A.R.Luria-Curso de Psicologia geral - Vol. 1
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vestígios da memória. 
Essas hipóteses foram formuladas pelos grandes pesquisadores americanos K. Klüver e P. Bucy que, 
depois da dani-ficação da região límbica (particularmente das áreas mediais do lobo temporal) 
observaram nos animais acentuada excitação das reações emocionais e perturbações da memória. Dados 
aproximados foram obtidos também nas observações pos- 
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teriores de Mc Lean, Olds e outros, que tiveram oportunidade de presenciar mudanças 
substanciais das inclinações e dos processos afetivos, que ocorrem nos animais como resultado 
da danificação do hipocampo. Por último, importantes observações realizadas em pessoas com 
afecção bilateral do hipocampo pelos pesquisadores americanos W. Penfield, B. Milner e W. 
Scoville permitiram mostrar que, nesses casos, muda substancialmente o tônus do córtex e 
afeta-se profundamente a memória. 
A explicação para esses fenômenos foi encontrada quando os fisiologistas (Viesel, Jasper e 
outros) descobriram que no hipocampo existe um grande número de neurônios que não reagem 
a instigadores específicos (visuais, auditivos ou táteis) mas reagem sutilmente a cada mudança 
que surge no meio ambiente. A existência desses neurônios de cujas funções faz parte a 
comparação dos instigadores com os vestígios antecedentes, fazendo parte também as reações à 
'Mescoordena-ção" destes, parece explicar o papel desempenhado pelas formações do córtex 
primitivo nos processos de reflexo orientado (atenção não-dirigida) e memorização. 
O papel dos aparelhos do primeiro* bloco na manutenção do tônus do córtex e do estado de 
vigília é assegurado pelas suas estreitíssimas ligações com o córtex\u201e que são realizadas através 
das fibras da formação reticular ativadora. Cabe observar que essa formação tem tecidos tanto 
ascendentes como descendentes. Através dos primeiros ("formação reticular ativadora 
ascendente") efetua-se a excitação do córtex pelos impulsos decorrentes das formações das 
áreas superiores do tronco do encéfalo. Por meio dos segundos ("formação reticular ativadora 
descendente") realizam-se
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 aquelas influências que as áreas superiores do cérebro, 
particularmente o seu córtex, exercem sobre os segmentos do tronco encefálico. Por isto o 
aparelho da "formação reticular descendente" desempenha papel substancial na transmissão do 
colorido afetivo e na garantia do tônus para os programas de comportamento que surgem no 
córtex em decorrência da informação recebida e das formas exteriores de programas e 
necessidades que se formam no homem com a participação da fala. É esse aparelho que 
assegura a terceira fonte de manutenção do estado de vigília, que apenas mencionamos e que 
está ligado aos complexos programas e necessidades que surgem no homem como resultado de 
sua atividade consciente. 
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Deste modo, o primeiro bloco do cérebro de cuja composição fazem parte os aparelhos do 
tronco superior, da formação reticular e do córtex primitivo, assegura o tônus geral (vigília) do 
córtex e a possibilidade de duradoura conservação dos vestígios da excitação. O funcionamento 
desse bloco não está relacionado especialmente com os outros órgãos dos sentidos e tem caráter 
"modal-não-específico", assegurando o tônus geral do córtex. 
Bloco do recebimento, elaboração e conservação da informação 
Se o primeiro bloco que acabamos de descrever assegura o tônus do córtex mas ele mesmo 
ainda não participa do recebimento e processamento da informação nem da elaboração dos 
programas de comportamento, já o segundo bloco está imediatamente ligado ao trabalho de 
análise e síntese dos sinais trazidos do mundo exterior pelos órgãos dos sentidos, noutros 
termos, está relacionado com o recebimento, o processamento e a conservação da informação 
recebida pelo homem. 
Esse bloco é composto de órgãos situados nas seções posteriores do córtex cerebral (áreas 
parietal, temporal e occipi-tal) e, diferentemente dos aparelhos do primeiro bloco, tem caráter 
modal-específico, sendo um sistema de dispositivos centrais que registra a informação visual, 
auditiva e tátil, processam-na ou "codificam-na" e conservam na memória os vestígios da 
experiência adquirida. 
Os aparelhos desse bloco podem ser considerados extremidades centrais (corticais) dos sistemas 
perceptivos (analisa-dores), sendo que as extremidades corticais do analisador visual estão 
situadas na região occipital, as auditivas na região temporal e as táteis na região tátil-cinestésica. 
Nessas seções corticais terminam os tecidos procedentes dos respectivos aparelhos receptores, 
distinguindo-se e sepa-rando-se aqui indícios isolados da informação visual, auditiva e tátil 
afluente. Nas seções mais complexas dessas zonas eles se reúnem, sintetizam-se e combinam-se 
em estruturas mais complexas. A esssa tarefa corresponde a delicada estrutura celular das zonas 
corticais. Como todas as outras regiões do novo córtex, essas zonas têm uma estrutura 
hexassegmentar. A mais desenvolvida nessas zonas é a seção IV do córtex, aonde 
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chegam as fibras que começam nos aparelhos sensitivos periféricos. Aqui elas se transferem 
para outros neurônios. Algumas fibras descem diretamente para a seção V do córtex, onde estão 
instaladas as células piramidais (motoras). As fibras se dirigem de algumas dessas células para a 
periferia e, deste modo, fecha-se o arco dos reflexos sensórios mais simples. Outros tecidos, que 
chegam dos órgãos sensitivos à seção IV do córtex, transferem-se ali para os neurônios de ação 
curta, que servem de aparelhos de transferência das excítações para células associativas mais 
complexas. Grande parte das células associativas ou células de ação curta, que têm a forma de 
pequenas pirâmides ou células asteróides, está situada nas seções II e III do córtex, que 
constituem o aparelho principal de transmissão das excitações de uns neurônios a outros. Nas 
zonas corticais aonde chegam diretamente as fibras vindas dos órgãos sensitivos periféricos 
(mudando apenas nos núcleos sub-corticais), que são denominadas zonas primárias ou de 
projeção, a posição de maior destaque cabe à seção IV receptora das células. Nas zonas 
corticais contíguas às zonas de projeção e denominadas zonas secundária? ou de projeto e 
associação, as seções celulares II e III são poderosamente desenvolvidas. As seções I e VI não 
examinadas têm importância especial: na I estão instaladas as ligações horizontais 
"transcorticais", que contactam as áreas contíguas do* córtex, instalando-se na VI as projeções 
das células vegetativas, que contactam o córtex com as áreas profundas do encéfalo. 
Toda a substância branca situada sob o córtex é constituída de fibras longas, que contactam o 
córtex com as formações subjacentes (tecidos de projeção) ou ligam áreas isoladas do córtex a 
outras regiões corticais (tecidos transcorticais) . Os dois hemisférios do córtex são ligados entre 
si por um feixe especialmente potente de fibras transcorticais, denominado "corpo caloso". 
Quando se corta o corpo caloso, parte considerável dos grandes .hemisférios fica desconexa e os 
dois hemisférios começam a funcionar isoladamente. 
O princípio de construção hierárquica de cada zona cor-tical, integrante da composição do 
bloco por nós examinado, é um dos princípios mais importantes de estruturação do córtex 
\u25a0cerebral. Como mostraram as pesquisas, a informação que chega do receptor visual, auditivo 
ou tátil às zonas primárias (ou de projeção do córtex) é aqui fracionada em grande número de 
indícios que a compõem. Isto se deve a que nessas 
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zonas de projeção do córtex estão instalados neurônios altamente especializados, que, como mostraram 
pesquisas de alguns fisiologistas, respondem somente a alguns indícios particulares das instigações. 
Assim, na zona de projeção do córtex occipital
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