A.R.Luria-Curso de Psicologia geral - Vol. 1
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informação dos trabalhos de clássicos notáveis 
da fisiologia como Pávlov, criador da doutrina da atividade nervosa superior, N. E. Vve-densky, 
criador da doutrina da gênese patológica, A. A. Ukhtomsky, cujos trabalhos permitiram 
introduzir uma aova área da ciência do comportamento: a doutrina dos dominantes, L. A. 
Orbeli, autor de importante contribuição à fisiologia evolu-cionista bem como fisiologistas 
contemporâneos como P. A. Anokhin, criador da doutrina dos sistemas funcionais, N. A. 
Bernstein, introdutor do novo conceito de organização do movimento, G. V. Gershuni e S. V. 
Kravkov, que enriqueceram a ciência com dados relativos ao funcionamento da audição e visão, 
etc. 
A terceira disciplina componente do grupo biológico das ciências psicológicas é a 
neuropsicologia. 
Esta disciplina tem por tarefa o estudo do papel que desempenham os aparelhos particulares do 
sistema nervoso na estruturação dos processos psíquicos. 
É fácil perceber que o papel das formações subcorticais e do paleocórtex no processo da 
atividade psíquica é inteiramente diferente do papel do neocórtex e dos grandes hemisférios 
cerebrais . Há, porém, fundamentos para supor que também o papel de algumas regiões do 
córtex cerebral na organização dos complexos processuais psíquicos não é idêntico e que todas 
as áreas do cérebro \u2014 parietais, temporais e occipitais \u2014 dão sua contribuição toda especial 
para o processo de atividade psicológica. 
Esse novo campo da Psicologia emprega em suas pesquisas uma análise psicológica minuciosa 
tanto das irritações como das destruições de áreas isoladas do cérebro, estuda as mudanças dos 
processos psíquicos que surgem quando ocorram afecções locais do cérebro e tira, de suas 
observações, conclusões relacionadas com a estrutura interna dos processos psíquicos. 
Esse campo da Psicologia é representado por estudiosos de diversos países como K. S. Lashley 
e K, H. Pribram (EUA), 
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A. R. Luria (URSS), O. L. Zangwill (Inglaterra), B. Milner (Canadá) e outros. Podemos colocar ao lado da 
neuropsicologia a psicopatologia, que estuda as peculiaridades "dos processos psíquicos observáveis nos 
doentes psíquicos, e permite que nos aproximemos mais de um estudo científico das doenças mentais e do 
descobrimento de algumas leis gerais da atividade psíquica que se manifesta nos estados patológicos. 
A psicopatologia foi elaborada com êxito por muitos psiquiatras (Kraepelin, na Alemanha, Janet, na 
França, Békhterev, na Rússia) e pelos psicólogos contemporâneos (B. V. Zeygar-nik, na URSS, Pecheau, 
na França, e outros). 
Uma área especial, situada nas fronteiras da psicofisiologia e da neuropsicologia, é representada pelo 
estudo dos mecanismos neurônicos da atividade psicológica. Os cientistas que elaboraram essa área (D. 
H. Hubel e T. N. Wiesel na Inglaterra, Jung na Alemanha, H. H. Jasper no Canadá, E. N. Sokolov e O. S. 
Vinográdov na URSS) se propõem a tarefa de investigar as formas de funcionamento de grupos isolados de 
neurônios e efetuar uma análise dos processos nervosos mais elementares, que servem de base ao 
comportamento. Importantes descobertas dos mecanismos fisiológicos de ativação e habituação foram 
obtidos no estudo das formas mais simples de comportamento em base neurônica. 
No sistema das ciências psicológicas, cabe posição especial à psicologia infantil ou genética. 
A importância dessa área das ciências psicológicas para a Psicologia geral consiste em que a Psicologia 
genética ou infantil estuda a formação da atividade psíquica no processo de evolução da criança e permite 
acompanhar a formação dos complexos processos psíquicos e das etapas pelas quais eles passam em sua 
evolução. 
A Psicologia genética permite abordar os processos psíquicos superiores do homem como produto da 
evolução, dando, com isto, a possibilidade de considerar as formas complexas de atividade psíquica do 
homem não como "propriedades" ou "faculdades" do psiquismo primitivamente existentes mas como 
resultado de uma longa formação, que deixou vestígios na estrutura dos processos psíquicos. 
Foi justamente por isto que a Psicologia genética, que estuda a formação (gênese) das formas superiores 
de atividade psíquica, adquiriu importância decisiva tanto para uma área prática 
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como a pedagogia quanto para a Psicologia geral. Foi justamente graças aos êxitos da Psicologia genética, 
relacionados com a contribuição dada ao estudo dessa disciplina pelos notáveis estudiosos Jean Piaget e 
Lyév S. Vigotsky, que a Psicologia geral obteve provas convincentes de que as formas básicas dos 
processos psíquicos (percepção e ação, memorização e pensamento) possuem estrutura complexa que se 
forma no processo de evolução da criança. A importância da Psicologia genética lhe, permitiu ocupar 
posição central na Psicologia atual. 
Outro campo da Psicologia, que deve ser colocado ao lado da Psicologia genética e costuma ser chamado 
de psicologia diferencial ou psicologia das diferenças individuais, ocupa posição importante. 
Sabe-se que as pessoas têm traços comuns, estudados pela Psicologia geral, e revelam diferenças 
individuais. Estas podem ser diferenças de propriedades do sistema nervoso, de peculiaridades individuais 
do campo emocional e do caráter, traços característicos do processo cognitivo e do talento. 
A Psicologia diferencial se propõe a tarefa de estudar essas diferenças individuais, descrever os tipos de 
comportamento e atividade psíquica das pessoas que se distinguem umas das outras por traços 
característicos. 
A Psicologia diferencial é de importância decisiva para a avaliação do nível de evolução da criança, das 
formas individuais de assimilação do trabalho e para a análise das peculiaridades tipológicas cujo 
conhecimento é indispensável à solução das questões práticas da Psicologia. 
Os fundamentos da Psicologia diferencial foram lançados em sua época pelo psicólogo alemão W. Ster 
(1871-1938); em nossa época os problemas das diferenças individuais foram estudados com êxito por 
cientistas como Charles Edward Spear-man, na Inglaterra, L. L. Thurstone, nos EUA, e B. M. Teplov, na 
URSS. 
Aos referidos campos da Psicologia incorpora-se um grupo de áreas intimamente vinculadas às ciências 
sociais. Nessas áreas examinam-se as condições histórico-sociais em que se formou a atividade psíquica 
do homem e as formas sociais em que essa atividade se manifesta. 
Nesse grupo ocupa posição essencial a etnopsicologia ou ciência das particularidades que distinguem os 
processos psíqui- 
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cos em diferentes formações e estruturas históricas e em diferentes culturas. 
Nas etapas iniciais do desenvolvimento da Psicologia, fizeram-se tentativas de criar uma 
"psicologia dos povos" corr.: forma especial de psicologia social e de elaborar uma ciência que 
fosse capaz de revelar as bases psicológicas da formação da linguagem, dos mitos, crenças, do 
direito, etc. Fracassou essa tentativa, que partiu de um dos criadores da Psicologia moderna, W. 
Wundt, autor do livro A psicologia dos povos. 
Wundt tentou dar uma explicação psicológica dos fenômenos da vida social, cujas bases não são 
psicológicas mas econc-micas ou histórico-sociais. Por este motivo as tentativas de "ps:-
cologizar a história" retiveram durante muito tempo o desenvolvimento desse importante campo 
da ciência psicológica, qa: devia investigar um processo inverso: a influência formadora 
exercida pelas condições histórico-sociais sobre o desenvoh:-mento da atividade psicológica do 
homem. 
Essa tarefa se converteu em objeto das pesquisas de grandes cientistas de diversos países (Frazer 
e Malinowsky, na Inglaterra, Janet e Lévy-Bruhl, na França, Turnwald, na Alemanha e M. 
Mead, nos EUA) e foram justamente essas pesquisas qu: lançaram as bases da etnopsicologia 
atual. O estudo das peculiaridades
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