História do Direito - dos Sumérios até a nossa Era - Aluisio Gavazzoni
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História do Direito - dos Sumérios até a nossa Era - Aluisio Gavazzoni


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execução do Rei CARLOS II e
deteve em suas mãos de ferro, o poder. Deste fato, por de-
dução, conclui-se que a teoria filosófica de HOBBES sobre
o ESTADO defendida por ele de que o Rei é representante
21Prólogo
de Deus na Terra, conduziu-o (e também representou um
retrocesso) à época de HAMURÁBI (o rei Babilônio consi-
derado o pai dos códigos de leis civis e penais) ou, ainda,
os governantes que ditavam suas leis em nome dos deuses,
como fizeram os Faraós e os Romanos, \u201cencarnando\u201d os
próprios deuses. Essa teoria de HOBBES foi entendida
pelos Autores, como uma \u201cteoria oportunista\u201d para defen-
der filosoficamente o poder do rei na monarquia inglesa e
a sua própria segurança (A. e obra citados, pág. 199).
ELY CHINOY escreveu SOCIEDADE \u2014 uma Introdu-
ção à Sociologia e abre sua obra com o titulo Ciência e So-
ciologia e o subtítulo A Sociologia Como Ciência.
Ao explicar que a Sociologia procura aplicar no estudo
do homem e da sociedade, métodos científicos, o emérito
Filósofo contemporâneo que teve esta obra publicada nos
Estados Unidos da América do Norte onde lecionou, escla-
rece o leitor que \u201ca maneira explicitamente científica de
encarar o estudo da vida social surgiu no séc. XIX. A pró-
pria palavra \u201cSociologia\u201d foi inventada por um filósofo fran-
cês, Augusto Comte, que apresentou minucioso programa
para o estudo científico da sociedade numa série de volu-
mes publicados entre 1830 e 1842. No fim do século XIX já
aparecera pequena coleção de clássicos sociológicos, ainda
hoje, importantes. Nos Estados Unidos, onde a Sociologia
deitou raízes mais fundas, criara-se a Sociedades Socio-
lógica Norte-Americana, in ic iara sua publ icação o
American Journal of Sociology e a Sociologia era ensinada
em várias das principais universidades e mais adiante per-
gunta, após varias apreciações, quais seriam \u201cas pré-con-
dições do estudo científico do homem e da sociedade e quais
as suas características essenciais?\u201d E responde: \u201cÀs pala-
vras foram dados muitos significados\u201d. Mas \u201ccomo demons-
traram claramente os psicólogos, os homens vêem, com fre-
qüência, o que estão preparados para ver \u2014 ou o que dese-
jam ver\u201d (grifos meus) e conclui o respeitado Professor: \u201cAo
examinarmos a estrutura e o funcionamento de outras so-
ciedades podemos lograr uma perspectiva mais clara da
22 História do Direito
nossa. Ao examinarmos nossa sociedade talvez nos veja-
mos com mais clareza em relação ao mundo em que vive-
mos\u201d (págs. 27/31).
Aqui um alerta: há praticamente unanimidade entre
os sociólogos no sentido de que existe uma indiscentivel
INSTABILIDADE no comportamento humano.
Citei Arnold Hauser (Tempos Pré-Históricos, Livro 1) e
GOTTRIED SEMPER que afirmaram nas suas obras \u201cnão
ser fácil determinar-se com rigor científico, a razão socio-
lógica da verdadeira veneração do homem pelo passado\u201d o
que nos levou a concluir na História da Arte no Brasil \u2014
Aspectos Socioculturais do Barroco, e seus Reflexos na For-
mação da Arte Brasileira (pág. 13 e seguintes, ed. Palmar
1993, RJ) \u201cque o naturalismo pré-histórico revela todas as
fases típicas de desenvolvimento da arte\u201d já que ele
HAUSER considerava ser o naturalismo uma forma de arte
porque, no seu entender \u201cos desenhos das crianças e as
manifestações artísticas dos povos primitivos são racionais
e não sensoriais: revelam o que a criança e o artista primi-
tivo conhecem, não o que no momento vêem (grifei), e, as-
sim, dão-nos uma concepção teórica e sintética do objeto\u201d,
e não somente uma simples representação ótica e orgâni-
ca, o que indica que o artista paleolítico pinta aquilo que
vê, ou como agora digo, pinta aquilo que viu. Justifico: tanto
a criança como o paleolítico, mesolítico ou neolítico não
usavam, para sua pintura, modelos nem para as pinturas
de interiores e nem as de plein-air (do exterior ou ao ar
livre). Basta prestar atenção ao modo da criança pintar ou
desenhar para confirmar o fenômeno.
No entanto, para ELY CHINOY, em sua obra já citada,
\u201cos problemas de mudança não são novos para a Sociolo-
gia, que tem raízes fundas nas filosofias da história dos
séculos XVIII e XIX. \u201cMas, após discorrer sobre os proble-
mas da pesquisa em busca das respostas sobre as origens
da Família, da Religião e do Estado, traçando nestas bus-
cas \u201cos estádios sucessivos através dos quais se desenvol-
veram as instituições usando, para suas conclusões, os con-
23Prólogo
ceitos e teorias da evolução biológica: seleção natural, so-
brevivência do mais apto, adaptação\u201d, informa ao leitor,
\u201cque tais problemas são de interesse relativamente escas-
so para os estudiosos contemporâneos (cita como suporte
desta afirmação os Autores ROBERT M. MACIVER,
CHARLES HIPAGE e JULIAN STEWARD) todos, como in-
sinua, em busca do desenvolvimento de uma \u201cteoria geral
da evolução aplicável a todos os grupos sociais (grifei).
CHINOY, entretanto, após minuciosas considerações sobre
a opinião dos que defendem um sistema único que permiti-
ria aos Sociólogos a formulação de uma tese sólida para
definir melhor as mutações sociais através dos tempos, sim-
plificando suas observações, não conclui, mas propõe que
sejam levadas em alto grau de importância, as pesquisas
sobre influências externas, contatos com outros grupos, fon-
tes institucionalizadas de mudanças, as conseqüências la-
tentes de instituições e estruturas sociais existentes, ten-
sões geradas pela ausência de completa integração e es-
forços organizados para realizar a mudanças porque \u201cnão
se trata de forças independentes e suas relações recípro-
cas devem ser sistematicamente examinadas no estudo
sociológico\u201d (obra e A. citados, págs. 158/168), o que vem
de encontro ao projeto em franco desenvolvimento da GLO-
BALIZAÇÃO.
Agora, CHINOY, ao abordar Sociologia e História, diz
que decidiu chamar de \u201chistória\u201d a maneira dele CHINOY
\u201cde encarar o estudo da mudança social por dois motivos.
Primeiro, desejamos acentuar o ato de que todos os inqué-
ritos sociológicos se referem a pessoa e ações num momen-
to e num lugar específico\u201d e o pensador C. WRIGHT MILLS
em uma, como diz, \u201cdiscussão evocativa e estimulante dos
Usos da História\u201d: Só por um ato de abstração violenta des-
necessariamente a realidade social podemos tentar conge-
lar um momento agudo (\u2014 ob. cit. pág. 151 \u2014 \u201cCHINOY,
obra citada, pág. 169). Ora, o pensamento de MILLS pare-
ce, como o próprio CHINOY ressalta, \u201cdesprezar com ex-
cessivo desdém a possibilidade de generalizações que se
24 História do Direito
aplicam além de situações históricas especificas, mas tem
razão quando põe de lado muitas, senão a maioria, das leis
agora afirmadas para definir relações universalmente en-
contradas entre variáveis sociológicas\u201d (A. citado, pág. 170).
Em seqüência, o respeitado Mestre admite que \u201cao historia-
dor interessa, tipicamente, o passado\u201d mas \u201ca menos de
ser um mero antiquário, também lhe interessa sua rele-
vância para o presente\u201d. E, para concluir suas críticas à
Sociologia e à História, CHINOY admite que ambos, histo-
riador e sociólogo, \u201cse interessam mais pelo geral que pelo
individual e singular, e utilizam conceitos semelhantes,
para aprender os aspectos repetitivos da vida social\u201d mas,
\u201cambos reconhecem a importância e o valor da maneira
comparativa de encarar o assunto, pois, sejam quais os pro-
blemas escolhidos para o estudo, o confronto sistemáti-
co de diferentes sociedades passadas e presentes,
proporciona não só a base de hipóteses sugestivas
senão também os elementos para comprová-las\u201d (gri-
fei \u2014 obra e A. citados, pág. 172).
É exatamente isso que defendo.
Na sua obra SOCIOLOGIA DA SOCIEDADE BRASI-
LEIRA, o Professor paulista ÁLVARO DE VITA, dono de
vasto curriculum publicado em sua 7ª ed. pela Editora
Ática, SP, 1998, esclarece na \u201cApresentação\u201d que \u201co leitor
logo notará que este livro, lidando com um campo de co-
nhecimento tão vasto como a Sociologia, fez uma opção
básica.