wagner-luiz-teodoro-depressao-corpo-mente-e-alma

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de fé tomam conta da pessoa, 
provocando uma acentuada desvitalização do corpo e da 
mente, estando freqüentemente agravada por obsessões 
espirituais. Esse quadro exige grande dedicação dos familiares 
e dos profissionais envolvidos, sendo muitas vezes necessária 
a presença constante de alguém que estimule o 
prosseguimento das atividades terapêuticas, até que haja 
melhora do estado mental do enfermo e o desejo de lutar 
contra a depressão e a favor da vida e da auto-superação. 
Um valioso recurso para combater estados de 
desânimo e embotamento afetivo é o uso de exercícios para 
expansão da respiração e correção postural, além daqueles que 
envolvem agitação motora (pular, correr, ...), favorecendo a 
elevação de energia necessária para o movimento pessoal de 
busca de ajuda profissional. De forma semelhante, a prática de 
algum esporte pode, também, funcionar como forte aliado na 
superação da inércia. 
Talvez, o maior desafio do deprimido seja continuar 
caminhando mesmo sem enxergar a possibilidade de melhora 
e sem acreditar que a vida será sentida de maneira diferente 
num outro estado emocional. 
 
 
A auto-estima de uma pessoa pode ser sustentada pelo 
reconhecimento de seus atributos internos (honestidade, 
companheirismo, confiabilidade, respeito, inteligência, bom 
senso, ...) ou externos (beleza física, posses, cargos, status, 
sobrenome, ...). As características internas são inerentes ao 
espírito e compõem o SER. São estáveis e quando são 
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reconhecidas formam uma base sólida para a auto-estima. Por 
outro lado, as características exteriores são atributos 
temporários, são fugazes e fazem parte do TER, que sustenta 
a ilusão de possuir o amor e a admiração das pessoas. 
A valorização do SER ou do TER pode ser 
influenciada pela bagagem acumulada pelo espírito 
reencarnante ao longo de suas existências ou também, ser 
estimulada nesta vida, ainda na infância, quando a criança 
recebe elogios que vão lhe fazendo sentir-se amada, admirada 
e importante. Mas acontece que, às vezes, os elogios são 
dirigidos à casa, ao carro, aos brinquedos, às roupas e assim, a 
criança deixa de desenvolver um referencial interno, não 
percebendo que é amada pelo simples fato de existir e encher 
de alegria a vida de seus familiares. Tem início a construção 
de uma estrutura emocional frágil e vulnerável, permeada pela 
necessidade de manter seus \u201cadmiráveis\u201d acessórios externos 
e pela insegurança que ronda a pessoa sempre que alguma 
situação ameaça-lhe a posição. 
Uma outra situação bastante freqüente que leva à 
exaltação do TER é a existência de uma baixa auto-estima 
desde cedo, em decorrência de rejeição, maus tratos, 
indiferença, entre outros contextos que fazem com que a 
criança sinta-se sem valor e pouco amada. Bem, uma pessoa 
aprende a se amar a partir do amor que é sinceramente 
dirigido a ela. Quando essa referência é negativa, existe o 
comprometimento da auto-estima, levando a diversas 
situações conflitivas. Entre elas, estão a arrogância, a postura 
de superioridade e a idéia de auto-suficiência, em resposta ao 
sentimento de inferioridade. Pode também haver a 
necessidade de provar aos outros, constantemente, o valor que 
se tem. Ora, quem É, não sente que precisa provar, 
simplesmente É. 
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Existe ainda, como reação a uma baixa valorização de 
si, o uso de recursos externos, como carros, cargos, imóveis, 
equipamentos de última geração, entre outros, que podem 
fazer com que seja vista e se sinta alguém. Nos casos em que 
a auto-estima é sustentada por elementos externos, é comum 
que ao perder o objeto ou a situação de apoio, a pessoa se 
afaste do convívio social, sentindo-se abandonada. A sensação 
de estar vazia de qualidades faz reviver toda a carência afetiva 
e normalmente culmina na depressão. 
Fica evidente o quanto é importante cuidar da infância, 
prevenindo o transtorno depressivo. Porém, o que fazer 
quando alguém já passou boa parte da vida sem a percepção 
íntima de suas qualidades? O que fazer quando se olha para 
dentro e só se reconhece uma enorme camada de raiva e 
ressentimento cobrindo qualquer manifestação de gratidão por 
aqueles que nos permitiram a vida? É preciso compreender 
que aqueles a quem amamos e de quem esperamos carinho e 
reconhecimento, não são seres perfeitos e que, como qualquer 
ser humano, são o melhor que conseguem ser. É preciso 
deixar de lado a postura egocêntrica e ressentida e reconhecer 
que todas as pessoas são especiais em sua individualidade, 
que todas fazem falta na vida de alguém e que são 
merecedoras de carinho, respeito e atenção. 
Sempre é tempo para abrir os olhos, expandir a 
consciência e sentir-se co-criador da vida. Sempre é tempo de 
olhar internamente e dizer à criança que existe dentro de cada 
Ser, o quanto ela é amada. Dessa forma, aos poucos, é 
possível SER. 
 
 
 
 
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Observa-se que muitos fatores envolvidos na 
causalidade da depressão têm suas bases na infância. 
A construção da auto-estima, da forma de se 
relacionar, da visão de mundo, enfim, da personalidade, se dá 
desde muito cedo na relação entre a criança e as pessoas que 
se ocupam de seus cuidados. Com base em teorias da 
personalidade, acredita-se que o período compreendido entre 
0 e 7 anos de idade seja de grande influência na estruturação 
de padrões de comportamento que acompanharão a pessoa ao 
longo da vida. Assim, faz-se necessário que aqueles que se 
dedicam aos cuidados da infância, seja no ambiente familiar 
ou educacional, preocupem-se com o tipo de vínculo afetivo 
que está sendo construído. 
A criança aprende sobre ela e sobre a vida através de 
informações que capta de outras pessoas e que processa em 
suas vivências afetivas e cognitivas. Partindo do que falam 
sobre ela e de simples reações à sua presença, a criança vai 
descobrindo quem ela é, isto é, vai construindo uma imagem 
de si mesma. Diz-se que os adultos funcionam como espelhos 
para a criança. 
Muitas crianças crescem escutando que são burras, 
incapazes, incompetentes, teimosas, chatas, inconvenientes e 
um peso na vida das pessoas, ou que são inteligentes, 
perseverantes, criativas, agradáveis, capazes, indispensáveis 
e amadas. Sejam as informações incorporadas positivas ou 
negativas, a criança tende a agir de acordo com a imagem que 
forma de si. Essas impressões ajudam a compor a identidade 
da pessoa e tornam-se de difícil mudança na vida adulta. 
Outro ponto importante na construção da identidade 
são os modelos introjetados na convivência com os adultos. 
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No decorrer do desenvolvimento, a criança vai internalizando 
padrões de comportamento, espelhando-se nas pessoas que a 
cercam. Entre os modelos de identificação, que podem 
futuramente servir de base para a depressão, estão o 
perfeccionismo e a intolerância, revelando um alto nível de 
crítica e exigência, o pessimismo, o sentimento de 
inferioridade, a submissão, a dificuldade de expressar a raiva, 
a auto-depreciação e a postura ilusória e arrogante de auto-
suficiência. 
O jeito como uma criança é tratada também exerce 
influência na construção de sua auto-estima, sendo esta o 
sentimento que uma pessoa tem de ser amada, útil, aceita, de 
ter algo de bom em si para oferecer ou não. Trata-se do valor 
que a pessoa se atribui, do quanto ela se ama e se aceita. Por 
exemplo, percebe-se que as crianças se esforçam para agradar 
sempre os pais e não decepcioná-los, tentando preservar a 
atenção e o carinho deles. Essa situação auxilia o 
desenvolvimento infantil, mas pode ser um problema quando 
o nível de intolerância e exigência dos