História do Direito - dos Sumérios até a nossa Era - Aluisio Gavazzoni
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História do Direito - dos Sumérios até a nossa Era - Aluisio Gavazzoni


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escrever os 2º e 3º Prefácios da obra traduzida,
Vitorino aponta que Hegel distinguiu 3 (três) classes
sociais. A primeira seria a SUBSTANCIAL E IMEDIATA e
seria essa a que deu origem e mantém a formação dos Es-
tados. Exemplo: a classe dos agricultores. Por isso esta clas-
se é também IMEDIATA. A segunda é a INDUSTRIAL, for-
mada por industriais e comerciantes que transformam pro-
dutos naturais e a terceira é a CLASSE UNIVERSAL, que
se dedica aos interesses gerais da sociedade e do Estado,
terminando no que diz respeito às Constituições, Hegel
escreve: DEVER-SE-ÃO ABSTER DE PARTICIPAR NAS
9Prólogo
DISCUSSÕES SOBRE A CONSTITUIÇÃO TODOS AQUE-
LES QUE ENTENDEM QUE A DIVINDADE SE NÃO
PODE CONCEBER E QUE O CONHECIMENTO DA VER-
DADE NÃO PASSA DE UMA TENTATIVA VÃ\u201d.
Ora, para um país como Portugal, que adotava o
TOMISMO, filosofia de São Tomás de Aquino, pode-se ima-
ginar a celeuma causada. Para finalizar, ao terminar o ter-
ceiro prefácio, diz VITORINO que é um absurdo a preten-
são do socialismo moderno em ter, por um lado, sua origem
na filosofia do HEGEL e em destinar-se, por outro lado, a
suprimir o Estado \u201cporque, como disse o próprio HEGEL,
\u201cA Constituição Política é, antes de tudo o mais, organiza-
ção do Estado\u201d (autor do prefácio da obra citada, págs. VII
a XLII). Todavia, como ensina ELY CHINOY, obra citada,
pág. 455, \u201ccomo conceito da ciência social, o Estado se re-
fere às instituições que estabelecem quem possuirá o mo-
nopólio do uso legítimo da força física dentro de dado ter-
ritório. (M. WEBER, in Ensaios de Sociologia, NY, 1946,
pág. 78) e que define como será organizado e utilizado o
poder que se apóia nesse monopólio\u201d \u2014 e conclui \u2014 \u201cas
pessoas que exercem o poder compõem o governo\u201d.
E, também, não se pode olvidar que, modernamente
neste novo século, \u201cseja qual for a justificação que já possa
ter existido, para se considerar de maneira independente
a história de qualquer civilização ou a evolução de qual-
quer sociedade, o fato talvez mais significativo no que tan-
ge ao mundo moderno é a unidade cada vez maior do gêne-
ro humano\u201d (obra e autor citados, pág. 686).
Impõe-se, agora, a visão de importância do Estado sob
o aspecto filosófico e suas conseqüências práticas para o
homem.
A vida em \u201csociedade\u201d depende de um conjunto de nor-
mas com poderes determinantes inclusive o de punir, co-
nhecido pelo nome de Direito \u2014 Através deste conjunto de
direitos e de obrigações é que o Estado assegura a vida de
todos aqueles que vivem \u201cdentro\u201d dele em sociedade. Se-
gundo a melhor interpretação não há Direito sem Estado.
10 História do Direito
Não há dúvida, mas, também, não se pode conceber um
Estado sem Direito, ou seja, uma sociedade sem regras
definidas que rejam seus atos e atividades normais às vi-
das em comum. Se pessoas não se juntassem para estabe-
lecer um esforço comum de ajuda mútua em todos os senti-
dos, não poderia existir o que se convencionou cognominar
de Estado. Criado o Estado pelo simples agrupamento de
homens e mulheres, as normas, automaticamente, come-
çam a surgir e, como é óbvio, a maioria as impõem e conse-
qüentemente surgem as lideranças naturalmente.
Assim nasce um Estado.
Luiz Carlos Bresser Pereira, no seu interessante arti-
go publicado pela revista Filosofia política \u2014 nova série
(1999), pág. 102, observa que o positivismo jurídico tem
pouco a oferecer nas explicações das relações entre Estado
e Direito, na medida em que unifica as duas instituições (o
que contraria a posição de Kelsen para quem \u2014 aquilo
que se concebe como forma de Estado é apenas um
caso especial de forma do Direito em geral \u2014 porque
para ele \u2014 o Estado é a personificação da ordem jurí-
dica). \u201cMais iluminadoras são\u201d \u2014 prossegue Bresser Pe-
reira \u2014 \u201cas teorias de caráter histórico e as de natureza
lógico-dedutiva sobre as origens do Estado e do Direito.
Na primeira acepção podemos explicar o Estado, segundo
a tradição de Aristóteles, Hegel e Marx, como a conseqüên-
cia de um processo histórico através do qual os grupos ou
classes com maior poder institucionalizaram esse poder,
estabeleceram a ordem na sociedade, e garantiram para si
a apropriação do excedente econômico. Na segunda pode-
mos vê-lo como resultado de um contrato.
O Estado de Direito e a Cidadania (que só surge histo-
ricamente, na medida em que os indivíduos vão se inves-
tindo de direitos) são termos intrinsecamente interde-
pendentes.
Estado e Direito são duas instituições básicas da socie-
dade através das quais se estabelece a ordem se garante a
liberdade de seus membros e se manifesta sua aspiração
11Prólogo
de Justiça. A cidadania surge da interação dessas três con-
quistas sociais . Nesse processo , conforme enfat iza
Habermas, a moral não tem precedência sobre o Direito,
como querem os jusnaturalistas, nem este é independente
da moral; como pretendia o positivismo: na verdade, são
complementares\u201d (fls. 102 usque 103 \u2014 revista citada).
Sabemos que os primeiros homens desenvolveram as
primeiras necessidades sociais. QUANDO AS REGRAS OU
AS LEIS NÃO ATINGIAM SEUS OBJETIVOS ERAM, SIM-
PLESMENTE, ABANDONADAS OU SUBSTITUÍDAS.
Depois veio o tempo em que as leis (costumes) passa-
ram a ser registradas, resultando daí, os códigos, simples
conjuntos de LEIS compulsórias, que provaram ao decurso
dos anos, serem necessárias e úteis, em todos os sentidos
à preservação da vida social do grupo. Foram, em suma, a
origem do indivíduo e do Estado, entre os direitos civis e
os deveres cívicos, entre os direitos e deveres da cidada-
nia, definindo as regras do jogo da vida democrática.
A cidadania poderá, dessa forma, cumprir um papel li-
bertador e contribuir para a emancipação humana, abrin-
do \u201cnovos espaços de liberdade, por onde ecoarão as vozes
de todos aqueles que em nome da liberdade e da igualda-
de, sempre foram silenciados\u201d (obra citada, págs. 40/44).
A Revolução Francesa é o marco do estágio decisivo
entre as duas teorias: a Liberal e a Absolutista em que a
burguesia, após uma longa luta, derrubou do poder a clas-
se dos aristocratas (nobres) e o povo assumiu o poder.
Ora, com a postergação do liberalismo pelos direitos
sociais, o problema social, econômico e político do Estado
nunca foi resolvido, permanecendo nítido o desequilíbrio
(desigualdade) entre eles.
O Brasil de hoje começa a se preocupar seriamente com
esta postergação ou \u201cajustes\u201d que procedem qualquer mu-
dança na nossa sociedade. A Segurança Social ou seguri-
dade social como querem outros, consiste na preocupação
de amparar a pessoa humana aviltada através dos sécu-
los, para poder preservar e manter sua dignidade.
12 História do Direito
Hoje a importância da Defensória Pública se avul-
ta no elenco de obrigações do Estado-Nação como
função essencial e adequada para assegurar a prote-
ção judicial dos juridicamente necessitados, verda-
deira garantia oferecida ao cidadão para obter sua
tutela jurisdicional.
Sem Defensor pago pelo Estado não haverá de-
mocratização de Justiça e sem modernização das Leis
que se adaptem às novas condições sociais também
não.
Seria conveniente e urgente que:
1) O Poder Judiciário encontrasse e aplicasse novas e
revolucionárias idéias que melhorassem a eficiên-
cia deste Poder (dinâmica e celeridade).
2) O Poder Judiciário encontrasse a fórmula para a
aplicação de um DIREITO DE DECISÕES RÁPI-
DAS E JUSTAS, sem qualquer distinção de classes
nem regalias de forma especial.
3) Simplificando A INTERPRETAÇÃO AUTÊNTICA
da NORMA JURÍDICA.
4) que fosse feita a reformulação radical dos Códigos
e, conseqüentemente, das Leis, inclusive da MAG-
NA CARTA, tornando-os objetivos e simples de apli-
cação.
Mas uma Reforma, até mesmo tímida, se impõe porque
já ingressamos na ERA DA GLOBALIZAÇÃO.
O Defensor Público LIST VIEIRA oferece uma boa res-
posta: \u201cTODO O PROBLEMA ESTARÁ NO EQUILÍBRIO
ENTRE A AUTONOMIA DOS POVOS E