Correspondencia Completa entre Jung e Freud
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Correspondencia Completa entre Jung e Freud


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por Freud para definir sua situação 
(carta a Fliess, 7 de maio de 1900, Origins, p. 318). / Jones (II, p. 43-38) 
assistiu à reunião do grupo freudiano em 29-10.
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Jones que pelo menos 2 pessoas iriam da Inglaterra e certamente 
haverá vários da Suíça.
Minha palestra em Amsterdam, que sempre me esqueço de men­
cionar por razões \u201ccomplexas\u201d, será publicada no Monatsschrift für 
Psychiatrie und Neurologie. Ainda precisa de um ligeiro polimento.
Essa semana darei um pulo a Genebra, a segunda cidade uni­
versitária onde suas idéias jamais voltarão a ficar adormecidas.
Cordiais saudações.
Atenciosamente, j u n g
55 F
8 de dezembro de 1907 
Viena, IX. Berggasse 19
Caro amigo e colega,
Malgrado o incômodo que parece sentir com seu \u201ccomplexo\u201d, 
o senhor me encheu de alegria com notícias realmente interessantes. 
Nada de comparável posso oferecer-lhe em troca. O Congresso em 
Salzburg, na primavera de 1908, me deixaria muito orgulhoso; 
suponho que minha presença só serviria para atrapalhar; espero, 
porém, que não me convide. O Dr. A\u2014 enviou (mas não a mim) 
um relato entusiástico e a meu ver arguto sobre sua atuação na 
sociedade de Zurique. Seu inglês me interessa devido à nacionalidade 
dele; acredito que os ingleses, familiarizando-se com nossas idéias, 
não mais as abandonarão. Confio menos nos franceses, mas o povo 
de Genebra deve ser considerado suíço. O artigo de Claparède sobre 
a definição de histeria1 limita-se a um julgamento muito inteligente 
de nossos esforços; a idéia da construção de vários andares vem de 
Breuer (na seção geral dos Studies) 2 e a própria construção, a meu 
ver, bem que podia ser descrita melhor. Claparède entenderia mais a 
planta se consultasse os pacientes em vez de se ater aos imprestáveis 
autores. Apesar disso, o estudo é um passo à frente; a rejeição de 
\u201csugestão\u201d era necessária. Espero que, como resultado de sua visita,
1 \u201cQuelques mots sur la définition de l \u2019hystérie\u201d, Archives de psychologie, 
VII (1908). Ver Jung, \u201cResumos\u201d.
2 Estudos sobre a Histeria, Edição Standard Brasileira, II, p. 301-302 
(Parte III, "Considerações Técnicas\u201d, por Josef Breuer; orig. 1893).
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ele aprenda a levar em conta numerosas coisas de que ainda ostensi­
vamente se esquece.
Deu-me grande prazer encontrar uma referência a um trabalho 
de Jung, \u201cA Teoria Freudiana da Histeria\u201d, no índice de Folia Neuro- 
biologica,3 um novo periódico. Fui à página indicada e achei \u2014 
apenas uma linha. Depois dessa experiência traumática, pareceu-me 
que o melhor seria não assinar esse novo \u201córgão central\u201d.
Domingo que vem Abraham virá de Berlim para me ver.
Durante a semana passada, planejei e redigi uma palestra que 
pronunciei no dia 6 numa pequena sala na editora de Heller;1 cerca 
de noventa pessoas a assistiram. Tudo transcorreu sem incidentes, 
o que não deixa de ser bom para mim, mas o prato há de ter sido 
indigesto, quer para os escritores, quer para as respectivas esposas. 
Die Neue Rundschau adquiriu a palestra, ainda no estado fetal, e 
provavelmente a publicará. Foi pelo menos uma incursão num terri­
tório até agora quase virgem para nós, mas onde posso me estabelecer 
facilmente. Vejo que esqueci de dizer-lhe o título da palestra! É 
\u201cO Poeta e o Devaneio\u201d.5 Falo mais de fantasias que de poetas, mas 
espero compensar isso de outra feita.
Escreva-me logo que possível.
Cordialmente, d r . f r e u d
56 J
Burgholzli-Zurique, 16 de dezembro de 1907
Caro Professor Freud,
O senhor está redondamente enganado se pensa que o deixaremos 
de fora de Innsbruck ou Salzburg! Muito pelo contrário, esperamos
3 Folia neuro-biologica (Leipzig), 1:1 (outubro de 1907), 142: apenas 
uma menção à palestra de Jung no Congresso de Amsterdam em setembro; 
ver 43 J n. 2 e 82 F n. 3. Jung aparecia como consultor editorial desse novo 
\u201córgão central internacional para a biologia do sistema nervoso\u201d (subtítulo). 
A palestra foi comentada em 11:1 (outubro de 1908), 140.
4 Hugo Heller (1870-1923), um dos primeiros membros da Sociedade das 
Quartas-feiras, apesar de não ser psicanalista; dono de uma livraria que era 
ponto de encontro dos intelectuais e artistas de Viena, incumbiu-se da publi­
cação de Imago e do Internationale Zeitschrift fiir Psychoanalyse. Ver também 
58 F n. 1.
5 \u201cDer Dichter und das Phantasieren\u201d = \u201cCreative Writers and D ay­
dreaming\u201d, SE IX. O jornal não era Neue Rundschau, o principal mensário
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reunir-nos sob sua presidência. A idéia é realizar nosso Congresso 
após o dos psicóiogos em Frankfurt,1 i.e., após 20 de abril. (Infeliz­
mente não consigo lembrar no momento a data exata.) Espero que 
essa ocasião lhe convenha. Para facilitar o comparecimento, o ideal 
seria que o encontro- se limitasse a uma noite e um dia, de modo 
que todos os participantes, mesmo os dos lugares mais distantes, não 
se vissem forçados a abandonar seu trabalho por mais de três dias. 
Tão logo me diga como encara esse argumento, submeterei propostas 
definitivas aos interessados.
Negocio no momento a fundação de uma revista para a qual 
quero ter garantida uma ampla distribuição. Há de ser internacional, 
pois devemos nos emancipar tanto quanto possível do mercado 
alemão. Falar-lhe-ei a respeito assim que tenha em mãos resultados 
concretos.
Por mais algum tempo Claparède há de se manter reticente, 
pois não dispõe de dados; na realidade é um psicólogo. Da parte 
dele, temos garantida uma neutralidade benévola.
Desculpe por favor a brevidade dessa carta. Estou ocupadíssimo.
Cordialmente, j u n g
57 F
21 de dezembro de 1907 
Viena, IX. Berggasse 19
Caro amigo e colega,
Que planos magníficos! Decerto não lhe falta energia. Para mim 
seria ótimo se o encontro se realizasse após a Páscoa,1 quanto mais 
cedo melhor. Se você escolher Salzburg em vez de Innsbruck \u2014 a 
primeira é de longe a mais bonita e apropriada das duas \u2014 não 
haverá dificuldade para mim, pois o expresso daqui a Salzburg leva 
apenas seis horas. Mas ainda estou disposto a abrir mão do convite
literário da Alemanha, publicado até hoje, mas sim Neue Revue (I: 10, março 
de 1908). Ver também Jones, II, p. 385-344.
1 III Congresso de Psicologia Experimental, Frankfurt am Main, 22 / 
25-4-08.
1 19 de abril.
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caso uma nova reflexão o leve a achar que as coisas andariam 
melhor em minha ausência. A propósito, há outro ponto a ressaltar. 
Certamente não faria sentido que eu assumisse a presidência. De 
jeito nenhum. O comando cabe ao senhor ou a Bleuler; com tato, 
revezemos os papéis!
Falando francamente, seus planos para a revista me agradam 
ainda mais, esta é uma questão de vida ou morte para nossas idéias.
Às perguntas que fiz a Jensen, recebi a resposta que se segue. 
Por um lado ela demonstra a pouca disposição que ele tem de ajudar 
em investigações desse tipo; por outro lado, sugere que os fatos são 
mais complicados que as indicações de um mero esquema. À pergunta 
principal \u2014 se havia algo patológico no andar dos modelos de suas 
personagens \u2014 ele não deu resposta. Transcrevo a carta, pois dificil­
mente é legível sem uma lente de aumento: após uma introdução 
na qual se desculpa por um tratamento \u201clapidar\u201d de minhas perguntas, 
ele escreve:
\u201cNão. Não tive irmãs nem qualquer parente mulher por consan­
güinidade. Contudo, \u2018O Guarda-chuva Vermelho\u2019 foi composto à base 
de lembranças minhas; a de um primeiro amor, uma garota que foi 
minha amiga de infância, muito chegada, e aos dezoito anos morreu 
de uma consunção, e a de uma moça de quem me aproximei anos 
depois e que também foi arrebatada por uma morte abrupta. É da 
última que vem o \u2018guarda-chuva vermelho\u2019. Em meu conto as duas 
figuras se fundiram, por assim dizer, numa só; o elemento místico, 
expresso principalmente nos poemas, também teve origem na segunda 
moça. A novela \u2018Sonhos Juvenis\u2019 (em minha coletânea Dos Tempos 
de Mais Calma*