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que pode aumentar o risco de depressão. 
 
 
 
Algumas pesquisas indicam que cerca de 20% dos 
casos de alcoolismo e drogadicção estão associados a um 
histórico de depressão. Sabe-se que muitas pessoas buscam o 
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álcool e as drogas durante episódios depressivos mas, 
também, parece ocorrer que tais substâncias interferem na 
atividade dos neurotransmissores, provocando ou agravando a 
depressão. 
No caso do tabagismo, também este guarda estreita 
relação com o transtorno depressivo por poder levar a 
distúrbios da tireóide e síndrome de abstinência com sintomas 
semelhantes aos da depressão. 
 
 
 
Observa-se que pessoas portadoras de diversas 
enfermidades apresentam sintomas de depressão. Esse fato 
parece estar ligado a fatores fisiológicos e psicológicos. 
Do ponto de vista fisiológico, existe a possibilidade de 
ocorrerem alterações decorrentes da própria enfermidade. 
Essa hipótese se baseia no fato de que a presença de algumas 
doenças parece aumentar o risco de depressão. 
Outra situação, provavelmente responsável por grande 
parte dos casos, está relacionada com efeitos colaterais dos 
medicamentos utilizados no combate à doença, provocando 
sintomas depressivos. 
No campo psicológico, algumas enfermidades, 
principalmente aquelas que oferecem algum tipo de risco para 
a vida da pessoa, aquelas cujas seqüelas causam limitações 
diante da vida e as que requerem longos períodos de 
internação podem provocar sentimentos de baixa auto-estima, 
incapacidade, exclusão, impotência, insegurança e 
desesperança. 
 
Wagner Luiz Garcia Teodoro 
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Entre as enfermidades que costumam revelar sintomas 
depressivos associados ao quadro, estão: câncer, mal de 
Parkinson, demência, diabetes, problemas hepáticos, 
distúrbios da tireóide, hipertensão, problemas cardíacos, 
AIDS, doenças degenerativas e problemas renais. 
 
 
 
Um contexto bastante propício ao surgimento de 
episódios depressivos é o momento em que a pessoa 
experimenta o sentimento de exclusão social, seja por 
questões físicas, mentais ou outras que possam despertar 
preconceito. Entre as pessoas que normalmente sentem-se à 
margem da estrutura social, podemos ressaltar: 
 
 
\uf0b7pessoas com paralisias 
\uf0b7deficientes visuais 
\uf0b7deficientes auditivos 
\uf0b7idosos 
\uf0b7desempregados 
\uf0b7pessoas que se consideram fora 
 dos padrões de beleza 
\uf0b7pessoas que sofrem amputações, 
 resultando em limitações físicas 
 e comprometimento estético 
\uf0b7analfabetos 
\uf0b7homossexuais 
 
 
Depressão: corpo, mente e alma 
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Seja em que situação for, a sensação de exclusão pode 
gerar sentimentos de incapacidade, rejeição, baixa auto-
estima, frustração, raiva e desamparo, favorecendo a 
formação do quadro depressivo. 
 
 
 
Uma boa auto-estima tem estreita ligação com o tipo 
de relação familiar desenvolvida na infância. 
Por motivos variados, inúmeras famílias têm seus 
relacionamentos permeados pela intolerância, irritabilidade, 
agressões físicas e verbais, críticas excessivas e pela ausência 
de uma expressão afetiva mais positiva por parte dos pais ou 
dos cuidadores, em relação à criança. 
Sabe-se que quanto mais cedo a criança experimentar 
algum tipo de sofrimento intenso, piores serão as 
conseqüências para sua estruturação psíquica. Uma pessoa 
que começa a vida sentindo-se agredida e pouco amada, 
desenvolve posturas defensivas que favorecerão o surgimento 
de episódios de depressão. A hostilidade em relação às 
pessoas e ao mundo e a baixa auto-estima são exemplos de 
sentimentos que, além de prejudicar diretamente a pessoa em 
suas funções fisiológicas, acarretarão dificuldades de 
relacionamento e uma visão negativamente distorcida de si e 
do mundo. 
Entre os maus-tratos, vale ressaltar as situações de 
abuso sexual, normalmente envolvendo ameaças, agressões 
físicas e psíquicas, tendo como principais agressores, parentes 
próximos, conhecidos da família e os próprios pais ou 
padrastos. 
Wagner Luiz Garcia Teodoro 
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Os maus-tratos são também observados na terceira 
idade, momento em que a debilidade física e os esperados 
comprometimentos neurológicos limitam a capacidade de o 
idoso reagir ou pedir ajuda, chegando às vezes a óbito. 
Seja na infância, na terceira idade ou mesmo nos casos 
de adultos submissos, os maus-tratos costumam provocar 
grandes sofrimentos e efeitos devastadores na estrutura 
emocional. 
 
 
 
 
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Wagner Luiz Garcia Teodoro 
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As explicações sobre as causas da depressão ainda não 
encontram consonância no meio científico. Durante algum 
tempo, dentro de um processo natural de construção do 
conhecimento, diferentes olhares buscaram possíveis causas 
para esse transtorno. Teria a depressão uma origem orgânica, 
provocando alterações psicológicas? Ou começaria na esfera 
psicológica, levando a disfunções neuroquímicas? 
Atualmente, de forma mais ponderada, médicos e 
psicólogos consideram a existência de ambas as 
possibilidades, sendo que, nos transtornos depressivos, 
normalmente coexistem fatores psicológicos e orgânicos. Os 
primeiros envolvem a personalidade, conteúdos inconscientes 
e sistemas de crenças. Já os de ordem orgânica envolvem 
aspectos fisiológicos, com a possibilidade de influência 
genética. Acredita-se numa complexa interação entre esses 
fatores, sendo que, em alguns casos, a origem possa 
apresentar prevalência de um dos dois, como nos casos de 
lesões cerebrais e perdas de entes queridos. 
Esse avanço fez com que desde a década de 90 
predominasse um consenso acerca da combinação de recursos 
farmacológicos e psicoterápicos no tratamento da depressão. 
Dentro dessa perspectiva, considera-se que as causas 
endógenas são aquelas vinculadas a fatores orgânicos e as 
causas exógenas, aquelas relacionadas com fatores 
psicológicos envolvidos no transtorno. 
Nesta obra, será também classificado como exógeno, 
um outro fator ainda não considerado relevante pela maioria 
dos médicos e psicólogos: o fator Espiritual. Esse fator diz 
respeito à condição do espírito (Ser incorpóreo, imortal e 
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dotado de inteligência) interferindo no surgimento e 
manutenção da depressão. 
De forma ainda tímida, a neurociência vem 
colaborando para a compreensão da influência da fé nas 
questões neurológicas e fisiológicas. Porém, o fator espiritual 
aqui referido \u2013 e já abordado largamente por autores espíritas 
e espiritualistas \u2013 vai além da fé, considerando a imortalidade 
do espírito e sua ação voluntária, mesmo após o desenlace do 
corpo físico, acumulando experiências ao longo de sucessivas 
reencarnações, dentro do processo de evolução espiritual, 
como esclarece a Doutrina Espírita, codificada pelo francês 
Allan Kardec no século XIX. 
No ritmo em que os avanços tecnológicos caminham, 
acredita-se que num tempo relativamente curto (considerando 
os milênios de evolução), a própria ciência, principalmente a 
partir das descobertas da física quântica, se encarregará de 
incluir a condição espiritual na gênese de todas as 
enfermidades físicas e mentais.