A.R.Luria-Curso de Psicologia Geral -  Vol. 3
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foram essencialmente completados por psicólogos 
soviéticos, que atentaram para as leis que serviam de base à memorização involuntária (não intencional) e 
descreveram minuciosamente as formas de organização do material memorizado, que ocorrem no 
processo de decoração consciente. Essas pesquisas, empreendidas por A. A. Smirnov e P. I. Zintchenko, 
descobriram leis novas e essenciais da memória, como da atividade consciente do homem, enfocaram a 
dependência entre a memorização e a tarefa colocada e descreveram os procedimentos fundamentais de 
memorização do material completo. 
Apesar dos êxitos reais dos estudos psicológicos da memória, continuaram desconhecidos os processos 
fisiológicos de registro dos vestígios e a natureza do próprio fenômeno da memória; filósofos e 
fisiologistas como Simon ou Hering se limitaram a indicar que a memória "é propriedade geral da 
matéria", sem fazer qualquer tentativa de descobrir a sua essência e os profundos mecanismos fisiológicos 
que lhe servem de base. 
Apenas nos dois últimos decênios a questão mudou essencialmente. 
Estudos publicados mostraram que os processos de registro, conservação e reprodução dos vestígios estão 
relacionados com profundas mudanças bioquímicas, particularmente com a mudança do ácido 
ribonucléico (Hiden), que os vestígios da memória podem ser deslocados por via humo-ral, bioquímica 
(Mc. Connell e outros). Começaram estudos intensivos dos íntimos processos nervosos de "reverberação 
da excitação" (manutenção da excitação nos círculos e retí-culos nervosos), que passaram a ser 
considerados como substrato fisiológico da memória. Surgiu um sistema de pesquisa, no qual se estudava 
o processo de consolidação paulatina dos vestígios bem como o tempo necessário para a consolidação e 
as condições que levam à destruição dos vestígios. Por último, surgiram pesquisas que tentavam 
discriminar as áreas do cérebro, que são indispensáveis para a conservação dos vestígios, e os 
mecanismos neurológicos que servem de base à memorização e ao esquecimento. 
Tudo isto fez do capítulo da psicologia e psicofisiologia da memória uma das partes mais ricas da 
Psicologia. Ape- 
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As pesquisas das formas mais complexas de atividade mnésica arbitrária, nas quais os processos 
da memória se ligavam aos processos do pensamento, foram essencialmente completados por 
psicólogos soviéticos, que atentaram para as leis que serviam de base à memorização 
involuntária (não intencional) e descreveram minuciosamente as formas de organização do 
material memorizado, que ocorrem no processo de decoração consciente. Essas pesquisas, 
empreendidas por A. A. Smirnov e P. I. Zintchenko, descobriram leis novas e essenciais da 
memória, como da atividade consciente do homem, enfocaram a dependência entre a 
memorização e a tarefa colocada e descreveram os procedimentos fundamentais de 
memorização do material completo. 
Apesar dos êxitos reais dos estudos psicológicos da memória, continuaram desconhecidos os 
processos fisiológicos de registro dos vestígios e a natureza do próprio fenômeno da memória; 
filósofos e fisiologistas como Simon ou Hering se limitaram a indicar que a memória "é 
propriedade geral da matéria", sem fazer qualquer tentativa de descobrir a sua essência e os 
profundos mecanismos fisiológicos que lhe servem de base. 
Apenas nos dois últimos decênios a questão mudou essencialmente. 
Estudos publicados mostraram que os processos de registro, conservação e reprodução dos 
vestígios estão relacionados com profundas mudanças bioquímicas, particularmente com a 
mudança do ácido ribonucléico (Hiden), que os vestígios da memória podem ser deslocados por 
via humo-ral, bioquímica (Mc. Connell e outros). Começaram estudos intensivos dos íntimos 
processos nervosos de "reverberação da excitação" (manutenção da excitação nos círculos e retí-
culos nervosos), que passaram a ser considerados como substrato fisiológico da memória. 
Surgiu um sistema de pesquisa, no qual se estudava o processo de consolidação paulatina dos 
vestígios bem como o tempo necessário para a consolidação e as condições que levam à 
destruição dos vestígios. Por último, surgiram pesquisas que tentavam discriminar as áreas do 
cérebro, que são indispensáveis para a conservação dos vestígios, e os mecanismos neurológicos 
que servem de base à memorização e ao esquecimento. 
Tudo isto fez do capítulo da psicologia e psicofisiologia da memória uma das partes mais ricas 
da Psicologia. Ape- 
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sar de muitas das questões da memória continuarem sem solução, a Psicologia" dispõe hoje de 
um material incomparavelmente maior para o estudo dos processos da memória do que há 
algum tempo atrás. 
Bases Fisiológicas da Memória Conservação dos vestígios do sistema nervoso 
Os fenômenos da longa conservação dos vestígios de um estímulo dado foram observados por 
muitos estudiosos ao longo de todo desenvolvimento do mundo animal. 
Observou-se freqüentemente que uma excitação por choque elétrico do sistema nervoso dos 
pólipos provocavam o surgimento de impulsos elétricos rítmicos, que podiam manter durante 
muitas horas. 
Semelhantes fenômenos podiam ser observados no estudo do funcionamento do sistema nervoso 
dos animais. Assim, a excitação provocada por uma eclosão de luz provocava no corpo bigêmeo 
superior do coelho descargas elétricas rítmicas, que podiam ser registradas durante um período 
bastante longo e essas reações podiam ser observadas inclusive quando se desviava essa ação do 
neurônio isolado. 
A continuação das descargas elétricas, que surgem depois de uma excitação única, mostra que 
os neurônios não são apenas aparelhos que recebem os sinais e reagem a estes com respostas 
correspondentes mas também que conservam os vestígios do estímulo, continuando a dar 
respostas rítmicas negligenciadas por esse estímulo muito tempo após ter este cessado a sua 
influência. Esse efeito das influências do estímulo é o que representa a manifestação mais 
elementar da memória fisiológica, que pode ser observada tanto num neurônio isolado como no 
trabalho de todo o sistema nervoso em conjunto. 
As manifestações fisiológicas mais elementares da memória podem ser observadas por outra 
via, já mencionada no presente capítulo. 
Como mostraram as pesquisas a longa repetição de um mesmo sinal leva à habituação a este, a 
qual se manifesta 
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no desaparecimento dos reflexos orientados para este estímulo que se tornou hábito. O 
psicólogo soviético E. N. Soko-lov mostrou que semelhantes ocorrências da habituação podem 
ser observadas também no estudo das respostas de um neurônio isolado a estímulos que se 
repetem muitas vezes. 
O mais característico é o fato de que, com uma pequena mudança da intensidade ou do caráter 
do estímulo, os indícios de reflexos orientados tornam a surgir. 
Os dados obtidos por Sokolov e seus colaboradores mostraram que o fenômeno da reanimação 
de um reflexo orientado antes extinto podia ser observado não só imediatamente após a 
mudanças do caráter do estímulo mas também dentro de alguns espaços de tempo às vezes 
bastante longos. Assim, se no sujeito se observava a ocorrência da habituação a determinado 
estímulo, bastava mudar a intensidade, a duração ou o caráter do estímulo para que os sintomas 
vege-tativos ou neurofisiológicos dos reflexos orientados se restabelecessem, sendo que esse 
restabelecimento do reflexo orientado se observava após lapsos bastante consideráveis de tempo 
depois da extinção. Esse fato podia se observar tanto no registro dos sintomas dos reflexos 
orientados do sistema nervoso como um todo quanto no nível de um neurônio isolado. Tanto o 
sistema nervoso como um todo quanto neurônios isolados podem reter o arquétipo do sinal e 
comparar um novo estímulo com os vestígios desse "modelo"