Metageografia nas RI
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Metageografia nas RI


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o índice de \u201cEstados fracassados\u201d: Ranking dos 177 países analisados pela ONG Fundo pela Paz, publicado em 2007.\ufffd Na escala de cores: 1. Estado mais \u201cfracassado\u201d (Sudão); 177. Estado menos \u201cfracassado\u201d (Noruega). 
Organização: P. Sutermeister, 2008
Algumas observações: A maior parte da América Latina está bem posicionada (com exceção de alguns países, particularmente Haiti, Colômbia, Bolívia e Guatemala); um fato interessante é a posição do Chile frente a outros países como a Alemanha, a França e a Inglaterra (e no ano 2006, melhor que os Estados Unidos). A reação negativa mais efervescente veio do governo de Paquistão, considerado como \u201cfracassado\u201d, já que o mesmo considerava apresentar uma organização interna relativamente consolidada, e assim, teria sido \u201cmal-julgado\u201d. A parte tropical da \u201cÁfrica subsaariana\u201d, por sua vez, está representada graficamente quase como \u201cregião fracassada\u201d.
Ressaltamos que esta concepção do mundo é bem diferente da concepção ideológica \u201cNorte-Sul\u201d do espaço mundial, pois seria possível inverter o Sul e o Norte, pôr a figura às avessas: o verde continuaria nas margens e o vermelho no centro. Nota bene: mais de perto é observável que temos manipulado a escala das cores segundo nosso próprio gosto, amplificando o verde às expensas do vermelho para ressaltar os \u201cEstados mais fracassados\u201d. Se tivéssemos ampliado o vermelho, restariam alguns poucos Estados \u201cverdes\u201d, e o Brasil apareceria alaranjado. Seria possível utilizar uma escala de cores menos sugestiva, por exemplo, substituindo vermelho por azul. É este o ofício dos atores nas relações internacionais, sejam eurocentristas, meridionalistas, globalistas, nacionalistas: a metageografia.
Conclusão
Neste artigo pretendeu-se colocar em foco o conhecimento geográfico para o estudo de relações internacionais. A nossa hipótese foi que os paradigmas inerentes a esse campo de estudo correspondem ao que LEWIS e WIGEN (1997) chamariam metageografias. Retomamos a esse termo não tanto para desconstruir os paradigmas, mas para mostrar a importância da geografia. Parece problemático que em alguns cursos de graduação ou pós-graduação de relações internacionais a geografia não esteja incluída explicitamente.
Referências
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* Mestrando em Geografia Humana na Universidade de São Paulo. Licenciado em Relações Internacionais pela Universidade de Genebra (Suíça).
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\ufffd Ver ementas: Graduate School of International Studies, Seoul National University: \ufffd HYPERLINK "http://gsis.snu.ac.kr/Faculty/FullTimeProfessors/index.jsp"\ufffd\ufffdhttp://gsis.snu.ac.kr/Faculty/FullTimeProfessors/index.jsp\ufffd [Acesso: 15 de julho de 2008]
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\ufffd FERRATER MORA, José (2001): Dicionário de Filosofia, tomo III (K-P), São Paulo: Edições Loyola, p.1956. Ressaltamos que metageografia pode ter outro sentido se for formado por analogia com metafísica; então designaria toda investigação do que se encontra \u201cpara além da Geografia\u201d, dos fundamentos últimos da Geografia, do sentido ou destino da Geografia etc. Menciona-se que o termo metageografia aparece num tal contexto no artigo \u201cO direito à cidade e a construção da metageografia\u201d de CARLOS, Ana Fani Alessandri (2005): Revista Cidades, v.2, n.4, p.221-247. 
\ufffd Em inglês: \u201cthe set of spatial structures through which people order their knowledge of the world: the often unconscious frameworks that organize studies of history, sociology, anthropology, economics, political science, or even natural history.\u201d(LEWIS et al. 1997:ix)
\ufffd LEWIS e WIGEN 1997:ix: \u201cEvery global consideration of human affairs deploys a metageography, whether acknowledged or not.\u201d
\ufffd ARENAL (2005), por exemplo, considera o liberalismo como parte da tradição teórica do realismo. BURCHILL et al. (2005), em vez de falar de paradigmas, considera nove teorias: Realismo, Liberalismo, Escola Inglesa, Marxismo, Teoria Crítica, Pós-Modernismo, Construtivismo, Feminismo e Políticas Verdes.
\ufffd Since \u201cthe world is round, what can this word [the West] mean?\u201d LEWIS e WIGEN (1997:48) desenvolvem esta idéia de uma maneira radical.
\ufffd Índice anual de \u201cEstados Fracassados\u201d de 2007, publicado pela ONG Fundo pela Paz: \ufffd HYPERLINK "http://www.fundforpeace.org/web/index.php?option=com_content&task=view&id=229&Itemid=366"\ufffd\ufffdhttp://www.fundforpeace.org/web/index.php?option=com_content&task=view&id=229&Itemid=366\ufffd [Acesso: 15 de julho de 2008].
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