wagner-luiz-teodoro-depressao-corpo-mente-e-alma

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e sua tristeza. No livro \u201cEscutando Sentimentos\u201d, 
afirma a autora espiritual Ermance Dufaux, que a depressão é 
uma intimação da Vida, convocando a alma às mudanças 
necessárias. Cita ainda a autora, que na Terra, bilhões de 
pessoas, entre encarnados e desencarnados, estão deprimidos 
ou têm construído verdadeiras \u201cestufas psíquicas\u201d para futuras 
depressões, através de suas condutas imaturas e infelizes. 
A ligação existente entre as causas da depressão e a 
postura que o enfermo assume diante da vida fica ainda mais 
evidente quando se observa os cinco fatores causais 
encontrados com maior freqüência na base dos quadros 
depressivos: 
 
Raiva 
Origens: orgulho; egoísmo; intolerância às frustrações. 
Conseqüências: mágoa; ressentimento; vitimismo; revolta 
contra as circunstâncias da vida; culpa; corpo rígido; ... 
Posturas Libertadoras: humildade; caridade; tolerância; 
perdão; auto-perdão; assumir a responsabilidade pela própria 
vida; manifestação da raiva através de expressão verbal ou de 
exercícios físicos; colocar-se no lugar do outro; resignação; ... 
 
 
 
 
Wagner Luiz Garcia Teodoro 
~ 202 ~ 
 
Culpa 
Origens: atitudes infelizes que geram arrependimento; 
educação com rigidez, com críticas ou com elevada 
expectativa dos pais. 
Conseqüências: intolerância; perfeccionismo; rigidez; alto 
nível de exigência consigo e com os outros; auto-punição; 
moralismo; auto-compaixão; baixa auto-estima; ... 
Posturas Libertadoras: auto-perdão; revisão de conceitos 
aprendidos; reparação; compreensão da própria condição de 
aprendiz; humildade; tolerância; flexibilidade; auto-aceitação; 
fé; ... 
 
Sentimento de perda 
Origens: perda de objetos, pessoas ou situações que 
sustentavam a auto-estima; perda da autonomia, da 
identidade, do sentido existencial ou de afeto; ... 
Conseqüências: raiva; sensação de desamparo e incapacidade; 
sentimento de rejeição; vazio existencial; ... 
Posturas Libertadoras: adaptação; desenvolvimento da 
autonomia; autoconfiança; valorização de aspectos internos; 
busca do Eu real; amar-se; fé; resignação; ... 
 
Cognições negativas 
Origens: identificação com pessoas deprimidas; construção de 
conceitos negativos sobre si, o mundo e o futuro. 
Conseqüências: pessimismo; baixa auto-estima; desesperança; 
sentimento de desamparo; ... 
Posturas Libertadoras: revisão de conceitos aprendidos; 
busca de novas referências; pensamento positivo; ... 
 
 
 
Depressão: corpo, mente e alma 
~ 203 ~ 
 
Conflitos de auto-estima 
Origens: culpa; perdas; raiva; educação rígida, com críticas e 
humilhações ou com poucas manifestações de afeto; ... 
Conseqüências: sensações de incapacidade, insegurança, 
inadequação e inutilidade; sentimento de rejeição; vazio 
existencial; intensificação do orgulho; timidez; auto-
desvalorização; ... 
Posturas Libertadoras: auto-aceitação; auto-perdão; cuidar da 
criança interior; doar-se; humildade; reconhecer a própria 
individualidade; ... 
 
Fica evidente a relevância da participação do 
deprimido na construção de sua enfermidade, assim como no 
tratamento da mesma. Torna-se imprescindível associar a 
reforma íntima aos tratamentos médicos e psicológicos. É 
necessário rever conceitos, atitudes, valores, sentimentos e 
pensamentos para que se reduzam os riscos de adoecimento 
ou de retorno ao quadro. 
No entanto, sabe-se que o processo de mudança de 
atitude e amadurecimento emocional não ocorre em pouco 
tempo. Não é fácil livrar-se de aspectos incorporados à 
personalidade e em muitos casos a pessoa precisa adquirir 
mais experiência de vida. Essa situação mostra o quanto o 
deprimido precisa ser \u201cpaciente\u201d, tolerante consigo mesmo, 
perseverante e alimentar diariamente sua fé, seu otimismo e 
sua gratidão pela vida. 
Como afirma Ermance Dufaux no livro \u201cReforma 
íntima sem martírio\u201d, aquilo que irradia de nossas mentes cria 
uma psicosfera e quanto mais elevada é a conduta moral de 
uma pessoa, maior será sua imunidade contra as influências 
negativas e os desequilíbrios. 
 
Wagner Luiz Garcia Teodoro 
~ 204 ~ 
 
 
O terceiro item da análise sobre a cura da depressão 
talvez seja o mais importante, podendo ser visto como 
conseqüência dos anteriores, autoconhecimento e reforma 
íntima. 
Percebe-se que na maior parte dos casos de depressão 
está presente a sensação de falta de amor, seja da pessoa em 
relação a ela mesma, em relação aos outros ou dos outros para 
com ela. 
É comum a pessoa deprimida relatar aspectos da 
própria infância que revelam uma educação rígida, com 
intolerância, pouco colo e abraço, maus tratos, rejeição, 
abandono, indiferença, além de mães deprimidas ou que 
desencarnaram enquanto a criança ainda se sentia 
emocionalmente dependente. 
Sabe-se que o desenvolvimento da auto-estima sofre 
grande influência dos primeiros anos de vida, quando a 
criança está construindo sua identidade através das 
informações verbais e não verbais que vêm de outras pessoas, 
principalmente de quem se ocupa de seus cuidados. Com o 
tempo, a criança vai introjetando tais informações, 
aprendendo, ou não, a se amar. Entende-se assim, que a 
construção do auto-amor tem início naturalmente na infância, 
com o amor dos outros pela criança. 
Ocorre que, por motivos diversos, muitas crianças não 
aprendem a se amar, desenvolvendo comportamentos de 
hostilidade ou de carência, passando a vida cobrando atenção 
dos outros, sendo que todo o amor que recebem na fase adulta 
parece ser insuficiente para preencher o vazio que lhes 
angustia. 
Depressão: corpo, mente e alma 
~ 205 ~ 
 
Outro problema, decorrente da situação descrita acima, 
é que quem não se ama também não consegue amar 
verdadeiramente outras pessoas, chamando de amor 
sentimentos como a dependência e o ciúme. Cria-se assim, um 
ciclo vicioso no qual alguém que se sente hostilizado passa a 
tratar o mundo com hostilidade, passando este sentimento de 
geração para geração através da educação infantil. 
Como resolver, então, o problema dos adultos que não 
se sentem amados? Como evitar que a falta de amor se 
perpetue, gerando quadros depressivos? As respostas para 
estas questões apontam para dois caminhos: aprender a se 
amar e amar sem ser amado. 
Como já foi dito, quando o adulto não aprendeu a se 
amar na infância, não consegue acreditar que amor que vem 
depois seja sincero a ponto de nutrí-lo. Torna-se necessário 
que aprenda a gostar de si, a valorizar-se, a sentir-se 
merecedor de atenção, reconhecimento e carinho, desfazendo 
falsas concepções construídas na fase infantil. É como 
oferecer colo, ou seja, acolhimento à criança que existe em 
cada adulto, fazendo com que ela se sinta segura e amada. 
Este não é um caminho fácil, mas é um desafio que quando 
vencido pode libertar a pessoa da depressão. 
O segundo caminho, amar sem ser amado, vem de 
encontro aos ensinamentos do Cristo e é a receita para 
despertar o amor do outro. De outra forma, é sabido que o 
universo é regido pela lei de ação e reação e que todo o bem 
que se faz tende a voltar para quem o praticou. Então, as 
vibrações de carinho direcionadas a alguém costumam fazer 
muito bem a quem as enviou. 
No contexto da falta de amor, é ainda importante 
considerar que o amor próprio e as relações afetivas