A.R.Luria-Curso de Psicologia geral - Vol. 1
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auxiliares, etc). O emprego desses procedimentos diretos de 
análise estrutural muda 
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o curso objetivo do processo psicológico e permite estabelecer quais dentre os procedimentos empregados 
surtem um efeito máximo. 
As referidas formas de análise estrutural se aplicam antes de tudo ao estudo objetivo de formas contíguas 
de atividade psíquica como a assimilação ou memorização do material, a solução das tarefas, a realização 
de operações construtivas ou lógicas, o estudo da estrutura das formas complexas dos atos conscientes. 
Entre os procedimentos indiretos ou complementares situa-se o emprego de indícios, que, não sendo eles 
mesmos elementos, de atividade do homem, podem ser índices do seu estado geral, das tensões por ele 
experimentadas, etc. Entre esses procedimentos, por exemplo, incluímos a aplicação de métodos de 
registro dos processos fisiológicos (eletroencefalogramas, eletro-miogramas, reação galvânica da pele, 
pletismograma), que por si mesmos não revelam as peculiaridades da realização da atividade psíquica 
mas podem refletir as condições fisiológicas gerais que caracterizam essa realização. 
Ê natural que a aplicação desses procedimentos indiretos ou complementares pode adquirir sentido 
somente havendo organização precisa da própria atividade psíquica estudada pelo psicólogo. 
Ao lado do método analítico-estrutural, que ocupa posição central na Psicologia, podemos colocar o 
método genético-expe-rimental, que tem importância especialmente grande para a Psicologia genética. 
Sabe-se que todos os processos psicológicos superiores são produto de uma longa evolução. Por isto é 
sobretudo importante para o psicólogo acompanhar a marcha desse processo de evolução, que etapas 
foram incluídas nele e que fatores determinam o surgimento de processos psicológicos superiores. 
Pode-se obter resposta a esta questão não apenas acompanhando a execução das mesmas tarefas em fases 
sucessivas do desenvolvimento da criança (esse método recebeu na Psicologia a denominação de método 
dos cortes genéticos) como também criando condições experimentais que permitam mostrar como se 
forma essa ou aquela atividade psíquica. Com este fim coloca-se em diferentes condições o sujeito 
experimental, a quem se propõe resolver essa ou aquela tarefa. Nuns casos exige-se dele solução 
independente da tarefa, noutros, presta-se-lhe ajuda, empregando diversos meios de apoios extremos 
evidentemente- 
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eficazes, sugerindo em voz alta as vias de solução, por um lado, observando como ele aproveita essa 
ajuda, por outro. 
Aplicando os procedimentos que constituem a essência do método genético-experimental, o estudioso se 
mostra capaz não apenas de revelar as condições com cujo aproveitamento o sujeito experimental pode 
assimilar de modo ideal dada atividade, como também de formular experimentalmente os complexos 
processos psíquicos e abordar mais de perto a sua estrutura. O método genético-experimental foi 
amplamente aplicado na Psicologia na URSS por Vigotsky, A. V. Zaporojets, P, Y. Galpe-rina e produziu 
muitos fatos valiosos que se incorporaram soli-damente à Psicologia. 
O terceiro método da Psicologia, especialmente importante para a neuropsicologia e psicopatologia, é o 
método patológico-éxperimental ou método da análise sindrômica das mudanças de comportamento que 
ocorrem nos estados patológicos do cérebro ou num desenvolvimento exclusivo de um setor dos 
processos psíquicos. 
Esse método é aplicável em casos relativamente raros. Conhecendo um fator que muda notoriamente o 
curso dos processos psíquicos, o psicólogo pode saber qual a influência que esse fator exerce sobre o 
curso de toda a atividade psíquica do sujeito. 
Esse método se manifesta nas formas mais claras nas pesquisas neuropsicológicas, consistindo no 
seguinte: o psicólogo que estuda minuciosamente os pacientes nos quais a afecção local do cérebro 
provoca o deslocamento ou a deformação de uma das condições do curso normal dos processos psíquicos 
(por exemplo, da percepção visual, da memória auditiva ou da sólida manutenção do programa de 
atividade), analisa detalhadamente a realização de todo um conjunto de processos psíquicos e define quais 
desses processos se mantêm intactos e quais ficam perturbados. Semelhante análise permite estabelecer 
quais são precisamente os processos psíquicos internamente relacionados com o fator perturbado (ou 
excluído) e quais são independentes deste; permite descrever toda uma síndrome (por outras palavras, 
todo um conjunto de mudanças) que surge com a mudança de uma função e dá a possibilidade de mostrar 
a interdependência (correlação) de processos psicológicos isolados. 
O mesmo método pode ser aplicado na Psicologia geral ou na>Psicologia das diferenças individuais, nas 
quais a superevolu-ção de um aspecto do campo psíquico (por exemplo, da memória 
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visual clara) ou alguma peculiaridade individual dos processos nervosos (por exemplo, a fraqueza ou a 
mobilidade insuficiente dos processos nervosos) pode provocar a reestruturação de todos os processos 
psicológicos e tornar-se fator decisivo no surgimento de todo um conjunto de peculiaridades individuais 
da pessoa. 
Todos os métodos que descrevemos em linhas gerais são métodos da pesquisa psicológica. A par com 
eles, entretanto, têm grande importância para a Psicologia os métodos breves de avaliação qualitativa e 
quantitativa dos processos psíquicos (dos conhecimentos, habilidades, aptidões) e os métodos simples de 
medição do nível de evolução dos processos psíquicos. 
Esses métodos se aplicam amplamente na Psicologia e são conhecidos pela denominação de testes 
psicológicos. Os testes psicológicos consistem de tarefas, que se propõem a um amplo círculo de sujeitos 
experimentais para estabelecer seus conhecimentos, habilidades ou aptidões. Para que esses testes possam 
produzir dados objetivos e mensuráveis, são feitos previamente com um grande número de sujeitos 
experimentais (crianças de uma determinada idade ou pessoas do mesmo nível de educação). Entre essas 
tarefas escolhem-se aquelas'que um número considerável (dois terços, por exemplo) de sujeitos 
experimentais consegue resolver com êxito e só depois disto elas são propostas àqueles sujeitos cujos 
conhecimentos, habilidades ou aptidões são mensuráveis. Os resultados dessas pesquisas são avaliados 
por pontos ou por lugar (indica-se o lugar que um dado sujeito experimental poderia ocupar em relação ao 
grupo correspondente de sujeitos). 
A aplicação dos testes psicológicos pode ter certa importância para que se tenha uma orientação, acerca 
das peculiaridades psicológicas dos grandes hemisférios. Faremos adiante uma apreciação crítica desse 
método, quando examinarmos a sua importância para a medição das diferenças individuais de diferentes 
sujeitos. 
É fácil ver que a importância de todos os referidos métodos nã.p é a mesma para as diferentes áreas da 
Psicologia a que nos referimos, e se o método de análise estrutural continua sendo o método básico para 
todas as áreas psicológicas, o método gené-tico-experimental ocupa posição dominante na Psicologia 
genética, ocupando o método de análise sindrômica posição-chave na Psicologia patológica ou 
diferencial. 
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A importância prática da Psicologia 
A Psicologia tem grande importância não apenas para a solução de uma série de questões teóricas do 
campo psicológico e da atividade consciente do homem. 
Ela tem importância também prática, que aumenta à medida que a direção do comportamento do homem 
em bases científicas e a consideração do fator humano na indústria e nas relações sociais se tornam 
questão central da vida social. 
A ciência psicológica é de grande importância prática para vários campos, dentre os quais mencionamos 
apenas os mais importantes. 
O primeiro desses
Renata
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H
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Brenda
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Muito obrigada!
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