História do Direito - dos Sumérios até a nossa Era - Aluisio Gavazzoni
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los e as fundiu em um código único traduzido do latim para
o grego, do que ainda não havia sido traduzido da legisla-
ção justinianéia para, de vez, atualizar a legislação
bizantina.
O filho de Leão, o Filósofo, Constantino Porfirogeneta,
por sua vez, publicou nova edição das BASÍLICAS, em mais
ou menos 945.
Leão, o Filósofo, antes de morrer e ser sucedido por
seu filho Constantino, promulgou as NOVELLAE LEONIS com-
postas de 113 títulos, versando sobre direito público e pri-
vado e direito eclesiástico. Essas Novellae ainda desperta-
122 História do Direito
vam interesse dos juristas em pleno século XVI, século da
descoberta do Brasil por Cabral.
\u201cA reunião de toda a legislação justinianéia (compila-
ções e novelas) num código único trouxe grande vantagem
prática, mas acarretou a decadência do estudo direto des-
sa legislação. Com efeito, a nova codificação era, como sa-
lienta ARANGIO RUIZ, desproporcionada à escassa cultura
da época; daí a necessidade de simplificá-la mediante re-
sumos, índices e repertórios. Entre as obras desse gênero
destacam-se\u201d \u2014 e o ilustre Mestre passa a ordenar as leis,
detendo-se em explicações sobre elas. São estas as princi-
pais leis:
\u2022 SYNOPSIS BASILICORUM, séc. X, um dicionário jurídico
de autor e autores desconhecidos;
\u2022 SYNOPSIS, publicada no século XI. Um extrato metódi-
co das Basílicas;
\u2022 TIPUCITO, uma espécie de índice das Basílicas, edita-
do entre os séculos XI e XII;
\u2022 SYNOPSIS LEGUM no século XI;
\u2022 ESPANOGOGE AUCTA, atualização da Espanagoge ante-
rior, editada no século XI;
\u2022 SYNOPSIS MINOR, um extrato das Sinopses das Basí-
licas; editada no séc. XIII;
\u2022 PROMPTUARIUM, também conhecido como MANUALE
LEGUM, composto de 6 livros editado no século XIV.
Esse perdurou, com modificações, até o ano de 1834
na Grécia.
A partir do século XI, por influência da Escola de Bolo-
nha, reformada por IRNÉRIO, o Direito Romano começa a
\u201cRenascer\u201d.
A este fenômeno Matos Peixoto explica que se conven-
cionou chamar de RECEPÇÃO DO DIREITO ROMANO NA IDADE MÉ-
DIA, \u201cporque\u201d não se limitou, porém às instituições jurídi-
cas legadas pelos romanos, pois operou uma revolução in-
terna, infinitamente superior, uma transformação completa
do pensamento jurídico: o método, a forma de instrução,
123Capítulo V \u2014 O Renascimento
toda a educação jurídica tornaram-se romanas e ainda hoje
o são em todo o orbe civilizado. O direito romano tornou-se
assim um elemento de civilização, do mesmo modo que a
arte e a literatura grega e latina. E conclui o insigne Mes-
tre: \u201co direito romano vigorou como direito comum em di-
versos países da Europa, desde a sua recepção na Idade
Média até à codificação do direito privado em cada um de-
les\u201d. (A. e obra citados, pág. 141.)
Daí pode-se observar que, por exemplo, na Alemanha,
o direito romano dos séculos XIII e XI perdurou até 1899;
Na França foi do século XII até o século XIX;
Na Espanha vai do século VI até quase o fim do século
XIX;
Portugal começa no século XIII, e serve de base para
as ORDENAÇÕES AFONSINAS (1446); continua nas ORDENAÇÕES
MANUELINAS (séc. XVI) que substituíram as Afonsinas; OR-
DENAÇÕES FILIPINAS (1603) e os ESTATUTOS DA UNIVERSIDADE
DE COIMBRA (1772) para, finalmente, chegar oficialmente
ao Brasil independente, com a Lei de 20 de outubro de 1823,
art. 2º, que \u201cmandou observar no Brasil, enquanto não se
organizasse o novo Código ou não fossem especialmente
alteradas, as Ordenações Filipinas, leis, regimentos,
alvarás, decretos e resoluções portuguesas em vigor até 25
de abril de 1821 (data do embarque de D. João VI para
Portugal). Por conseqüência, a citada legislação portugue-
sa, relativa à aplicação do direito romano, subsistiu, visto
não ter sido alterada, até 1º de janeiro de 1917, quando
entrou em vigor o Código Civil Brasileiro, que estabeleceu
novas regras sobre a matéria. A Lei de Introdução ao Códi-
go Civil manda aplicar, nos casos omissos, as disposições
concernentes aos casos análogos e, não as havendo, os cos-
tumes jurídicos e os princípios gerais de direito. Nesse re-
gime o direito romano ainda pode ser aplicado subsidiaria-
mente, quando encerra um desses princípios\u201d (bis in idem,
pág. 146).
Como venho fazendo, vou voltar à Roma antiga para
relembrar os primórdios de Portugal que a nós brasileiros
124 História do Direito
fala muito mais de perto. Vamos todos ao embrião portu-
guês com o surgimento da Lusitânia. Esta porção de terra
era uma província do Imperador Augusto e tinha como
governante um legado com o titulo de PRETOR, que mais
tarde foi transformado em COMITES. Ela era dividida em
colônias cujos nomes, segundo Gama Malcher in obra cita-
da pág. 21, eram, pela ordem: Merida, Medellin, Beja,
Alcântara, Santarém e Lisboa e \u201ccolônias latinas, como
Évora, Mertola e Alcacer do Sal\u201d, regidas, todas elas, por
um senado e por DUÚNVIROS e também, por defensores
CIVITATUM, ao contrário do que era feito nas colônias la-
tinas que elegiam juízes locais escolhidos por votação do
povo que nelas habitavam. \u201dCom Constantino, o Império
foi dividido em prefeituras, divididas estas, em províncias:
as prefeituras eram chefiadas por um prefeito do Pretório,
e as províncias por um RECTOR que, quando exercia as
funções judiciárias, recebia o nome de RETOR JUSTITIAE.
Nesta divisão, a Lusitânia ficou pertencendo à prefeitura
das Hespanhas, tendo em suas povoações principais um
Convento Jurídico (tribunal de juízes romanos a que as
partes recorriam, e nas outras cidades menores os condes
e os ducenários (competentes para julgar crimes menos
graves (obra e autor citados, pág. 21). Em 714, com a inva-
são dos mouros, a península Ibérica sofreu profundas alte-
rações de ordem política e social, principalmente que re-
fletiram marcantemente na cultura do povo português que,
por sua vez, transmitiu-os ao povo brasileiro, inclusive na
língua; o português que Portugal e Brasil falam. Por mais
estranho que possa soar, também o nosso direito foi afeta-
do, inclusive o processo e o direito penal brasileiro, e, evi-
dentemente, todas as instituições nacionais apontam os
doutos como exemplo a criação das comarcas e a separação
entre a Justiça Criminal e o poder do Ministério Público
português. O MP português, desde Salazar, combinava, de
uma certa forma, o poder da Policia Judiciária. E o MP em
Portugal, salvo melhor juízo, não ficou muito nítida na
atual Constituição Portuguesa. A Posição do que se quei-
125Capítulo V \u2014 O Renascimento
xam, até hoje, os juristas portugueses. (Ver Constituição
Portuguesa com as alterações introduzidas pela Lei Cons-
titucional nº 1/97 de 20 de setembro, art. 219 que dá ao
membro do MP o Título de magistrados).
Com o surgimento dos FORAIS, surgem como conse-
qüência, as justiças senhoriais que fortalecem o poder na-
cional e ajudam o nascer do novo pais, Portugal.
Indiscutivelmente o Rei D. Pedro I de Portugal vai fir-
mando, pouco a pouco a justiça real dando cada vez mais
força às Justiças Senhoriais, como por exemplo, dando a
competência do julgamento ratione loci culminando com a
criação da figura do Promotor de Justiça para promover a
acusação e desenvolvendo a ação dos juízes na apuração e
julgamento de crimes.
No nosso Brasil em anos e anos de independência e um
século de república, foram editadas inúmeras Constitui-
ções que, no dizer de Luís Roberto Barroso \u2013 \u201cnum melan-
cólico estigma de instabilidade e falta de continuidade de
nossas instituições políticas\u201d (obra e A. citados, pág. 5),
isto sem contarmos com leis de exceção e outros atos com
mesma finalidade.
Esse lamentável procedimento se deve muito mais aos
políticos, que teimam em legislar com casuísmo, constru-
indo uma Lei Maior para atender o período em que ocu-
pam o poder, demonstrando um despreparo total para a
missão de constitucionalistas, menos por competência téc-
nica e muito mais pela ânsia de obter o poder.