alexander Grinstein. Vols. I-IX. Nova Iorque, 1952-59.
Hale, Nathan G., Jr., Freud and the Americans: The Beginnings of 
Psychoanalysis in the United States, 1876-1917. Nova Iorque, 
1971.
Jahrbuch = Jahrbuch für psychoanalytische und psychopathologische 
Forschungen. Ver apêndice 2.
Jones, Ernest. Free Associations; Memories of a Psycho-Analyst. 
Londres e Nova lorque, 1959.
Jones \u2014 Ernest Jones, Sigmund Freud: Life and Work. Londres e 
Nova lorque, 1953, 1955, 1957. 3 vols. (Como a paginação 
das edições não coincide, são dadas duas referências de págs., 
a primeira delas remetendo à ed. londrina.)
Jung, \u201cAbstracts\u201d = \u201cReferate über psychologische Arbeiten schwei­
zerischer Autoren (bis Ende 1909)\u201d, Jahrbuch, II: 1 (1910); 
cf. \u201cAbstracts of the Psychological Works of Swiss Authors (to 
the end of 1909)\u201d, CW 18 (contendo apenas súmulas escritas 
por Jung).
Jung, Letters \u2014 C. G. Jung: .Letters, seleção e edição de Gerhard 
Adler em colaboração com Aniela Jaffé. 2 vols. Princeton 
(Boliingen Series XCV) e Londres, 1973, 1974.
Jung, Memories ~ Memories, Dreams, Reflections by C. G. Jung, 
registro e edição de Aniela Jaffé; tradução de Richard e Clara 
Winston, Nova lorque e Londres, 1963. (Como a paginação 
das edições não coincide, são dadas duas referências de págs., 
a primeira delas remetendo à ed. nova-iorquina.)
Minutes = Minutes of the Vienna Psychoanalytic Society. Edição de 
Herman Nunberg e Ernst Federn; tradução de M. Nunberg. 
Nova lorque, 1962-74. (I: 1906-8; II: 1908-10; III: 1910-15, 
consultado em ms.)
Papers = Schriften zur angewandten Seelenkunde, editados por Sig­
mund Freud. N? 1 (1907)-. Viena. ( \u201cPapers on Applied 
Psychology\u201d ). Ver lista no apêndice 5.
Putnam and Psychoanalysis = James Jackson Putnam and Psycho­
analysis; Letters between Putnam and Sigmund Freud, Ernest 
Jones, William James, Sandor Ferenczi, and Morton Prince, 1877- 
1917, edição de Nathan G. Hale, Jr., Cambridge, Mass., 1971.
Ross, Dorothy, G. Stanley Hall: The Psychologist as Prophet. 
Chicago, 1972.
Schreber, Memoirs \u2014 Daniel Paul Schreber, Memoirs of My Nervous 
Illness, traduzido e editado, com introdução, notas e comentá­
rios, por ida Macalpine e Richard A. Hunter. Londres, 1955.
SE = The Standard Edition of the Complete Psychological Works
of Sigmund Freud. Traduzida sob a direção editorial de James 
Strachey, com a colaboração de Anna Freud e a assistência de 
Alix Strachey e Alan Tyson. Londres e Nova Iorque, 1953- 
1974. 24 vols.
Short Papers \u2014 Sammlung kleiner Schriften zur Neurosenlehre [de 
Sigmund Freud]. Vol. 1 (1906)-. Viena. (\u201cCollected Short 
Papers on the Theory of the Neuroses.\u201d )
Zeitschrift \u2014 Internationale Zeitschrift für ärztliche Psychoanalyse. 
Viena, 1913-,
Zentralblatt \u2014 Zentralblatt für Psychoanalyse; Medizinische Monats­
schrift für Seelenkunde. Wiesbaden, 1911-13.
Abreviaturas usadas no texto:
cs. = consciente (ência)
D. pr., Dem. pr. = demência precoce 
^ ;= psique, psico- 
^A \u2014 psicanálise, psicanalí- 
+N = psiconeurose 
ics. = inconsciente
SIGMUND FREUD
Freiburg (Pribor), Morávia Londres
6 de maio de 1856 23 de setembro de 1939
CARL GUSTAV JUNG
Kesswil, Thurgau
26 de julho de 1875
Küsnacht
6 de junho de 1961
INTRODUÇÃO
Essas cartas são a evidência direta do encontro intensamente 
fecundo e finalmente trágico de Freud e Jung. O espírito de tragédia, 
no entanto, reside apenas no encontro \u2014 o drama das próprias 
cartas \u2014 e se desenrola de maneira quase clássica para a catástrofe 
prefigurada do conflito e da discórdia. Não cabe propriamente dizer 
que a vida e a carreira de Freud ou Jung tenham sido tragicamente 
alteradas; da ruptura inevitável, com efeito, ambos souberam extrair 
certos valores criativos.
Ao contrário das menções polidas e simpáticas trocadas a pro­
pósito de sua obra publicada quando ainda eram colaboradores, ou 
de tudo o que escreveram sobre seu relacionamento durante o amargo 
desfecho, as cartas dão o mais acurado testemunho da interação 
complexa dessas duas personalidades únicas, tão ligadas uma à outra, 
não obstante tão dessemelhantes. O diálogo inevitavelmente incita à 
interpretação analítica e psicanalítica, à ruminação filosófica sobre 
suas origens, efeitos e \u201csignificado\u201d, bem como à avaliação de suas 
agressões, projeções, magnanimidades, rasgos de sabedoria, partículas 
seminais e tudo o que ainda possa, eventualmente, ser colocado na 
balança. Uma apreciação da correspondência nesses termos foi, po­
rém, vedada pelos filhos dos dois personagens, que, ao concluírem 
um acordo para publicar as cartas, prudentemente estipularam que 
elas deveriam ser tratadas \u201ccomo documentos históricos. . . a fim de 
garantir a imparcialidade\u201d.
Nos anos imediatamente anteriores ao início deste século, Freud 
se achava num estado que ele mesmo definiu, mais de uma vez, como 
um \u201cisolamento esplêndido\u201d .1 Sua carreira havia sido marcada por 
frustrações; ele não se tornara um pesquisador científico, como che­
gara a desejar, nem um professor universitário.2 A colaboração com 
Josef Breuer levara a uma obra importante, os Estudos sobre a His­
teria (1895; Ed. Standard Bras., II) , mas depois disso os dois se 
separaram. Após usar o termo \u201cpsicanálise\u201d, pela primeira vez, numa 
publicação de 1896, Freud se dedicou, durante a última parte da 
década, à elaboração da técnica psicanalítica. Totalmente sozinho, 
partiu em 1897 para a auto-análise de seu próprio inconsciente, o
1 Para os detalhes desse período da carreira de Freud, ver Jones, I, c. XIV- 
XVI, e II, c. I II; Freud, The Origins of Psychoanalysis', Ellenberger, The 
Discovery of the Unconscious, c. 7; e K. R. Eissler, Sigmund Freud und die 
Wiener Universität (Berna, 1966). (Para explicação dos títulos abreviados, 
ver p. 9-11.
2 C. A. Schorske, \u201cPolitics and Patricide in Freud\u2019s Interpretation of 
Dreams\u201d, American Historical Review, LXXVIII:2 (abril, 1973), 330 s.
13
que o levou à composição de A Interpretação de Sonhos (publicada 
no fim de 1899 mas datada de 1900; Ed. Standard Bras., IV-V). 
Segundo o relato de Ernest Jones, o livro pouco vendeu e foi inade­
quadamente considerado pela crítica. Não obstante, seria um marco 
decisivo na vida de Freud. \u201cEle o considerava, a um só tempo, como 
sua obra científica mais significativa, a pedra fundamental de todo o 
seu trabalho, e como a obra que pessoalmente o levou ao esclareci­
mento, dando-lhe a força para encarar de modo diferente uma exis­
tência difícíl.\u201d 3
O ano de 1902 foi marcado por três acontecimentos de grande 
repercussão na carreira de Freud. Desde 1887 ele mantinha uma 
correspondência e uma amizade íntima com Wilhelm Fliess, um 
otorrino de Berlim; as cartas a Fliess, conservadas de modo quase 
milagroso,4 são uma fonte básica de conhecimento sobre a gênese da 
psicanálise. Mas em 1902 chegaram ao fim a correspondência e a 
amizade. Ademais, em grande parte por seu próprio esforço, ele foi 
designado para um cargo que, na Universidade de Viena, correspondia 
ao de professor assistente. Por fim, no outono desse mesmo ano, 
Freud encampou a sugestão de Wilhelm Stekel e deu início aos 
\u201cEncontros Psicológicos das Quartas-Feiras\u201d, convidando quatro de 
seus conhecidos interessados em psicanálise para reuniões em sua sala 
de espera.5
A reputação de Freud e seus contatos lentamente se expandiam 
além dos limites de Viena. Escreveu a seguir A Psicopatologia da Vida 
Cotidiana (1901; Ed. Standard Bras., VI) e Fragmento da Análise 
de um Caso de Histeria (não publicado senão em 1905; Ed. Stand­
ard Bras., V II); e então, também simultaneamente, Chistes e sua 
Relação com o Inconsciente (1905; Ed. Standard Bras., VIII) e Três 
Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade (1905; Ed. Standard Bras., 
V II). Foi a última obra, no dizer de Jones, \u201cque conferiu ao nome 
de Freud um ódio máximo\u201d ,6 devido