História do Direito - dos Sumérios até a nossa Era - Aluisio Gavazzoni
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História do Direito - dos Sumérios até a nossa Era - Aluisio Gavazzoni


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consta, também peregrinou com sua corte para visi-
tar a arca onde repousam os restos mortais de Santiago.
Deve ser notado que a educação desde os séculos V e
VI mudou suas características, graças à multiplicação dos
mosteiros espalhados pelo mundo e à peregrinação maciça
pelos caminhos de Santiago. A igreja cristã renova e revi-
gora o ensino. Não havia, nesse período de grandes pertur-
bações políticas e sociais, um Estado que mantivesse uma
única escola sequer sob sua responsabilidade. A Igreja o
substituiu. Às margens dos Caminhos de Santiago ou Ro-
tas Jacobéas, foram criadas por ordem imperial escolas
catedralícias ao lado, como dissemos, das igrejas e os pa-
dres ministravam o ensino. Daí a origem de CÁTEDRA E CA-
TEDRÁTICO.
101Capítulo III \u2014 A Invasão dos Povos Bárbaros
Somente no século XII é que surge em Bolonha, Itália,
a UNIVERSIDADE DOS MESTRES ESTUDANTES, que conferia o grau
de Bacharel, Licenciado ou de Doutor ainda tendo como
base as premissas do Direito Romano de Justiniano. Por
incrível que possa parecer, o Direito Romano aparentemen-
te adormecido por tantos séculos se mantém vivo e atuan-
te, apesar das ocupações dos bárbaros, mouros e sarracenos
de terras européias. As leis como a LEX ROMANA VISIGOTHO-
RUM (150 ANOS VIGENTE), o FORUM IUDICUM ou LIBER IUDICUM,
o CÓDEX LEGUN ou LEX VISIGOTHORUM que foram consolida-
das pelo DIGESTO, continuaram sendo a base das leis que
regiam os povos bárbaros. Ora, a Igreja incumbiu-se de
manter acesa a chama que aquecia o direito, especialmente
o direito criado em Roma, pelos romanos, mesmo por aque-
les que se transferiram para o Oriente.
O Império Ocidental e o Oriental, entrelaçados pelo
Cristianismo, cuidaram de promover o milagre. Assim, com
Carlos Magno e os Caminhos de Santiago, Roma, que tive-
ra um Imperador nascido na Espanha, Adriano; e outros
dirigentes que souberam manter a melhor Lei, a romana,
em atividade, mesmo cedendo às necessidades de modifi-
cações de caráter progressivo (modernização e sociais), con-
tribuíram para que o núcleo do Direito Romano chegasse
até Fernando III (1227 a 1252), que traduziu do latim ar-
caico para o castelhano o livro de leis denominado El Libro
de los Jueces e depois no reinado de seu filho Afonso X, o
sábio, foi a vez de ser adotada a \u201cLei das Sete Partidas\u201d,
calcada no direito romano e no direito canônico.
Essa constatação provocou de CRETELLA JUNIOR um en-
tusiasmado comentário:
\u201cPode-se mesmo afirmar: é impossível qualquer estu-
do mais profundo da maioria dos institutos de direito pri-
vado, na Itália, França, Espanha, Portugal, América Lati-
na e Central, sem chegar aos respectivos protótipos roma-
nos. Eis por que se pode afirmar também, sem erro, que o
direito romano não morreu: continua vivo, embora com as
102 História do Direito
necessárias transformações, nos representantes dos siste-
mas jurídicos de base romanística\u201d.
Em 814, Luís, o Piedoso, herda o Império de Carlos
Magno, seu pai, e tenta fundir em um só bloco os povos
que faziam parte integrante do grande Império e tenta,
também, ajudado pelos clérigos de Roma, manter e conti-
nuar com a \u201cRenascença Carolíngia\u201d iniciada por Carlos
Magno. (Incentivo às artes, à música, aos literatos, aos
poetas, etc.)
Em 850 os normandos criam, no território ocupado pe-
los Celtas, o Reino da Irlanda.
Em 840 é celebrado o tratado de Verdun.
Em 851 a Britânia (Inglaterra) torna-se uma nação
independente.
Com a morte de Carlos, o Calvo, começa a era FEUDAL
que irá dominar toda a Europa.
Em 888 \u201ca decadência do poder régio era de tal ordem
em França que, para substituir Carlos, o Gordo, se voltou
à eleição pelos grandes. A escolha deles contempla, não um
carolíngio, mas um dos seus, Eudes, o herói do cerco de
Paris.
103Capítulo IV \u2014 Alta e Baixa Idade Média
103
Capítulo IV
ALTA E BAIXA IDADE MÉDIA
Inicia-se a primeira era feudal, também conhecida como
Baixa Idade Média, que vai de 893 a 1095, aproximada-
mente.
Em 900 os húngaros, que se estabeleceram no Danúbio
desde 860, invadem a Alemanha, a Gália e Itália produ-
zindo o caos naqueles países. Nem a Igreja foi poupada pela
situação de anarquia que existiu na primeira idade do feu-
dalismo. Houve uma enorme decadência nos costumes e,
até, nos princípios religiosos. A Cúria Romana não foi ex-
ceção. Todavia, em 910 é construída a Abadia de Cluny,
que inicia a reforma da moral decadente, através das or-
dens religiosas que se fortaleceram nos mosteiros.
Em 936 Oto, o Grande, ocupa o trono da Germânia e,
apoiado na Igreja lança-se em busca das reformas. Ele ata-
ca o poderio dos nobres, vence os invasores húngaros e
eslavos e em seguida, fortalecido pelas vitórias, intervém
na França e na Itália onde se faz coroar Rei em 951.
Em 938 surge um novo país.
Portucale torna-se conhecido como um novo território
separado da Galícia espanhola.
Santiago de Compostela é destruída por Abir-Amir, o
chefe dos Omíadas, que também conquista a cidade de Bar-
celona. Esse chefe muçulmano veio a ficar conhecido como
Almançor, ou seja, o \u201cvitorioso\u201d.
Em 980 os dinamarqueses invadem a Grã-Bretanha.
104 História do Direito
Em 985 acontecem dois importantes eventos: o batis-
mo de Estêvão, que depois de sagrado santo da Igreja de
Roma, vem a ser o padroeiro da Hungria, e o reconheci-
mento da autonomia e influência como país (novo) das ter-
ras portucalenses, ou seja: Portugal.
Em 1018, Basílio II, depois de retomar a Grécia, segue
em campanha para derrotar de vez os invasores búlgaros.
Ele o conseguiu após árdua luta. Todavia, na Anatólia, um
ponto estratégico do Império, a chamada aristocracia
fundiária, recompõe-se lentamente. Para impedi-los Basí-
lio II cria e modifica as leis em vigor proibindo as \u201ccliente-
las\u201d e as confiscações de terras, prática comum entre no-
bres e camponeses.
Ora, tudo leva a crer que as investidas de Basílio II
visavam o COLONATO que, inserido em uma constituição do
séc. IV, perdurou por toda a Idade Média. Pelo COLONATO o
colono fica vinculado à terra em caráter perpétuo e obriga-
do a cultivá-la mediante uma pequena paga em dinheiro
ou em espécie ao \u201cVerdadeiro\u201d senhor daquela terra. Pelo
COLONATO, o colono não é um escravo, ele é um servo daque-
la porção de terra e, assim, em caso da venda, ele, colono,
ia junto como um pertence da terra vendida. Como, no en-
tanto, ele era considerado um homem livre e não um es-
cravo, e se juntasse posses, poderia adquiri-la, nesse caso,
estava terminado o contrato de COLONATO. Se, entretanto, o
colono tentasse fugir da terra que cultivasse antes de ad-
quiri-la, o senhor dela poderia persegui-lo e obrigá-lo a vol-
tar, agora, como escravo fugitivo.
Tudo isto leva a crer que os esforços de Basílio II fo-
ram no sentido de derrogar ou melhorar esta lei draco-
niana. Havia uma outra maneira de o colono se livrar do
jugo do COLONATO sem investir dinheiro. Era a sua escolha
no sentido de abandonar tudo para ingressar numa nova
ordem cristã. Aí ele não poderia ser perseguido mais pelo
senhor da Terra.
LUCIEN MUS SET, no seu Germanic Invasions , etc.
Barners & Nobles, de 1993, faz um apanhado das leis que,
105Capítulo IV \u2014 Alta e Baixa Idade Média
possivelmente, vigoraram de uma forma ou de outra pela
baixa Idade Média, pelo menos. O ilustre Autor, Professor
de Historia Medieval da Universidade de Caen, em Fran-
ça, focaliza, é bem verdade, 200 anos de idade feudal, preci-
samente de 400 a 600. Na orelha do livro, em curta frase,
a importância da época fica claramente definida porque:
\u201cLucien Musset is one such historian.In The Germanic
Invasion, Musset presents this crucial two hundred year
period in Europe\u2019s development from two different angles\u201d.
Ora, se o desenvolvimento europeu se inicia exatamente
nesses 200 anos como ensina o Mestre francês, seria justo
supor-se que as principais leis existentes justamente na-