wagner-luiz-teodoro-depressao-corpo-mente-e-alma

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Não se sabe ao certo como atuam os antidepressivos, 
mas sabe-se que, em geral, apresentam 60% a 80% de 
probabilidade de trazer resultados satisfatórios ao paciente e 
que as chances de o primeiro medicamento, escolhido pelo 
médico, ser o adequado para determinado paciente gira em 
torno de 50%, sendo necessário, em alguns casos, fazer 
tentativas com outros antidepressivos. 
Os fármacos antidepressivos possuem características 
positivas como o fato de não causarem dependência química. 
Nesse contexto, é importante fazer uma ressalva para os casos 
de uso abusivo dos medicamentos em função dos efeitos 
eufóricos que alguns deles podem provocar. Essa situação é 
mais comum entre pessoas com tendência à drogadicção. 
Outro ponto que favorece esses medicamentos é a 
capacidade de produzir a remissão ou minimização dos 
sintomas num tempo relativamente menor do que aquele 
observado nos processos psicoterápicos. Vale lembrar que, 
apesar do grande auxílio na recuperação do humor, os 
remédios não são capazes de produzir mudanças no sistema 
de crenças do paciente, na sua personalidade e nem elabora 
suas perdas, sua raiva e sua culpa. Isso reforça a importância 
de uma ação combinada entre medicamentos e psicoterapia, 
combinação esta capaz de produzir, em muitos casos, uma 
recuperação mais rápida ou diminuir significativamente os 
sintomas num espaço de tempo mais curto do que quando um 
dos dois procedimentos é realizado isoladamente, como já 
comprovado por estudos científicos. 
Os aspectos desfavoráveis relacionados com os 
antidepressivos envolvem o custo relativamente alto, o 
prolongado tempo de tratamento e os efeitos colaterais. Assim 
como inúmeros outros medicamentos, os antidepressivos 
podem causar algumas reações indesejáveis ao paciente, 
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trazendo desconforto, chegando a provocar o abandono do 
tratamento. Contudo, conviver temporariamente com alguns 
efeitos colaterais, ainda parece ser melhor que conviver com a 
depressão e seus riscos. Além disso, a indústria farmacológica 
vem buscando desenvolver produtos que causem menos 
desconforto ao paciente. Os medicamentos que chegaram ao 
mercado, a partir da década de 80, já apresentam reações 
colaterais mais amenas e suportáveis. Entre os mais antigos 
estão os IMAOs (inibidores da ação da enzima 
monoaminoxidase) e os tricíclicos. Entre os mais recentes e 
de efeitos colaterais de maior tolerabilidade, estão os ISRS 
(inibidores seletivos da recaptação de serotonina), a 
Venlafaxina, a Mirtazapina e a Nefazedona. 
É provável que, no futuro, a descoberta de técnicas ou 
fármacos que atuem especificamente na área afetada pela 
falha da neurotransmissão, diminuam consideravelmente os 
efeitos colaterais. 
 
 
CONTROLE HORMONAL 
 
Entre as possíveis causas fisiológicas da depressão, 
encontramos o rebaixamento dos níveis dos hormônios da 
tireóide e do hormônio sexual estrogênio. 
Observa-se que a suplementação dos hormônios 
tireoidianos, quando em baixa, tende a resultar na melhora dos 
sintomas depressivos. Também parece ocorrer que, nos casos 
em que se faz uso de algum antidepressivo, o baixo nível 
desses hormônios compromete a eficácia do medicamento. 
Alguns estudos revelam, ainda, que a associação entre 
fármacos antidepressivos e a suplementação hormonal 
tireoidiana produz efeitos colaterais brandos e eficácia nos 
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tratamentos em aproximadamente 50% das mulheres 
deprimidas que não respondiam ao uso de antidepressivos 
isoladamente. 
No caso do estrogênio, entre outras funções, esse 
hormônio parece aumentar a atividade da serotonina e 
estimular o aumento da quantidade e da sensibilidade dos 
receptores desse neurotransmissor no cérebro. A reposição 
hormonal diminui as chances da depressão associada à 
menopausa. 
 
 
FOTOTERAPIA 
 
O uso da luz como recurso terapêutico ocorre nas 
situações em que a depressão parece estar associada a fatores 
sazonais, ou seja, influenciada pelas contingências das 
estações do ano. 
Em algumas regiões, principalmente as de maior 
latitude, os períodos de inverno são marcados pela baixa 
iluminação solar. Essa situação parece provocar o aumento da 
taxa do hormônio melatonina, que possui funções 
relacionadas com as sensações de cansaço e sono. O alto nível 
desse hormônio pode deprimir o humor. 
Há aproximadamente 2000 anos, a terapia da luz já era 
recomendada pelo médico grego Areteu da Capadócia, no 
tratamento de pessoas com letargia. Na época, as pessoas 
eram orientadas a deitar-se sob os raios do sol. 
No entanto, foi no século XX que a fototerapia passou 
por avaliações empíricas mais rigorosas. Constatou-se que a 
luz estimula a glândula pineal que, nessa condição, provoca a 
inibição da liberação de melatonina, liberação de serotonina e 
a conseqüente sensação de revitalização. 
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Atualmente, o processo fototerápico é realizado com 
luminárias capazes de provocar brilho entre 2.500 e 10.000 
luxes (lux é a medida da intensidade luminosa), sem radiação 
ultravioleta. O paciente deve ficar exposto à luz de 15 minutos 
a 2 horas, dependendo de cada caso, uma vez ao dia, no 
período da manhã para evitar perturbações do sono. 
Normalmente, os resultados surgem a partir de 4 ou 5 
dias, sendo que cerca de 80% das pessoas com depressão 
sazonal sentem-se beneficiadas. 
É importante ressaltar que a intensidade luminosa do 
ambiente doméstico é normalmente inferior à 1.000 luxes. O 
ambiente fechado ao qual se recolhem muitos deprimidos, 
oferece luminosidade próxima de 1 lux, enquanto um dia de 
sol intenso pode chegar a produzir 100.000 luxes. 
 
 
TERAPIA ELETROCONVULSIVA (ECT) 
 
A terapia eletroconvulsiva surgiu na década de 30, 
como recurso no tratamento da esquizofrenia, quando 
observou-se que alguns pacientes esquizofrênicos e 
epilépticos apresentavam remissão temporária dos sintomas, 
logo após uma crise convulsiva. 
Nas fases iniciais desse procedimento terapêutico, a 
convulsão era induzida por substâncias químicas injetáveis. 
Em 1938, pesquisadores italianos começaram a fazer uso de 
corrente elétrica para induzir a convulsão. 
Atualmente, observa-se que a terapia eletroconvulsiva 
auxilia na remissão de sintomas depressivos, sendo indicada 
principalmente nos casos mais graves, com risco de suicídio, 
quando o paciente não tolera os efeitos colaterais dos 
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antidepressivos ou quando não responde aos medicamentos e 
à psicoterapia. 
Desenvolvida hoje com procedimentos diferentes dos 
usados inicialmente, essa terapia é realizada com o uso de 
anestesia e relaxante muscular. Após o adormecimento do 
paciente, é liberada uma corrente elétrica de baixa intensidade 
que passa pelos eletrodos e atinge o cérebro, provocando uma 
convulsão que dura de 30 a 60 segundos. 
Normalmente, o tratamento requer de seis a doze 
sessões, sendo realizadas duas ou três por semana. 
Entre as reações indesejáveis que podem ser 
provocadas pela terapia eletroconvulsiva, está a amnésia 
retrógrada, em que o paciente experimenta a perda de 
memória relacionada a eventos anteriores ao tratamento, 
começando dos registros mais recentes e se estendendo para o