História do Direito - dos Sumérios até a nossa Era - Aluisio Gavazzoni
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História do Direito - dos Sumérios até a nossa Era - Aluisio Gavazzoni


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é agora a
capital religiosa do reino. Surge o cisma entre católicos
romanos e católicos celtas. No sínodo convocado para re-
solver o problema entre cristãos romanos e celtas, os ro-
manos vencem. Inconformados, os católicos do clérigo ir-
landês se revoltam. Os outros reinos de anglo-saxões se-
guem a facção romana católica e o Papa Vitalino funda a
Sé da Igreja Inglesa e a Irlanda adotou, na essência, os
ritos da liturgia romana, por volta do ano 704. Com a evan-
97Capítulo III \u2014 A Invasão dos Povos Bárbaros
gelização da Inglaterra, voltaram-se os interesses de Roma
para ela e para a França. Roma manda para a França os
seus melhores missionários (678).
Acontece outro Concílio Ecumênico em 668, na cidade
de Constantinopla.
Em 714, aproximadamente, Roma tenta consolidar sua
posição na Germânia e o santo católico, Bonifácio, vai para
lá como missionário. A importância de Bonifácio se justifi-
ca. Basta ler o verbete destinado a esse Santo da Igreja
Católica para nos certificarmos disso. Diz o verbete:
\u201cBONIFÁCIO de Mogúncia (5 de junho). Apóstolo da Ale-
manha. Viveu nos fins do século VII, princípios do VIII.
Nasceu na Inglaterra e chamava-se originariamente
Wymfrid, mas depois mudou seu nome para Bonifácio \u2013
bonum fatum \u2013 bom destino. Fez-se monge beneditino.
Estudou na abadia de Exeter e foi discípulo de Santo
Aldhelm. Veio para o continente e juntou-se a Santo
Wilibrordo em Utrecht, dedicando-se ao apostolado. Foi
feito bispo da Turíngia e o papa Gregório III fê-lo depois
arcebispo, vigário pontifical em toda a Alemanha. Funda
então o Mosteiro de Fulda e torna-se arcebispo de
Mogúncia. Durante uma campanha de evangelização, te-
ria sido morto por frísios pagãos com uma lançada nas cos-
tas\u201d (JORGE CAMPOS TAVARES, em Dicionário de Santos, edi-
ção de Lello Camão, Lisboa, Portugal, 1990, pág. 32).
Em 726, o papa Leão III proscreve o culto dos santos.
Vamos, agora, a CARLOS MAGNO.
Começo com uma, acredito, curiosidade, pelo menos
para a maioria dos brasileiros.
CARLOS MAGNO ou Charlemagne é um Imperador BEATI-
FICADO e venerado na Europa. É patrono da \u201cBrotherhood
of the Artists Faculty of Arts\u201d da França, da Alemanha e
da SORBONNE em Paris. Seus restos mortais repousam em
Aaches, em Plalz Chapal. Ele foi CANONIZADO em 1165 por
ordem do Imperador Frederico Barba-Roxa pelo Arcebispo
Reinald of Dassel. O ato da canonização foi reconhecido,
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portanto avalizado, pelo antipapa Pascoal III, mas o papa
de Roma, Alexandre III, recusou-se a reconhecer essa cano-
nização. Todavia, o culto a Carlos Magno foi permitido.
O Imperador Carlos Magno VI introduziu o culto a
Carlos Magno em Praga e Nuremberg e o rei francês Car-
los V introduziu esse culto nas divisas de Paris, Reims,
Rouen e Saint Quentin. O seu dia de festa é 28 de janeiro,
27 de janeiro em Aachen e 30 de julho em Paris. O culto a
Carlos Magno foi revivido pelos peregrinos que usavam o
\u201cCaminho de Santiago\u201d no 11º século. (Fonte \u2013 Encyclopedia
of Saints, A. CLEMENS JOCKLE, edição Alpine Fine Arts,
London, Inglaterra 1995 \u2013 minha tradução do inglês.)
Agora sua biografia como pagão.
Segundo a História, Clóvis, o chefe da tribo dos fran-
cos sálios, domina quase todo o território da França de hoje.
Por ter se convertido ao Cristianismo, como já vimos, ti-
nha todo apoio de Roma. Mas, a partir de 639, o território
de Clóvis foi dividido em pequenos feudos (fazendas) e os
seus senhores se tornaram \u201cpequenos\u201d reis que não pos-
suíam espírito de liderança. É a época conhecida como a
dos \u201creis preguiçosos\u201d. Os seus mordomos (gerentes) se in-
cumbiam de dirigir todo o feudo. Um desses mordomos era
Carlos Martel, que ocupou o lugar do seu \u201cRei\u201d, fazendo-se
ele Carlos, rei e dono do feudo. Carlos aos pouco vai se
tornando um verdadeiro rei de um vasto território, até se
tornar o rei de todos os francos. Reconhecido como o rei
dos francos pelo papa, foi o guardião da Igreja de Roma
entre outros feitos notáveis, o bravo guerreiro, abafou vá-
rias rebeliões internas e vencendo a célebre batalha de
Poitiers, em 732, deteve a invasão dos mouros muçulma-
nos que pretendiam ocupar a Europa cristã vindos da pe-
nínsula Ibérica. Como cristão converteu os povos ao Cris-
tianismo, lançando mão da força na maioria das vezes para
alcançar seu intento. Empreendeu 54 guerras em 45 anos
do seu reinado e anexou aos seus domínios toda a Europa
Ocidental e Central e centro e o norte da Itália. Carlos
Magno foi coroado rei pelo papa Leão III no dia de Natal
99Capítulo III \u2014 A Invasão dos Povos Bárbaros
de 800, em memorável festa na Basílica de São Pedro, em
Roma. Carlos Magno passou a ser parte da História como
uma das mais importantes personalidades da época medie-
val. Em 773 Carlos salvou Roma de uma invasão dos
lombardos. Carlos foi casado com uma princesa sueva, ou-
tra tribo germânica, com a qual teve três filhos, Carlos,
Pepino e Luís. Em 774 o papa deu a Carlos o título de
patrício romano, sendo ele o primeiro germano a receber o
privilégio.
Carlos Magno lutou com saxões também germânicos
como ele, e conta a História que, havendo resistência dos
saxões em adotarem o Cristianismo, Carlos venceu-os e
mandou decapitar 4.500 saxões que a ele se opuseram. O
rei Widukind, vencido e convencido pela matança, é bati-
zado cristão. Carlos Magno dividiu, então, o território saxão
conquistado em 300 condados e os distribuiu com seus sol-
dados, que viraram condes e marqueses, o que o ajudou, e
muito, a defender suas próprias fronteiras. Depois de con-
trolar focos de resistência entre saxões remanescentes,
deportou a maioria e criou penas severas para quem ata-
casse igrejas cristãs e padres. Impôs taxas, fundou bispa-
dos, nomeou saxões nobres e trocou as CORTES DE JUSTIÇA
que funcionavam entre os francos por outra mais justa e
ágil. A Corte de Justiça de Carlos Magno era formada por
missi domici que percorriam as comarcas verificando se
havia atos de injustiça praticados pelos governantes locais.
Os missi podiam instalar tribunais errantes para jul-
gar, eles próprios, as queixas dos habitantes das comar-
cas. Em seu regresso informavam ao Imperador Carlos
Magno as injustiças apuradas. Se a queixa fosse grave e
verdadeira o missi a julgava imediatamente e tinha o po-
der de demitir os culpados se fossem administradores pú-
blicos. Como se pode ver, Carlos criou uma espécie de Juízes
Peregrinos, a exemplo de Roma. Também foi abolida pelo
Imperador a Justiça particular e em seu lugar implantou
tribunais públicos que ouviam e julgavam em processo or-
denado, réus, vítimas e testemunhas, todos obrigados a
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comparecer ao Tribunal quando intimados. Os juízes ga-
nharam maiores poderes para conduzir os processos. Apli-
cou a instituição romana de obrigar a testemunha a depor
sob juramento. Esse sistema foi o embrião do Grande Júri
(Grand Jury) com um corpo de jurados que julgariam se a
causa em pauta deveria ou não ser submetida a uma outra
corte de instância superior. A Grã-Bretanha vai, mais tar-
de, levar o modelo para a criação do seu Grande Júri.
A sede do Império Carolíngio era Aquistona ou Aix-la-
Chapelle em francês ou Aacher em alemão. Embora anal-
fabeto, Carlos Magno cuidou da educação dos seus súditos
criando um número de escolas e trazendo os melhores Mes-
tres, até os reconhecidamente sábios, para nelas ensina-
rem. Carlos mandou fundar ao lado de cada igreja às mar-
gens do caminho percorrido por peregrinos. Os peregrinos
iam em viagem para Santiago de Compostela, Galícia, Es-
panha, com o objetivo de orar junto ao Túmulo do Apóstolo
Tiago (Santiago ou S. James para os ingleses ou, ainda,
Saint Jacobo para as franceses) que havia sido descoberto
ou redescoberto pelo Bispo de Iria Flávia no final do sécu-
lo IX e princípio do século X, e que contou com a aprovação
do papa Leão III e com a ajuda de Carlos Magno que, se-
gundo