wagner-luiz-teodoro-depressao-corpo-mente-e-alma

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Essas defesas são 
percebidas, por exemplo, quando o Ser julga que seus 
sentimentos são indignos ou inconfessáveis, tendendo a 
atribuí-los a outras pessoas (projeção). Outra forma de evitar 
o contato com as próprias dores é negar a realidade dos fatos 
(negação), fugindo de seus verdadeiros sentimentos. 
Quanto à postura egoísta, esta revela a condição ainda 
primitiva dos sentimentos e da percepção humana, mantendo 
o Ser preso a um olhar restrito a interesses pessoais, 
alimentando mágoa, raiva e sentimento de injustiça, 
enxergando a realidade apenas da forma que lhe convém. 
Depressão: corpo, mente e alma 
~ 199 ~ 
 
Seja qual for o motivo pelo qual a pessoa se mantém 
distante de si, a busca pelo autoconhecimento sempre exigirá 
uma postura de coragem e auto-aceitação com todas as 
imperfeições ainda existentes, além de respeito e gratidão pelo 
que já se pode ser. 
É certo que muitas vezes foge-se de si mesmo porque a 
mente humana, além de carregar as conquistas evolutivas, 
abriga também o lado sombrio das experiências pregressas e 
conflitos de toda ordem. Pode ocorrer, por exemplo, que a 
culpa inconsciente gerada por atos infelizes do passado leve a 
pessoa a agir de forma rígida consigo e com os outros, não se 
permitindo errar, revelando uma conduta rígida e 
perfeccionista. 
Assim como a culpa e a rigidez, que revelam a falta de 
amor próprio e de auto-perdão, outros aspectos encontrados 
na depressão podem ser revelados pelo autodescobrimento, 
favorecendo a superação do estado depressivo. Conhecer 
sentimentos muitas vezes negados como a raiva, a mágoa, a 
dependência, a insegurança, a baixa auto-estima, o vitimismo 
e outros, pode ser extremamente benéfico e libertador para o 
deprimido, mostrando-lhe que sua situação é gerada por suas 
próprias atitudes e oferecendo-lhe a chance de repensar sua 
postura diante da vida. 
Outro ponto positivo da auto-observação é perceber 
quais fatores têm desencadeado o processo depressivo. O 
descobrimento das situações em que as crises depressivas 
eclodem, oferecem pistas sobre sentimentos e reações 
envolvidas na depressão. Tal informação favorece a criação 
de estratégias para o amadurecimento e tira a impressão de 
que depressão não tem uma causa real. Essa situação pode ser 
observada, por exemplo, quando o sentimento de carência e 
dependência afetiva é acentuado, fazendo com que, em 
Wagner Luiz Garcia Teodoro 
~ 200 ~ 
 
algumas situações, a pessoa sinta-se sozinha para dar conta da 
vida, sentindo-se sobrecarregada e desamparada. A sensação 
de estar abandonada faz com que sejam ativados na mente da 
pessoa os registros de experiências de desamparo desta e de 
outras vidas, despertando angústia, fazendo reviver suas dores 
emocionais, desencadeando a crise depressiva. Percebendo 
essa dinâmica, a pessoa entende a necessidade de cuidar de 
sua auto-estima para sentir-se mais segura, capaz e 
independente, a fim de evitar novas crises. 
Enfim, conhecer a si mesmo é uma forma de expandir 
a consciência, exercitar o auto-amor e amadurecer 
emocionalmente, tornando mais fácil o convívio consigo e 
com o outro. 
 
Em vários tópicos da presente obra, são feitas 
observações sobre a necessidade de o deprimido modificar-se 
internamente, isto é, alterar sua postura diante da vida, a fim 
de diminuir os riscos de novos episódios desse preocupante 
transtorno de humor. 
Tratamentos farmacológicos e psicoterápicos têm 
apresentado altos índices de recorrência do problema. Da 
mesma forma, os recursos complementares que ajudam na 
harmonização energética atuam por vezes de forma paliativa e 
com pouco tempo de duração. Tais situações se devem aos 
pensamentos e emoções cultivados pela pessoa. Já se sabe que 
esses dois elementos são capazes de alterar o campo 
energético e a atividade celular de forma positiva ou negativa, 
levando à saúde ou à doença, respectivamente. 
Depressão: corpo, mente e alma 
~ 201 ~ 
 
Gasta-se tempo e dinheiro tentando tratar a depressão 
de forma passiva, como se o paciente fosse um simples 
hospedeiro da doença, vítima da vida e não o causador de sua 
própria enfermidade. 
É necessário que a pessoa com depressão entenda que 
é responsável pela própria felicidade e que a forma como tem 
entendido a vida e reagido a ela tem gerado sua angústia, seu 
desânimo e sua tristeza. No livro \u201cEscutando Sentimentos\u201d, 
afirma a autora espiritual Ermance Dufaux, que a depressão é 
uma intimação da Vida, convocando a alma às mudanças 
necessárias. Cita ainda a autora, que na Terra, bilhões de 
pessoas, entre encarnados e desencarnados, estão deprimidos 
ou têm construído verdadeiras \u201cestufas psíquicas\u201d para futuras 
depressões, através de suas condutas imaturas e infelizes. 
A ligação existente entre as causas da depressão e a 
postura que o enfermo assume diante da vida fica ainda mais 
evidente quando se observa os cinco fatores causais 
encontrados com maior freqüência na base dos quadros 
depressivos: 
 
Raiva 
Origens: orgulho; egoísmo; intolerância às frustrações. 
Conseqüências: mágoa; ressentimento; vitimismo; revolta 
contra as circunstâncias da vida; culpa; corpo rígido; ... 
Posturas Libertadoras: humildade; caridade; tolerância; 
perdão; auto-perdão; assumir a responsabilidade pela própria 
vida; manifestação da raiva através de expressão verbal ou de 
exercícios físicos; colocar-se no lugar do outro; resignação; ... 
 
 
 
 
Wagner Luiz Garcia Teodoro 
~ 202 ~ 
 
Culpa 
Origens: atitudes infelizes que geram arrependimento; 
educação com rigidez, com críticas ou com elevada 
expectativa dos pais. 
Conseqüências: intolerância; perfeccionismo; rigidez; alto 
nível de exigência consigo e com os outros; auto-punição; 
moralismo; auto-compaixão; baixa auto-estima; ... 
Posturas Libertadoras: auto-perdão; revisão de conceitos 
aprendidos; reparação; compreensão da própria condição de 
aprendiz; humildade; tolerância; flexibilidade; auto-aceitação; 
fé; ... 
 
Sentimento de perda 
Origens: perda de objetos, pessoas ou situações que 
sustentavam a auto-estima; perda da autonomia, da 
identidade, do sentido existencial ou de afeto; ... 
Conseqüências: raiva; sensação de desamparo e incapacidade; 
sentimento de rejeição; vazio existencial; ... 
Posturas Libertadoras: adaptação; desenvolvimento da 
autonomia; autoconfiança; valorização de aspectos internos; 
busca do Eu real; amar-se; fé; resignação; ... 
 
Cognições negativas 
Origens: identificação com pessoas deprimidas; construção de 
conceitos negativos sobre si, o mundo e o futuro. 
Conseqüências: pessimismo; baixa auto-estima; desesperança; 
sentimento de desamparo; ... 
Posturas Libertadoras: revisão de conceitos aprendidos; 
busca de novas referências; pensamento positivo; ... 
 
 
 
Depressão: corpo, mente e alma 
~ 203 ~ 
 
Conflitos de auto-estima 
Origens: culpa; perdas; raiva; educação rígida, com críticas e 
humilhações ou com poucas manifestações de afeto; ... 
Conseqüências: sensações de incapacidade, insegurança, 
inadequação e inutilidade; sentimento de rejeição; vazio 
existencial; intensificação do orgulho; timidez; auto-
desvalorização; ... 
Posturas Libertadoras: auto-aceitação; auto-perdão; cuidar da 
criança interior; doar-se; humildade; reconhecer a própria 
individualidade; ... 
 
Fica evidente a relevância da participação do 
deprimido na construção de sua enfermidade, assim como no 
tratamento da mesma. Torna-se imprescindível associar a 
reforma íntima aos tratamentos médicos e psicológicos. É 
necessário rever conceitos, atitudes, valores, sentimentos e 
pensamentos para que se reduzam os riscos de adoecimento 
ou de retorno ao quadro. 
No entanto, sabe-se que o processo de mudança de 
atitude e amadurecimento