A.R.Luria-Curso de Psicologia Geral -  Vol. 3
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A.R.Luria-Curso de Psicologia Geral - Vol. 3


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Curso de psicologia Geral 
Volume 3
 
A presente obra compõe-se de quatro volumes, a saber: 
I. Introdução Evolucionista à Psicologia 
II. Sensações e Percepção 
III. Atenção e Memória 
IV. Linguagem e Pensamento 
A. R. Luria 
 
Curso de Psicologia Geral 
Volume III 2º Edição 
Atenção e Memória 
Tradução de PAULO BEZERRA 
Revisão técnica de 
HELMUTH R. KRÜGER 
Professor de Psicologia da 
UFRJ e da UERJ 
Sociedade Unificada Paulista d* Ensino Renovado Obietivo - SUPERO 
Data 13/01/99 Nº da chamada 159.9- c967c \u2013 2 ed.u.3.e.3 
 
civilização *\u2022 brasileira 
Título do original em russo: VNIMANIE I PAMIATI 
Capa: DOÜNÊ 
Revisão: 
NILO FERNANDES 
REGINA BEZERRA 
UU.I» 
1991 
Todos os direitos reservados. Nenhuma parte deste livro poderá ser reproduzida, seja de que forma for, 
sem expressa autorização por escrito da 
EDITORA CIVILIZAÇÃO BRASILEIRA S.A. Av. Rio Branco, 99 - 20? andar 20.040 - Rio de Janeiro - 
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Rio de Janeiro - RJ. 
Impresso no Brasil Printed in Brazil 
SUMÁRIO 
1-ATENÇÃO 1 
Fatores determinantes da atenção 2 
Bases fisiológicas da atenção 6 
Mecanismos neurofisiológicos da ativação. O 
sistema reticular de ativação 9 
O reflexo orientado como base da atenção 16 
Orientação e atenção 19 
Tipos de atenção 22 
Métodos de estudo da atenção 26 
Desenvolvimento da atenção 29 
Patologia da atenção 35 
2 \u2014 MEMÓRIA 39 
História do estudo da memória 40 
 Bases fisiológicas da memória 44 
Conservação dos vestígios do sistema nervoso 44 
Processo de "consolidação" dos vestígios 47 
Mecanismos fisiológicos da memória "breve" e "longa" 50 
Sistemas cerebrais que asseguram a memória 56 
 Tipos principais de memória 59 
 Imagens sucessivas 59 
Imagens diretas (eidéticas) 61 
 Imagens da representação 63 
 Memória verbal 67 
Psicologia da atividade mnemônica. Memorização e reprodução 68 
Influência da organização semântica sobre a memorização 74 
Dependência da memorização face à estrutura da atividade 77 
Peculiaridade individuais da memória 83 
Métodos de estudo da memória 86 
Desenvolvimento da memória 91 
Patologia da memória 96
I 
Atenção 
0 HOMEM recebe um imenso número de estímulos mas entre estes ele seleciona os mais 
importantes e ignora os restantes. Potencialmente ele pode fazer um grande número de possíveis 
movimentos mas destaca poucos movimentos racionais que integram as suas habilidades e inibe 
os outros. Surge-lhe grande número de associações mas ele conserva apenas algumas, essenciais 
para a sua atividade, e abstrai as outras que dificultam o seu processo racional de pensamento. 
A seleção da informação necessária, o asseguramento dos programas seletivos de ação e a 
manutenção de um controle permanente sobre elas são convencionalmente chamados de 
atenção. 
O caráter seletivo da atividade consciente, que é função da atenção, manifesta-se igualmente na 
nossa percepção, nos processos motores e no pensamento. 
Se não houvesse essa seletividade, a quantidade de informação não selecionada seria tão 
desorganizada e grande que nenhuma atividade se tornaria possível. Se não houvesse inibição de 
todas as associações que afloram descontrola- 
I 
damente, seria inacessível o pensamento organizado, voltado para a solução dos problemas 
colocados diante do homem. 
Em todos os tipos de atividade consciente deve ocorrer um processo de seleção dos processos 
básicos, dominantes, ,que constituem o objeto da atenção do homem, bem como a existência de 
um "fundo" formado pelos processos cujo acesso está retido na consciência; em qualquer 
momento, caso surja a tarefa correspondente, tais processos podem passar ao centro da atenção 
do homem e tornar-se dominantes. 
É por este motivo que se costumam distinguir o volume da atenção, sua estabilidade e suas 
oscilações. 
Por volume da atenção costuma-se entender o número de sinais recebidos ou associações 
ocorrentes, que podem conservar-se no centro de uma atenção nítida, assumindo caráter 
dominante. 
Por estabilidade da atenção costuma-se entender a duração com a qual esses processos 
discriminados pela atenção podem manter seu caráter dominante. 
Por oscilações da atenção costuma-se entender o caráter cíclico do processo, no qual 
determinados conteúdos da atividade consciente ora adquirem caráter dominante, ora o perdem. 
Fatores determinantes da atenção 
Quais são os fatores que determinam a atenção do homem? Podemos distinguir pelo menos dois 
grupos de fatores que asseguram o caráter seletivo dos processos psíquicos, determinando tanto 
a orientação como o volume e a estabilidade da atividade consciente. 
Situam-se no primeiro grupo os fatores que caracterizam a estrutura dos estímulos externos que 
chegam ao homem (ou a estrutura do campo exterior), situando-se no segundo grupo os fatores 
referentes à atividade do próprio sujeito (estrutura do campo interno). 
Examinemos cada grupo isoladamente. 
O primeiro grupo é constituído pelos fatores dos estímulos exteriormente perceptíveis ao sujeito; 
estes determinam o sentido, o objeto e a estabilidade da atenção, aproximam-se dos fatores da 
estrutura da percepção. 
2 
O primeiro fator, integrante deste grupo, é a intensidade (força) do estímulo. Se propomos ao 
sujeito um grupo de estímulos idênticos ou diferentes, entre os quais uns se distinguem pela 
intensidade (grandeza, coloração, etc), a atenção do sujeito é atraída justamente por esse 
estímulo. É natural que quando o sujeito entra numa sala de iluminação fraca, sua atenção se 
volte subitamente para uma lâmpada que se acenda de repente. Note-se que quando no campo 
perceptivo atuam dois estímulos de intensidade diferente e quando as relações entre estes são 
tão equilibradas que nenhum deles domina, a atenção do homem adquire caráter instável e 
surgem oscilações da atenção, nas quais ora um, ora outro se torna dominante. Anteriormente, 
quando examinamos as leis da percepção da estrutura, apresentamos exemplos de tais 
"estruturas instáveis". 
O segundo fator externo, que determina o sentido da atenção, é a novidade do estímulo ou 
diferença entre este e os outros estímulos. 
Se entre estímulos bem conhecidos surge um que se distingue acentuadamente dos outros ou é 
incomum, novo, ele começa imediatamente a atrair para si a atenção e provoca um reflexo 
orientado especial. 
Na primeira parte deste, apresenta-se entre círculos idênticos uma única cruz, acentuadamente 
distinta das outras figuras; na segunda parte, apresentam-se várias séries de linhas idênticas, 
sendo que numa destas há uma passagem que distingue esse lugar dos outros; na terceira, entre 
pontos grandes idênticos, apresenta-se um ponto fraco que se distingue dos demais. Vê-se 
facilmente que, em todos os casos, a atenção se volta para o elemento distintivo, "novo", que às 
vezes conserva a mesma força física que os outros estímulos comuns e, às vezes., pode ser até 
mais fraco do que os outros, pela intensidade. Não é difícil lembrar que se cessa de repente um 
som costumeiro que se repete em monotonia (o ronco de um motor, por exemplo), a ausência do 
estímulo pode se tornar um fator que chama a atenção. 
As duas referidas condições determinam o sentido da atenção. Mas existem também