Não Chame Ninguém de Mestre - Joyce Collin-Smith
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Não Chame Ninguém de Mestre - Joyce Collin-Smith


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para a velha 
senhora; a flor sobreviveu a uma longa viagem de carro sem problemas. Uma hora 
depois de ficar na mesma sala que Elsie, porém, começou a murchar. "Quando 
mencionei isso, ela olhou de lado para mim e disse, com ar de malvada: 'Odeio 
hortênsias'. Quando pedi desculpas por ter-lhe dado um presente inaceitável, ela 
contemplou a flor durante um bom tempo, depois continuou a conversar. Dez ou 
quinze minutos depois, fiquei atônita ao notar que a flor se recuperara e estava 
levantando suas pétalas de modo visível, como se lhe houvessem exortado a viver 
para não me magoar."
Uma outra história sobre lady Abercrombie pode oferecer uma possível 
explicação para seus poderes peculiares. Quando adolescente, caiu de um cavalo e 
fraturou a espinha; suas pernas ficaram paralisadas. Um dia, ela entreouviu uma 
conversa entre seu pai e o médico, que discutiam o que fazer com ela, pois era óbvio 
que nunca mais poderia voltar a andar. Isso a enfureceu tanto que ela pediu aos 
empregados indianos que a pusessem sobre um cavalo já velho, passando a 
comandá-lo com suas mãos e voz. Ao fazer isso repetidas vezes, foi recuperando 
gradualmente o uso de suas pernas. Perguntei-me se esse tremendo esforço da 
vontade teria desenvolvido nela alguma estranha capacidade de dar 'ordens mentais'. 
Depois, reli a história sobre o banquete e os camelos, e notei que ela já possuía 
poderes telepáticos desde a infância; assim, minha explicação não seria válida. 
Contudo, menciono esse exemplo para explicar a razão pela qual acho este livro tão 
notável e importante \u2014 ele suscita questões que não deveriam ser ignoradas, e às 
vezes orienta a mente na vaga direção geral das respostas.
Naturalmente, essa não é a única razão. Muitos leitores vão achá-lo fascinante 
por causa dos relatos de suas experiências próprias com Pak Subuh, o 'messias' 
indonésio que causou tanta sensação na década de 60, e com o Maharishi. Quando li 
a primeira versão deste livro, há uns cinco anos, ele tratava principalmente do 
Maharishi, e o li de ponta a ponta com total absorção. Quando a incentivei a procurar 
uma editora, ela explicou que diversas editoras tinham, de fato, pensado nisso, mas o 
consenso geral era de que o interesse pelo Maharishi tinha diminuído e que ninguém 
teria interesse em ler um livro inteiro sobre ele. Fico feliz ao ver que meu entusiasmo 
fez com que ela decidisse transformar o livro numa autobiografia e que ela tenha 
escrito bastante sobre Rodney Collin e James Webb, bem como sobre suas 
experiências com o grupo de Ouspensky, liderado por Francis Roles. Para mim, 
porém, o núcleo do livro continua a ser o relato que fez do iogue Maharishi Mahesh. 
Mais uma vez, na anedota que contam sobre a senhora irritada que reclamou com a 
gerência do hotel sobre a multidão de discípulos, encontro o curioso problema do 
controle telepático. De outra maneira, como teria sido possível para Maharishi declarar 
com tamanha certeza que eles não teriam mais problemas com a velha senhora? No 
entanto, ainda mais fascinante é a questão de como ele conseguiu mergulhar todos os 
seus 'iniciados' num imediato estado de meditação transcendental \u2014 apesar de 
acreditar que seria possível ensinar o mundo inteiro a 'meditar' em três anos. De 
algum estranho modo, Maharishi conseguiu mostrar aos seus seguidores a maneira de 
conseguir aquilo que denominei, em outro texto, de 'acesso a mundos interiores'.
As experiências subseqüentes de Joyce Collin-Smith são, a meu ver, 
igualmente fascinantes e importantes \u2014 a estranha ruptura mental que fez com que 
ela 'visse' o passado e o futuro de tudo aquilo para que olhasse: uma árvore seria 
simultaneamente um arbusto, uma árvore nova e uma pilha de lenha... A história de 
sua tentativa de suicídio e de como compreendeu que o desespero lhe revelara o 
truque de manter as coisas 'paradas' são tremendamente importantes; mesmo se o 
resto do livro não contivesse nada de significativo, bastaria essa história para lhe 
assegurar certo status clássico. Contudo, a questão básica que suscita é explorada 
mais a fundo quando ela discute o colapso mental de Webb. Sartre teve uma 
experiência similar após ingerir mescalina \u2014 mostradores de relógio pareciam lhe 
sorrir, e ele teve a ilusão de estar sendo perseguido por uma lagosta gigante \u2014 e isto, 
por sua vez, parece apoiar a sugestão de Aldous Huxley: nosso sistema nervoso não 
foi propriamente projetado para admitir a experiência, mas para afastá-la, para filtrá-la 
até um nível aceitável. Isto, por sua vez, leva-me a especular se o tipo de racionalismo 
complacente encontrado em A instituição oculta e The flight from reason (O vôo da 
razão), de Webb, não seria um tipo de mecanismo inconsciente de defesa que teria 
começado a falhar após ele ter sido exposto às idéias de Gurdjieff, Ouspensky e da 
própria Joyce.
Talvez a maneira mais simples de explicar por que acho tão importante este 
livro seja contar a curiosa história de minha própria introdução \u2014 que não foi publicada 
\u2014 para A instituição oculta. Em 1981, fui procurada por Richard Drew, diretor de uma 
pequena editora de Glasgow; disse-me que queria produzir uma edição britânica do 
livro de Webb (que até então só tinha sido publicado nos Estados Unidos) e pediu-me 
que escrevesse a introdução. Concordei enfaticamente, e declinei sua oferta de 
pagamento, pois, apesar de não ter conhecido Webb, tínhamos trocado algumas 
cartas amistosas, e achei que seu brilhante e divertido livro deveria ser publicado na 
Inglaterra. Quando Joyce Collin-Smith me permitiu ler as cartas que Webb lhe 
escrevera durante seu colapso mental, percebi que ele e eu havíamos partilhado a 
mesma aterradora experiência de 'ataques de pânico' \u2014 descrevi as minhas num livro 
chamado Mysteries (Mistérios) \u2014 e que para Webb essas experiências foram uma 
espécie de equivalente à 'noite escura da alma' dos místicos cristãos. Eu tinha descrito 
algo do gênero em meu primeiro livro, The outsider (O forasteiro), quando falei de 
'viajantes mentais' que tinham visto as coisas 'demasiadamente a fundo'. Mencionei 
extensos trechos dessas cartas em minha introdução (gostaria que Joyce também o 
tivesse feito neste seu livro). Em setembro de 1981, enviei para Richard Drew a 
introdução completa. Ele me escreveu dizendo que a introdução era longa demais (na 
verdade, era mais curta do que esta) e que, de qualquer maneira, Mary, a mulher de 
Webb, queria eliminar todo o trecho que tratava de sua doença mental. Ela achava, 
aparentemente, que ele tinha ficado completamente 'pirado' ao desperdiçar seu tempo 
em coisas absurdas e irrelevantes como o 'ocultismo', e deplorava minha tendência de 
levá-las a sério. Naturalmente, minha reação foi dizer que, se a introdução não fosse 
publicada na íntegra, não poderia ser usada. A reação de Richard Drew foi 'não usar'. 
Assim, A instituição oculta finalmente surgiu sem uma introdução...
O próprio Webb teria rido da ironia da situação. A meta de seus livros é 
demonstrar que 'o oculto' é apenas uma curiosa aberração da mente humana, uma 
prova de que o homem foi incapaz de superar a superstição primitiva, e que uma de 
suas características mais incorrigíveis é o anseio pelo conforto oferecido por falsos 
messias e gurus. Seus dois anos de doença mental, porém \u2014 "não é uma experiência 
que eu desejaria para meu pior inimigo'' \u2014 deixaram-no com a sensação de que 
"apesar da natureza indubitavelmente alucinatória de muitas de minhas experiências,
Jessica
Jessica fez um comentário
Todos deveriam ler!
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